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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Obama e a "mudança"

Obama e a "mudança"
Dei a este blog o nome de Radar da Mídia. Um nome que transmite a idéia de detectar nela notícias relevantes, comentários oportunos, tendências marcantes.

Confesso que este Radar também detecta muitas vezes na mídia fatos e posturas surpreendentes.

Distorções, inverdades, contradições
Para dar um exemplo, bem recente. Não entendo como órgãos de imprensa - tidos como sérios - continuam a repetir que o PT foi o grande vitorioso das recentes eleições municipais, quando tal afirmação contraria a evidência mais elementar dos números e da realidade eleitoral (leia abaixo Eleições 2008: dogma virtual).

Há certas distorções, inverdades, silêncios, contradições que surpreendem, sobretudo em órgãos que se pretendem imparciais.

Histeria
O mais gritante exemplo, nos últimos tempos, é a verdadeira histeria pró-Obama que tomou conta da mídia, quase no seu todo.

Uma histeria tão desproporcionada que parece encerrar em si alguma coisa não revelada. Afinal qual a razão de tanta torcida?

A histeria tem sido de tal monta que, há pouco, obrigou o vetusto "O Estado de S. Paulo" a um vexame jornalístico.

Um titular na primeira página anunciava a derrota de Sarah Palin no debate dos candidatos a vice. No dia seguinte um novo título, na primeira página, afirmando que Sarah Palin tinha ido muito bem no debate. Uma reviravolta.

Fiquei com a sensação de um título (o primeiro) produzido de antemão, antes da própria realização do debate.

Mudança: um slogan mágico
Agora um novo fato, pela contradição que encerra, é característico desse histerismo da mídia.

A frenética campanha pró-Obama tem insistido muito em que o candidato democrata é o homem da "mudança". Uma "mudança" que nem ele, nem ninguém define muito bem, mas que se tornou quase um slogan mágico.

Obama traria a renovação aos Estados Unidos. Seria a resposta às tão "desastrosas" políticas do Presidente Bush, com alvo preferencial na guerra do Iraque que, contra toda a evidência, a mídia continua a qualificar como perdida.

Apoio de Colin Powell
O Senador do Illinois, Barack Obama, acaba de receber o apoio de Colin Powell, ex-Secretário de Estado e uma das mais importantes figuras do primeiro governo Bush. O candidato democrata já promete um lugar no seu governo ao novo adesista.

O general Colin Powell, foi exatamente uma das bête-noire da guerra do Iraque (que Obama condenou), o homem que na ONU defendeu a invasão do país, com base em dados de inteligência que comprovariam a existência de armas de destruição em massa.

Curiosa a "mudança" que Obama promete. Recebe, como decisivo, o apoio de uma das figuras de proa do governo que ele critica e de um artífices do lance de política externa que ele mais atacou.

Curiosa também a "mudança" da mídia.

Colin Powell, atacado outrora sem piedade, passou agora a ser o "general que dirigiu com glória a primeira guerra do Golfo", "um militar laureado", "um influente político conservador" (até conservador passa a ser bonito!).

O que diria a mídia se Colin Powell tivesse dado seu apoio a John McCain?

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