segunda-feira, 12 de setembro de 2011

11 de setembro: never forget!

11 de setembro: never forget!



Em Nova York, a manhã de 11 de setembro de 2001 parecia ser apenas o início de mais um dia, numa das mais importantes, ou na mais importante cidade do mundo.

Em pouco tempo a surpresa e o terror atingiram Manhattan, por assim dizer o coração da nação norte-americana. As cenas dos aviões, pilotados por terroristas suicidas islâmicos, jogados contra o World Trade Center, ultrapassavam qualquer imaginação e mais pareciam cena de alguma ficção de Hollywood.

A realidade superara a ficção. Os atentados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center visaram prédios simbólicos do poderio e do estilo de vida norte-americano e, por conseqüência, do mundo ocidental. Não se tratou de um ato de terror gratuito ou impensado.

Para além de espalhar, desde logo, o pânico, os atentados constituíram uma declaração de guerra (não principalmente bélica), que se revestiu de uma dimensão simbólica e pretendeu causar profundos efeitos psicológicos nos norte-americanos e nos ocidentais em geral.

Em poucas horas o cenário no “ground zero” era de uma destruição – sem exageros – apocalíptica. Destruição captada na impressionante foto que ilustra este post, tirada por Greg Semendinger, da New York City Police Aviation Unit. A história contemporânea dera uma guinada que marcou toda esta década.

Uma guerra para conquistar nossas almas
O que se evolava dos escombros das Torres Gêmeas, além das colunas ameaçadoras de fumaça, dos gritos lancinantes de dor, do silêncio acabrunhador da morte? Definiu-o, naqueles dias, a pena, totalmente insuspeita, da jornalista Oriana Fallacci, uma “laica sem tabus”, como ela mesma se definiu.

Num escrito, que qualificou de um grito para “tentar abrir os olhos de quem não quer ver, desentupir os ouvidos de quem não quer escutar, obrigar a pensar quem não o quer fazer”, a correspondente de guerra – que cobriu quase todos os importantes conflitos do nosso tempo –, invectivava muitos míopes no Ocidente que não queriam entender a guerra religiosa que procurava destruir nossa cultura, nossa arte, nossa ciência, nossa moral, nossos valores:

“Uma guerra a que eles chamam Jihad, Guerra Santa. Uma guerra que talvez (talvez?) não vise a conquista do nosso território, mas que certamente pretende conquistar as nossas almas. O desaparecimento da nossa liberdade e da nossa civilização. O aniquilamento do nosso modo de viver e de morrer. Do nosso modo de orar e de não orar, de estudar ou de não estudar, de beber ou de não beber, de vestir ou de não vestir...” (cfr. A Raiva e o Orgulho, Difel, Lisboa, 2002).

Totalitarismo islâmico e revolução anti-cristã
Mas, afinal, o que inspira o terrorismo islâmico e as correntes político-religiosas que o patrocinam?

Por que motivo tantos grupos da esquerda ocidental – inclusive da “esquerda católica” – não disfarçam sua simpatia por estas correntes e, embora não ousem apoiar abertamente suas criminosas ações, buscam sempre alguma razão que as tornem "compreensíveis"?

O que move tantos jornalistas “engajados” a considerar com aversão a chamada guerra ao terror (omitindo ou minorando qualquer êxito da mesma) e a realçar (com um mal disfarçado comprazimento) qualquer sucesso destas organizações do terror contra as tropas norte-americanas ou de outros países ocidentais?

O que une o totalitarismo islâmico e determinadas correntes políticas, ideológicas e religiosas do Ocidente?

Convido os leitores do Radar da Mídia a lerem um ensaio, bem fundamentado, de autoria de Luís Dufaur (um estudioso da matéria), publicado na revista Catolicismo (nov. 2001), sob o título: A verdade sonegada sobre o fundamentalismo islâmico. A leitura nos deixa entrever que o vírus da revolução anticristã ocidental, inoculado no maometanismo, gerou o monstro fundamentalista:

  • Desde os atentados de 11 de setembro, o grande assunto da mídia é o Islã. Suas múltiplas correntes — enormemente subdivididas — são citadas e comparadas. De forma superficial, especula-se sobre as moderadas e as radicais, e se investigam suas complexas rachaduras étnicas e culturais. Sumidades islâmicas, na verdade totalmente desconhecidas, são apresentadas ao Ocidente e os termos árabes são utilizados como se todo mundo os entendesse. Depois desse bombardeio psicológico, o leitor fecha o jornal — ou desliga a TV — com a sensação de não ter recebido uma informação objetiva e clara da realidade.

    Um aspecto capital da temática parece ser meticulosamente ocultado: o que é, na realidade, esse fundamentalismo islâmico? Identifica-se com Maomé e com o Corão? Caso não se identifique, o que é, então?

    De outro lado, por que a esquerda mais ardida no Ocidente, particularmente a chamada esquerda católica, disfarça mal sua simpatia pelos talebans fundamentalistas? Afinal, por detrás das aparências, existe um fundo comum que une a esquerda progressista ao fundamentalismo islâmico?

    Islã: mundo até há pouco desconhecido e pouco significativo para o Ocidente

    O afluxo de petrodólares, que deveria significar um avanço do progresso moderno nos domínios do Islã, parece não ter eliminado essa paralisia. Apenas um punhado de emires, sheiks e sultões esbanja milhões em luxos exibicionistas, em geral de mau gosto e freqüentemente imorais, enquanto a massa das populações — seguindo os ensinamentos do “profeta” — vegeta à sombra do festim dos hiper-ricaços.

    Tornou-se abismal a desproporção entre a organização e a pujança do Ocidente nascido da Civilização Cristã — embora hoje profundamente apodrecido pelo neopaganismo — e a desordem e imobilismo da pesada herança de Maomé. No século XIX, quase todas as terras muçulmanas estavam sob o controle de nações européias, ricas e dinâmicas.

    Se a paralisia não gera movimento, de onde veio esse dinamismo?

    No início do século XX, nesse magma secularmente esclerosado, eclodiu uma tendência nova chamada fundamentalismo. Ela é ativa, agressiva, modernizada nas suas técnicas, muitas vezes terrorista. E, subitamente, passou a ameaçar a ordem mundial ocidental neopaganizada, ex-cristã, “senhora do universo”.

    Diz o adágio popular que “ninguém dá o que não tem”. Como a paralisia não gera o movimento, dinamismo só poderia vir de quem o tivesse. Um rápido giro pelas biografias dos líderes islâmicos fundamentalistas mostra que eles, em sua maioria, formaram-se em universidades do Ocidente ou em equivalentes escolas ocidentalizadas no Oriente. Seus escritos reproduzem as mesmas idéias que corroem as bases cristãs das nossas sociedades ocidentais. É como se o vírus revolucionário ocidental tivesse sido aplicado num caldo de cultura estagnado, produzindo uma infecção explosiva, com características próprias, mas com a mesma origem ocidental.

    O chefe terrorista Bin Laden é um exemplo característico desse processo de laboratório da Revolução. Filho de milionários, foi educado no seletíssimo colégio Le Rosey, na Suíça. Sua juventude foi a de um play-boy do jet-set, em meio a luxos e escândalos nas capitais ocidentais e na Arábia Saudita1. Sim, do jet-set, tão a gosto das esquerdas, até das tupiniquins.

    Hassan el-Turabi, o ideólogo do regime perseguidor dos cristãos do Sudão, diplomou-se em Oxford e na Sorbonne. Ali Benadi e Abasi Madani, líderes fundamentalistas da Argélia, aprenderam suas doutrinas e técnicas subversivas na Europa. Os sequazes imediatos de Bin Laden também provêm de ambientes cultos e abastados. A lista é interminável...

    O Islã, enquanto crença religiosa, está espalhado por uma imensidade de povos que vão desde o Atlântico até a Polinésia. O fatalismo e a sensualidade exacerbada da religião de Maomé lançaram essa parte da humanidade, em larga medida, no miserabilismo mais radical. Até há pouco, o seu multissecular torpor era perturbado apenas por disputas locais.
    O estudioso francês Roger du Pasquier constata: “Os teóricos de maior autoridade no seio dos movimentos integristas e ativistas engajados do mundo muçulmano, apesar de sua recusa formal e superficial do Ocidente, manifestam na realidade uma contaminação de pensamento das concepções ocidentais modernas”. Que concepções? Ele esclarece: “As das forças subversivas que há dois séculos têm provocado tantas revoluções e violências no Ocidente e no Oriente, até na China” 2. Isto é, o socialismo e o comunismo, não em suas fórmulas já fracassadas, mas em versões mais atualizadas, como veremos. Retenha essa idéia, leitor, e verá que ela pode ser a chave para se compreender muitos dos acontecimentos atuais.

    Promotores destacados da Revolução anticristã no Ocidente vêm se tornando islamitas

    Há anos, figuras engajadas na Revolução político-social e cultural que abala os alicerces cristãos do Ocidente vêm passando para o Islã, sem renunciar às suas idéias. Por exemplo, Roger Garaudy, antigo responsável do Partido Comunista Francês para a relação com as religiões, agora prega o islamismo como via superior para atingir as metas utópicas de Marx e Lenine. Cat Stevens, pop-star do rock, também perverteu-se e financia uma ONG islâmica 3. O mesmo fizeram, entre outros, o ecologista Jacques Cousteau, o coreógrafo Maurice Béjart, os cantores Richard e Linda Thompson, o campeão mundial de boxe Cassius Clay, que ingressou nos Black Muslims, movimento filo-marxista liderado por Malcolm X, outro converso muçulmano.

    Primeiras tentativas de inoculação revolucionária no Islã

    Nos séculos da estagnação, houve tentativas de reacender o furor anticristão islâmico. Mas não passaram de casos restritos. Por exemplo, Muhammad Ibn Abdel Wahhab (1703-1787) formou uma confraria radical — o waabismo — que teria ficado desconhecida se, por ocasião da Primeira Guerra Mundial, os seus escassos seguidores não se tivessem aliado à Inglaterra contra a Turquia. Após o conflito, receberam como recompensa o reino da Arábia Saudita.

    Foi no fim do século XIX e no século XX, que cresceu a penetração das idéias revolucionárias ocidentais no mundo muçulmano. Djamal ed-Din Afghani (1839-1897), a partir de Londres, atiçou a insurreição iraniana. Muhammad Abduh (1849-1905), seu continuador, pregou idéias progressistas européias, de tipo anticolonialista. Na Índia, Sayed Ahmad Kahn (1817-1898), que ostentava o título de Sir inglês, criou o centro de pensamento nacionalista muçulmano, do qual saíram os pais do Paquistão (o país dos puros). Um outro Sir inglês, formado em Oxford, Heidelberg e Munique, admirador de Hegel, Nietzche e Bergson, Muhammad Iqbal (1873-1938), foi quem formulou a idéia e o nome do atual Paquistão. Ele elogiava o marxismo e tentou realizar a síntese do socialismo com a doutrina de Maomé. Seu discípulo, Abdul Ala Maududi (1903-1979), fortemente modernista, pregou uma terceira via entre capitalismo e comunismo, sendo considerado o pai do fundamentalismo paquistanês hodierno 4.

    Da noite para o dia: de Marx a Khomeini

    Na famosa revolução de Khomeini, no Irã, iniciada em 1979, numerosos militantes de esquerda tornaram-se fundamentalistas. O intelectual cristão-marxista Gahli Chuckri narra: “Entre os aspectos que ainda estão presentes ante nossos olhos, figura o fato de se ver pensadores conhecidos pelo seu passado marxista transformarem-se, num abrir e fechar de olhos, em islamitas convictos. Sim, pensadores que pertencem — pela sua ata de batismo — ao Cristianismo, transformaram-se, da noite para o dia, em muçulmanos extremistas; pensadores que pertencem, pela cultura, ao Ocidente e ao modernismo, viraram orientalistas fanáticos sem nenhuma formalidade nem restrição!” 5.

    O Partido Comunista Iraniano (Tudeh) aprovou a revolução dos aiatolás: O conteúdo do processo da evolução histórica toma hoje um aspecto religioso. Para os marxistas, é perfeitamente natural. Esta revolução anti-imperialista, antiditatorial e popular foi feita segundo as palavras de ordem do Islã e sob a direção de um chefe religioso célebre no Irã, o ímã Khomeini” 6.

    Voltando de Paris, Khomeini criou a organização terrorista Hezbollah. O discurso de fundação do organismo foi uma paráfrase do satânico brado de Marx e Engels — “Proletários do mundo, uni-vos”: “Até hoje — afirmou — os oprimidos estiveram desunidos, e nada se consegue na desunião. Agora que foi dado um exemplo da eficácia da união dos oprimidos em terra muçulmana, esse modelo deve ser difundido por toda parte. ... e tomar o nome de ‘partido dos oprimidos’, sinônimo de ‘Partido de Deus’, ‘Hezbollah’. Os oprimidos devem reinar sobre a terra, essa é a vontade do Altíssimo, de Alá” 7. Como se vê, é o velho marxismo vestido de muçulmano.

    Bruno Étienne, professor de islamismo na Universidade de Aix-en-Provence, na França, explica a afinidade entre Marx e o fundamentalismo: “A luta de classes, como Engels a tinha previsto, não desemboca na revolução senão quando ela pode se apresentar em termos religiosos; a finalidade do islamismo radical é bem terrena: criar um reino igualitário que derrube a arrogância dos proprietários” 8.

    Desvendando as profundezas do fundamentalismo

    Nada pesou tanto na gênese do fundamentalismo quanto a associação egípcia Fraternidade Muçulmana, ou Irmãos Muçulmanos. Ela foi fundada em 1928 por um modesto professor, Hassan al-Banna (1906-1949). “A ressurreição islâmica que se manifesta hoje no mundo árabe provém direta ou indiretamente da organização dos Irmãos Muçulmanos”, explica um site islâmico americano que publica a sua biografia 9.

    Numa obra-chave, al-Banna ensina que o dever dos Irmãos é “expandir o Islã a todos os recantos do Globo até que não haja mais tumulto nem opressão e que a religião de Alá prevaleça”. E que o slogan deles deve ser: “A morte nas vias de Alá deve ser a nossa mais prezada aspiração” 10.

    Na Fraternidade, sunitas e shiítas se acotovelam e mantêm uma unidade de ação. Em 1989, o regime de Teerã divulgou um opúsculo que acumulava exemplos de concordância e colaboração de sunitas e shiítas radicais, no seio dos Irmãos. Ele reproduz elogios rasgados da Fraternidade a Khomeini e, vice-versa, exalta al-Banna como grande artesão dessa unidade 11.

    Em seus primórdios, a organização inclinou-se pelas idéias nazi-fascistas, nacionalistas, anticapitalistas e antijudaicas, em moda na Europa de então. Tal componente nunca deixou de existir no movimento fundamentalista, em geral sendo acrescido de outros elementos 12.

    Sayyid Qutb — o ‘Gramsci’ do fundamentalismo — faz a releitura revolucionária do Corão

    Ninguém marcou tanto a Fraternidade Muçulmana quanto Sayyid Qutb (1906-1966). Ele representou para o fundamentalismo o que o italiano Gramsci foi para o comunismo. Fez com Maomé o que o pensador peninsular fez com Marx: uma releitura revolucionária.

    Nos Estados Unidos, Qutb conheceu o renascimento pentecostalista protestante, baseado num retorno aos chamados fundamentos. Daí o fato de o termo fundamentalismo ser aplicado ao novo islamismo, embora este jamais o empregue.

    Qutb revestiu de palavreado corânico as utopias revolucionárias ocidentais. É preciso, segundo ele, que o Islã volte à sua essência primeira, aos seus fundamentos. E reformulou tais fundamentos, parafraseando a doutrina anárquica da desalienação (ninguém deve estar submisso a ninguém).

    Em seu livro-base, ensina: “O Islã é uma declaração geral pela libertação do homem no mundo da dominação por parte de seus semelhantes; a recusa completa do poder de toda criatura, sob todas as formas; a recusa de toda situação de dominação por organizações e situações sobre seres humanos, sob qualquer forma que seja. Quando o poder está em mãos de seres humanos, eles personificam o Criador e, em conseqüência, seus semelhantes os aceitam. Agora isto é desconhecer e expropriar o poder de Alá, devendo ser expulsos esses usurpadores. Isto significa a negação do reinado dos seres humanos, para substituí-lo por um reinado divino sobre a Terra” 13.

    Qutb sabia que um reinado direto de Alá sobre os homens não é praticável. Propunha então um regime intermediário, em que uma organização pouco visível conduzisse os povos até a hora em que todo governo cessaria e os homens viveriam em contato direto com Alá. Portanto, uma concepção análoga à da “vanguarda do proletariado” de Lenine.

    As semelhanças entre o progressismo católico e o fundamentalismo islâmico

    Segundo o Corão, Deus revelou-se primeiro a Abraão. Tendo os judeus prevaricado, comunicou-se a Jesus. Os cristãos também falsificaram a revelação divina. Então, Deus manifestou-se a Maomé. O Corão seria a mensagem definitiva insofismável, e Maomé o último dos profetas.

    Qutb explica a “apostasia” dos cristãos seguindo o pensamento do progressismo ocidental. As primeiras comunidades cristãs, segundo ele, teriam tido um contato direto com Deus, sem intermediários, autoridades nem doutrinas racionais. Mas o reconhecimento de autoridades hierárquicas e de um Magistério teológico e pastoral racional trouxe acatástrofe. E acrescenta: “A maior calamidade foi o triunfo histórico do Cristianismo. Isto aconteceu quando o Imperador Romano Constantino abraçou a ‘nova religião’”. Além do mais, segundo Qutb, sucessivos concílios definiram verdades de fé e reforçaram a autoridade pontifícia 14.

    Qutb via defensores da “verdadeira religião” nos heréticos arianos, monofisitas e jacobitas, que foram excomungados pela Igreja. A “apostasia”, de acordo com sua tese, culminou na Idade Média. Qutb se enfurece contra o monaquismo medieval, a obediência e a castidade praticadas pelos monges e frades. “Foram introduzidos no Credo — acrescenta — dogmas abstratos incompreensíveis, inconcebíveis e incríveis, o mais surpreendente dos quais foi o dogma relativo à Eucaristia, contra o qual se revoltaram Martinho Lutero, João Calvino e Zwinglio, lançando as bases do protestantismo”. Ele também execra a Inquisição, que puniu Giordano Bruno com a morte, e Galileo Galilei com censura eclesiástica 15.

    Nas heresias e nas contestações à Igreja Católica, ele vê sinais precursores de um retorno à mensagem primitiva do Cristianismo, que estaria na íntegra no Islã. “A Europa rebelou-se contra o Cristianismo; a Europa rebelou-se contra os arbítrios dos homens de Igreja”, regozija-se ele. Mas a Europa revoltada ficou tão marcada pela Igreja, que dela não se pode esperar a “salvação”. O europeu, segundo ele, em todos os assuntos raciocina logicamente, faz distinções, por influência da pervertida Igreja 16.

    Missão do fundamentalismo: completar a Revolução anticristã

    Essa é uma das chaves para se entender todo o fenômeno do fundamentalismo islâmico. Estamos diante da etapa culminante do processo revolucionário, denunciado e analisado por Plinio Corrêa de Oliveira em Revolução e Contra-Revolução. Qutb reverencia os “princípios da Revolução Francesa e os direitos da liberdade individual, no início da experiência democrática norte-americana”. Porém, lamenta que “esses valores jamais se desenvolveram plenamente e jamais foram realizados por inteiro. Eles são insuficientes para enfrentar as exigências de uma humanidade em evolução”. A salvação, conclui o ideólogo dos Irmãos Muçulmanos, não virá do Ocidente, mas do Islã. Ele completará o que a rebelião contra o Cristianismo não conseguiu fazer 17.

    “Isto exige uma operação de ressurreição [islâmica que] será seguida mais cedo ou mais tarde pela tomada da direção do destino humano no mundo” 18. “O Islã está destinado para todo o gênero humano: seu campo de ação é a Terra, toda a Terra” 19, numa República Islâmica Universal, sob os eflúvios de autoridades religiosas encobertas pelo segredo.

    Erradicar da Terra qualquer vestígio da Cristandade

    Eis a finalidade do “retorno aos fundamentos”: enxotar da Terra o último perfume da Cristandade que ainda paira nos países outrora católicos. Isto é, os últimos reflexos sobrenaturais na ordem temporal, que se contam entre os frutos mais preciosos atraídos à Terra pelos méritos da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

    Qutb expõe uma visão bastante clara do processo revolucionário que, desde a decadência da Idade Média, vem corroendo a Civilização Cristã. Porém, acrescenta-lhe um desenlace trágico que muito poucos entreviram: no final da Revolução anticristã não vigorará um mundo de prazeres e liberdades, no qual a ciência e a técnica eliminariam as doenças e a guerra, mas um espezinhamento sinistro, material e mental, sob o látego do fanatismo fundamentalista islâmico.

    A revolução que ultrapassa o esclerosado comunismo

    Quanto à propriedade privada, o professor Olivier Carré assim resume as máximas de Qutb: “No Islã, o proprietário jamais tem o direito de usar ou de abusar do seu bem. No Islã, a propriedade privada é um meio social a serviço das utilidades comuns” 20.

    Mas, então, como explicar o fato de fundamentalistas islâmicos se declararem anticomunistas? O aiatolá Baqir as-Sadr — apelidado o Khomeini iraquiano, executado em 1980 — resolve a dificuldade. Ele sintetiza a doutrina comunista: “O objetivo inconsciente que o marxismo atribui ao movimento da História consiste na eliminação dos entraves no caminho do desenvolvimento das forças produtivas. Este objetivo alcançar-se-á pela abolição da propriedade privada e pela construção da sociedade comunista”. E, a seguir, introduz a crítica fundamentalista: “Então, a História deter-se-á após essa liberação, e todas as potencialidades e o impulso novo do homem deperecerão”. Para evitar que a evolução pare, explica o aiatolá, é preciso um horizonte novo que empolgue os homens para irem além do comunismo.

    Uma Teologia da Libertação para o mundo islâmico

    Esse horizonte novo tem que ser religioso. Diz as-Sadr: “Pôr Alá como objetivo da marcha evolutiva constitui a única estrutura ideológica que pode oferecer ao movimento humano uma energia inesgotável” 21. Nesta perspectiva, os comunistas clássicos representam um esclerosamento e devem ser eliminados. A tarefa agora será feita por religiosos.

    De quebra, o novo horizonte tem outra utilidade. No mundo muçulmano, a autoridade natural e religiosa dos chefes de clãs, tribos e etnias é levada em grande consideração. Para os revolucionários era impossível destruir esse resto de ordem natural apelando para doutrinas laicas modernas, “porque mais cedo ou mais tarde o movimento novo mostrará a sua verdadeira face de inimigo declarado da Religião. Isso trará um grande desperdício de energias e exporá a obra em curso aos perigos que provêm da maioria dos conservadores do mundo islâmico” 22. Essa tarefa só seria viável sob vestes religiosas. Aliás, mutatis mutandis, o mesmo sucede com o progressismo católico, que, para objetivos análogos aos dos fundamentalistas muçulmanos, lançou mão da Teologia da Libertação.

    Das “Mil e uma noites” às trevas infernais

    O fundamentalismo não visa reacender o mundo das Mil e uma noites, dos tapetes fascinantes, dos míticos emires e sheiks do deserto, dos minaretes esguios e elegantes, das mesquitas douradas, do Taj-Mahal. Esse universo de maravilhas reflete lados positivos desses povos que hoje languescem sob o jugo da falsa religião de Maomé. Pelo contrário, o fundamentalismo visa também extinguir essas potencialidades de alma que poderiam desabrochar em civilizações de fábula, caso se convertessem à única Igreja verdadeira, a Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Ele visa uma terra proletarizada, miserabilista, em contato com os abismos infernais. E para isso, por conveniência, recobre-se de aparências antigas e religiosas.

    Revolução igualitária ocidental inoculada no maometanismo: gerado o monstro fundamentalista

    Roger Garaudy, o ex-dirigente do PC francês que se tornou islâmico, narrou suas conversações com o ditador líbio Muhammad Khadafi, considerado no Ocidente sustentáculo do terrorismo internacional.

    Khadafi ensinou-lhe a “tradução política” do versículo II-136 do Corão: “É uma democracia direta sem delegação de poder e sem alienação. Nada há de se substituir ao povo, nem por meio de partidos nem de parlamentos. Democracia direta através de comitês e congressos populares, que são emanação direta das empresas, das cooperativas agrícolas, das universidades, das aldeias, dos bairros” 23. Em poucas palavras, uma atualização do modelo que os sovietes não realizaram, e que as esquerdas recicladas tentam alcançar sob diversas formas de autogestão.

    Em 1995, Garaudy publicou a obra Rumo a uma guerra de religião? — O debate do século 24, com prefácio do ex-frei e teólogo da libertação, Leonardo Boff. O ex-religioso franciscano elogiava Garaudy como profeta que, com D. Hélder Câmara, teria colocado as bases de uma convergência cristão-marxista anticapitalista. E acrescentava que o fundamentalismo islâmico vive do mesmo fogo libertário da Teologia da Libertação.

    Garaudy anunciou uma “guerra de religião”, não entre a Igreja Católica e o Islã, mas dos revoltados das religiões contra toda forma de autoridade, porque esta seria intrinsecamente cúmplice do capitalismo consumista e hedonista.

    Efetivamente, o fundamentalismo islâmico integra um vasto movimento que ultrapassa os limites do maometanismo histórico. O documentadíssimo Atlas Mundial do Islã Ativista constata que “o renascimento islâmico não é um fenômeno isolado, mas se inscreve num movimento global de recusa do materialismo mercador e midiático, que invade o Planeta há três décadas. Esse movimento tem uma dimensão natural: o da ecologia; e uma religiosa: o retorno ao fundamental” 25.

    O fundamentalismo é objetivamente aliado das forças do caos, que se manifestaram no Fórum Social Mundial realizado em Porto Alegre 26, nas arruaças de Seattle e Gênova 27 e na subversão eclesiástica progressista.

    O fundamentalismo — um fruto do que há de pior no Ocidente — tenta realizar uma síntese com o Alá de Maomé, ao qual se aplicam as palavras da Escritura: “Omnes dii gentium daemonia” (Sl 95-5), (Todos os deuses dos gentios são demônios).

    Essa sinistra convergência lembra a tese de um histórico artigo publicado em Catolicismo, de autoria do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: “Se Oriente e Ocidente se unirem fora da Igreja, só produzirão monstros” 28. O fundamentalismo islâmico e o pavoroso atentado de 11 de setembro constituem uma espantosa confirmação dessa tese.

Alguém se perguntará que utilidade podem ter essas reflexões, dez anos após os ataques às Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York.

Antes de tudo vejo nelas uma utilidade profilática. A superficialidade de espírito de tantos de nossos contemporâneos, agravada pela sucessão trepidante e desordenada dos acontecimentos, tende rapidamente a esquecer aquilo que não deveria ser esquecido. Por este motivo me abalancei a intitular este post de “11 de setembro: never forget”.

O “nunca esquecer” — com que muitos norte-americanos procuram manter viva a memória da investida que sofreram —, me leva à segunda utilidade. Há dez anos foram as Torres Gêmeas o alvo do terrorismo islâmico. Hoje, as mesmas correntes revolucionárias que inspiraram os ataques do 11 de setembro de 2001, tentam seqüestrar a chamada “primavera árabe”. Nas águas turvas do acontecer político, tomam a dianteira e buscam fazer vingar suas ideologias e implantar seus regimes político-religiosos “jihadistas”, desfazendo os sonhos de “democracia” que pareciam embalar as revoluções do Egito, da Tunísia, da Líbia, da Síria, etc.

Aliás, o hábito de esquecer o que não devia ser esquecido, talvez já tenha afastado da memória de muitos a ameaça dirigida por Osama Bin Laden aos regimes árabes que aceitavam a legitimidade das instituições internacionais, por renunciarem “à única e autêntica legitimidade, a legitimidade que vem do Alcorão”: seriam infiéis que não respeitam a mensagem do profeta e estariam fora do Islã. A ameaça, proferida pouco após o atentado às Torres Gêmeas, uma década depois vai se concretizando.

Por estes motivos, 11 de setembro: never forget!

Notas:1. Cfr. “O Globo”, 25-9-2001; “O Estado de S. Paulo”, 30-9-2001.
2. Roger du Pasquier, Le Réveil de l’Islam, Cerf, Paris, col. Bref, p. 34.
3. http://www.catstevens.com/articles/00009/index.html
4. Cfr. du Pasquier, op. cit., pp. 56-64.
5. Ghali Chuckri, “Al Bayadir”, nº 11, 1-2-82, in Al Hoda — Teheran branch, El sunnismo y el shiismo: una querella artificial y una provocación pérfida, Teerã, 1989, p. 34.
6. Ehsan Tabari, Le rôle de la religion dans notre révolution, “La Nouvelle Revue Internationale”, nº 12 (292), dezembro 1982, pp. 88-89.
7. In Atlas mondial de l’islam activiste, La Table Ronde, Paris, 1991, p. 234.
8. Bruno Étienne, L’islamisme radical, Hachette, Paris, 1987, p. 327.
9. http://www.jannah.org/articles/hassan.html.
10. Six tracts of Hasan Al-Banna, International Islamic Federation of Student Organizations, Kuwait, s/d, pp. 16-18.
11. Al Hoda, op. cit.
12. Veja-se por exemplo: Shaykh Abdul Qader Al-Murabit, Para el hombre que viene, Ediciones Ribat, Granada-México-Chicago, 1988. O autor se auto-intitula sheik, mas é um escocês chamado Ian Dallas. Ele fundou em Norwich o Movimento Morabitun, nome de uma histórica confraria místico-guerreira do Norte da África — os almorávidas. Seus membros são, em significativo número, ex-hippies e cultuadores frustrados da droga. No livro, Abdul Qader justifica o III Reich, e julga que não este não obteve a “libertação” total do homem, devido à oposição judaica-capitalista-usurária. Não critica o comunismo pelo seu lado igualitário e nivelador, mas porque teria sido excogitado por judeus. A “libertação” do homem exige, segundo ele, a extinção do consumismo capitalista. E a via para isso, agora, seria o Islã.
13. Sayyid Qutb, Jalons sur la route de l’Islam, International Islamic Federation of Student Organizations, Kuwait, s/d, 293 pp., pp. 96-97.
14. Sayyid Qutb, Il futuro sarà dell’Islam, International Islamic Federation of Student Organizations (Kuwait) / The Holy Coran Publishing House (Beirut), 1980, 42-44.
15. Id. ibid., pp. 51-57.
16. Id. ibid., pp 63-64.
17. Id. ibid., pp. 63-67.
18. Id. ibid., p. 15.
19. Id. ibid., p. 100
20. Olivier Carré, Mystique et politique — Lecture révolutionnaire du Coran par Sayyid Qutb Frère Musulman radical, Les Éditions du Cerf / Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques, Paris, 1984. p. 149.
21. Baqir as-Sadr, sem título, Al-Hoda Teheran branch, Teerã, 1989, pp. 9-10.
22. Baqir as-Sadr, id. ibid., p. 27.
23. Roger Garaudy, Appel aux vivants, Seuil, Paris, 1979, pp. 294-295.
24. Desclée de Brouwer, Paris, 1995.
25. Atlas Mondial de l’Islam Activiste, Institut de Criminologie de Paris — Centre de Recherche sur la Violence Politique, La Table Ronde, Paris, 1991, p. 14.
26. Cfr. Catolicismo, nº 603, março 2001.
27. Cfr. Catolicismo, nº 609, setembro 2001.
28. Cfr. Catolicismo, nº 106, outubro 1959.


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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Dois atos simbólicos: um só legado

Dois atos simbólicos: um só legado



Nesta quadra festiva, que se encerrou com o dia de Reis, muitos se deixam envolver pelo clima de euforia, descontração e até de imprevidência, que normalmente cerca as comemorações da chegada de um novo Ano.

Quando os fogos desenham na noite suas figuras multicoloridas e deslumbrantes, quando as champagnes estouram a anunciar a meia-noite, que nos faz transpor o umbral de um ano novo, somos tentados a esquecer as apreensões que nos cercam e a encarar o futuro com otimismo, por vezes um tanto inconseqüente.

Passados estes momentos, frenéticos mas fugazes, o novo ano salta diante de nós com uma realidade que está longe de ser apenas risonha, em parte herdada do ano que finda. E não me parece salutar ignorar essa realidade, ainda que desagradável.

Gesto simbólico de despedida
Volto-me neste post do Radar da Midia para a análise do derradeiro ato político do ex-presidente Lula e de um gesto simbólico que marcou a posse de Dilma Rousseff, buscando traçar entre eles um elo que me parece inequívoco.

Lula da Silva decidiu marcar sua despedida de oitos anos na Presidência da República com uma medida político-institucional, de forte alcance para o Brasil, tanto no plano interno como no externo, e que considero simbólica: negar a extradição do terrorista italiano, Cesare Battisti (foto - reprodução).

Com este ato simbólico, Lula pretendeu consignar para a História o real significado ideológico de seus dois mandatos de Presidente da República. Deixou-o para o último dia de seu segundo mandato, como alguém que posta uma assinatura ao final de um texto, de forma a chancelá-lo com sua marca inconfundível; mas igualmente para que o governo de sua sucessora, Dilma Rousseff, se iniciasse sob o impacto de tal gesto! Agiu, assim, como o corredor olímpico que passa o facho ao que continuará a corrida, transmitindo-lhe seu legado.

O caso Cesare Battisti
Um histórico, ainda que sumário, do caso Cesare Battisti ajudará a melhor explicitar o significado do gesto e do legado de Lula.

Battisti, de 56 anos, foi condenado à prisão perpétua pela justiça italiana em 1993, acusado de quatro assassinatos cometidos na década de 70, enquanto militava no grupo de extrema-esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), do qual era expoente.

Foragido da Itália, após viver na França e para evitar sua extradição confirmada por Corte daquele país, Battisti viajou para o Brasil, em 2004, quando os “companheiros” do lulo-petismo já tinham sido alçados ao poder.

Entretanto, em cumprimento de mandado da Interpol, Battisti foi preso no Brasil, em 2007. A defesa do italiano alegou que as condenações pelos assassinatos cometidos decorriam de “perseguição política” do Estado italiano e, baseado nessa alegação, o então Ministro da Justiça, Tarso Genro, em janeiro de 2009, concedeu refúgio político a Battisti. O mesmo Tarso Genro que deportara para Cuba, atribiliariamente, os atletas cubanos que tinham pedido refúgio para escapar da ditadura comunista de Fidel Castro.

Ante a onda de protestos gerada pelo refúgio concedido ao terrorista-assassino, Lula logo saiu em defesa do Ministro do PT e de sua decisão.

Lula afronta o STF
Em novembro de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou o refúgio concedido por Tarso Genro, por considerar não existirem elementos para atribuir a Battisti a condição de refugiado político; descartou como infundada a alegação de condenação injusta, e determinou sua extradição.

Os moderados e otimistas de plantão logo se prontificaram a espalhar que Lula, com seu pragmatismo, seu sentido de estadista e respeito pelas instituições, seguiria a determinação do STF e extraditaria Battisti, sem olhar a razões ideológicas.

Mas o ex-presidente encarregou-se de desmentir a versão.

Baseado em questionável parecer da Advocacia Geral da União (AGU), em 31 de dezembro de 2010, derradeiro dia de seu mandato, Lula afrontou o STF, ao acolher as alegações, já rechaçadas por aquela Corte, de que Battisti poderia ser “submetido a atos de perseguição e discriminação” na Itália em razão de sua “opinião política: “O governo brasileiro age na suposição de que o terrorista, condenado por quatro assassinatos em seu país, em julgamentos fundados na lei e com direito a plena defesa e em três instâncias diferentes, fosse ser vítima de perseguição política, como se a Itália fosse uma Coreia do Norte, um Irã, uma Venezuela”, escreve Ricardo Setti em sua coluna (Veja, 01.01.2011).

Erro jurídico clamoroso
De acordo com Francisco Rezek, antigo ministro do STF, antigo juiz da Corte de Haia e ainda ex-chanceler, Lula incorreu num “erro jurídico clamoroso” ao descumprir um acordo internacional: “Ainda que não houvesse tratado [de extradição], o presidente ir contra a decisão do STF seria uma ruptura com nossa tradição diplomática. Mas quando há tratado é uma afronta ao princípio mais básico de direito internacional”.

Para Rezek, a alegação da AGU de que Lula teria a última palavra não é sustentável, pois a palavra final só cabe ao Presidente quando não há um acordo de extradição com o país de origem (cfr. Conceder refúgio a Battisti é ato ilícito, avalia especialista, Veja on line, 01.01.2011).

“Decisão ideológica e irresponsável”
Para o senador Álvaro Dias, vice líder do PSDB no Senado, o presidente passou por cima das Justiças italiana e brasileira, desconsiderando a posição do STF e dos tribunais italianos e colocou em risco as relações diplomáticas com um país amigo: “A Itália decidiu, condenou e o Lula, que não tem o conhecimento do poder judiciário, resolveu absolver. Isso é uma afronta à diplomacia, desrespeitando um dos poderes judiciários mais conceituados do mundo”.

Por sua vez, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, acredita que Lula violou os preceitos que regem a diplomacia: “Essa decisão não ajuda nosso país nem a democracia, é mais uma atitude do ambiente de megalomania e desequilíbrio desse governo, que é pautado por exageros equivocados como o da relação que teve com o Irã”.

Já o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia, afirmou que a decisão de Lula foi “política, pessoal, ideológica e irresponsável” (cfr. Veja on line, Oposição considera decisão de Lula de não extraditar Battisti uma afronta à diplomacia, 31.12.2010).

Itália reage
A decisão de Lula, anunciada por seu Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, foi considerada “inaceitável” pelas autoridades italianas.

O ministro italiano da Defesa, Ignazio La Russa, disse que “se realizou a pior previsão”. Por seu turno o Ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini declarou que Lula terminou da “pior maneira” o seu mandato; e aproveitou para relembrar que Battisti publicou um livro no qual reivindicou e explicou as razões dos homicídios que perpetrou.

Fraude e desonestidade
De imediato a tropa de choque lulo-petista invadiu blogs, redes sociais e fóruns de discussão, para repetir, sem cessar, que as reações oficiais denotavam a indignação do governo “fascista” da Itália (em alusão ao governo de centro-direita de Berlusconi) perante a atitude “soberana” de Lula.

Uma vez mais, a estratégia da fraude e da desonestidade se patenteou. De fato, esse impropério rancoroso é destituído de qualquer fundamento.

Foi a Corte Europeia de Direitos Humanos quem rejeitou os argumentos da defesa de Battisti e chancelou as decisões da Justiça francesa e italiana de que Battisti devia ser extraditado.

Foi o Presidente da Itália, Giorgio Napolitano (qualificado em tempos por Lula como “companheiro” Napolitano) um comunista histórico, aliado de Berlinguer na fórmula do eurocomunismo, quem, de modo mais veemente, se insurgiu contra a atitude cúmplice do ex-presidente brasileiro.

Foram partidos políticos de centro, esquerda e direita, junto a agremiações de estudantes, que realizaram mobilizações em frente à Embaixada do Brasil em Roma e aos consulados brasileiros em outras cidades, como Milão e Nápoles, durante as quais deixaram claro que seu protesto não se voltava contra o Brasil, mas contra Lula da Silva a quem alguns chamavam de “covarde”.

Foi a União Europeia quem passou a articular uma reação diplomática de apoio à Itália, na tentativa de ampliar a pressão sobre o Brasil para que reverta a decisão de não extraditar Cesare Battisti.

Foi o jornal La Repubblica, próximo a ambientes de esquerda, e um dos órgãos de imprensa estrangeira que mais apologia fez de Lula nos últimos anos, quem comentou: “No país do samba, há uma espécie de cumplicidade ideal com todos os Battisti do mundo, com os terroristas, com os justiceiros. Lula deve ter pensado que a Itália é uma republiqueta como a sua. (Ele) acredita que o mundo inteiro é formado por paisecos no limite entre o populismo e a ditadura militar”.

Familiares das vítimas de Battisti insurgem-se
Ignazio La Russa, ministro italiano da Defesa ressaltou que a decisão de Lula da Silva “além de ser injusta e gravemente ofensiva para a Itália, o é sobretudo para a memória das pessoas assassinadas e para a dor dos familiares de todos aqueles que perderam a vida por responsabilidade do assassino Battisti" (cfr. Folha.com 31.12.2010).

Alberto Torregiani foi um desses familiares que se mostrou inconformado com a atitude de Lula. Tinha apenas quinze anos quando seu anseio de se tornar jogador de futebol se desfez. Integrantes do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) invadiram a joalheria da família em Milão e, sem dizerem uma palavra, fuzilaram seu pai e o deixaram paraplégico.

Em entrevista ao site de Veja, Torregiani invectivou: “Lula gosta de dizer que lutou pela democracia do Brasil e que essa era sua finalidade. É de se esperar que uma pessoa que diga isso tenha humanidade e respeito pela civilidade, o que não aconteceu. Eu sou a prova viva de que Battisti é um assassino".

De inconformidade foi também a reação de Maurizio Campagna, irmão do policial Andrea Campagna, assassinado por Cesare Battisti, em abril de 1979: “A França ia extraditá-lo. A Corte Europeia afirmou que não existiam condições para não devolvê-lo à Itália. O Supremo Tribunal Federal do Brasil determinou a extradição. Esta decisão final foi uma vergonha(cfr. Para irmão de vítima, manter Battisti no Brasil é “uma vergonha”, Folha.com, 4.01.2011).

Legitimação de crimes terroristas
De tudo o que até agora foi considerado, não é difícil depreender que só um compromisso ideológico pode explicar a escandalosa atitude de Lula em relação ao terrorista-assassino, Cesare Battisti.

“Embora cercado de pareceres técnicos e rapapés jurídicos, o presidente tomou sua decisão levando em conta somente compromissos políticos e ideológicos com a militância de esquerda que vê em Battisti um “herói”, ignorando olimpicamente as legítimas demandas italianas”, escreveu Marcos Guterman (Estadao.com.br, Battisti já pode voltar ao calçadão de Copacabana, 31.12.2010).

Ao dar guarida a Battisti, sob a alegação de que o julgamento do terrorista e a pena respectiva podem conformar uma “perseguição” política, Lula deu uma vigorosa chancela de liceidade ao terrorismo e aos crimes praticados em nome do mesmo, enquanto negou legitimidade ao ato punitivo de um Estado de Direito. O que de si constitui a profissão ideológica da ilegitimidade do Estado de Direito democrático (a que os marxistas apodam de Estado burguês) e da legitimidade das forças revolucionárias que a ele se opõem. O ato de Lula é, pois, tudo menos ingênuo ou filantrópico.

Cabe ressaltar ainda que o grupo Proletários Armados pelo Comunismo, de Cesare Battisti, nem sequer tinha o pretexto de lutar contra uma ditadura, pois suas ações foram praticadas no âmbito de um regime democrático.

Data escolhida
Também a data em que Lula decidiu anunciar sua decisão de não extraditar Battisti parece calculada.

Não o fez antes das eleições, pois seria altamente prejudicial a sua candidata Dilma Rousseff. Esta, aliás, declarou durante quase toda a campanha eleitoral ser favorável à extradição de Battisti e à decisão do STF. Mais um dos engodos com que Dilma ludibriou o eleitorado, já que agora seus ministros defendem com unhas e dentes a decisão do ex-presidente Lula.

Mas Lula poderia ter negado a extradição pouco tempo após a vitória de Dilma no segundo turno, evitando deste modo que esse ato contaminasse o início do governo de sua sucessora. Entretanto, Lula deixou tal ato para o último dia de seu mandato de forma a marcar o início do governo de sua sucessora e deixar claro que esse legado se prolonga pelo mandato que agora se inicia.

Parece evidente que este calendário foi minuciosamente calculado pelas duas equipes, na transição, uma vez que esta se fez em “casa” (entre petistas).

Lula firma seu legado ideológico
O que Lula quis deixar bem assentado – na linha de outras atitudes assumidas anteriormente – foi seu comprometimento ideológico com a esquerda e até com a esquerda radical.

Lula se encarregou de rasgar diante do mundo a fantasia que tantos se esforçaram em repetir e reproduzir, do homem simples, do operário humilde e ingênuo, amigo dos pobres, cuja singeleza alcançou invejável sucesso, por seu espírito conciliador, moderado, pragmático e avesso a ideologias.

Deixou claro que foi e continua a ser o líder sindical, nascido no berço da “esquerda católica”, inspirada pela Teologia da Libertação, adulador da ditadura comuno-castrista que subsiste em Cuba, e que se mantém como um referencial no sossobro da esquerda mundial, essa mesma ditadura cubana que inspirou por todo o mundo movimentos terroristas marxistas.

Afinal qual o sentido do Foro de São Paulo, criado sob sua inspiração e a de Fidel Castro, quando da queda do Muro de Berlim? A implantação de um projeto socialo-comunista na América do Sul, que compensasse certa esquerda internacional pelas irreparáveis perdas da ruína do mundo comunista por detrás da Cortina de Ferro.

Exaltação do passado terrorista
A esse gesto de despedida de Lula, que se torna também o primeiro ato de repercussão internacional do governo Dilma, se soma um outro gesto, igualmente simbólico, que marcou a tomada de posse da nova Presidente.

“Rousseff honrará seu passado guerrilheiro na sua posse”, afirmava às vésperas da cerimônia o conhecido jornal espanhol El Pais (31.12.2010).

Na posse, como 40º Presidente da República, Dilma Rousseff fez questão de dar lugar de honra a onze amigas, militantes de extrema-esquerda que, inclusive pelas armas, tentaram implantar no Brasil um regime ditatorial de cunho comunista e que com ela partilharam as vicissitudes da prisão.

Muitas delas – destaca ainda o El Pais - não se conheciam quando foram presas e nem todas militavam nos mesmos grupos da extrema esquerda que se dividiam entre as que defendiam a luta armada contra os militares - como a nova presidente Rousseff - e as que preferiam lutar contra os militares de outras formas. Na prisão se tornaram todas amigas e agora se reunem como em um sonho: `Nunca imaginei que alguém da luta armada pudesse um dia ser presidente da República´, afirma Rita Sipahi que atuava na Ação Popular, uma advogada que preside hoje a Comissão de Amnistia do Ministério da Justiça” (El Pais, 31.12.2010).

Antes das eleições tive oportunidade de assinalar aqui que Dilma Rousseff tudo fez para que não se aprofundasse seu passado na luta armada; e que, tanto ela quanto o PT, não haviam dado provas de seu abandono efetivo das ideologias e práticas que levaram grupos de esquerda a enveredar pela luta armada. Dilma jamais se arrependeu publicamente de sua participação nesse tipo de ativismo político.

Ao fazer o convite a suas companheiras de luta desvaneceu as dúvidas que pudessem subsistir, pois exaltou o princípio do terrorismo como meio legítimo para alcançar o poder. A Presidente apenas afirma que o País mudou, acentuando desse modo que as circunstâncias são outras e não justificam, por agora, o uso de métodos de luta que incluam as ações terroristas. Mas a questão é estratégica e não de princípios.

Um legado alarmante

Os dois atos simbólicos, de Lula e de Dilma, meticulosamente planejados no tempo, se somam e pretendem ser reveladores do sentido mais íntimo do projeto de poder lulo-petista. O lulo-petismo – ontem com Lula na Presidência, hoje com Dilma – não renunciou à ideologia de esquerda que inspirou a luta armada, nem renunciou às metas e aos métodos da esquerda, inclusive terrorista. Ao proteger e homenagear os protagonistas da luta armada, afirma que esse passado deve ser exaltado (embora, por conveniências, possa não ser seguido).

O lulo-petismo não acredita no sistema de Democracia representativa. Apenas se serve desse regime e de suas liberdades para alcançar o poder e destruir a própria democracia.

Coincidência: esses dois atos simbólicos se dão precisamente quando o terrorismo de esquerda volta a ressurgir na Europa, e mais concretamente na Grécia e na Itália, com os recentes atentados à bomba a diversas embaixadas.

Outra coincidência: esses dois atos se dão quando o regime de Hugo Chávez vem transformando o território venezuelano em refúgio seguro e campo de treinamento de grupos terroristas como as FARC da Colômbia, a ETA da Espanha, o Hezbollah do Líbano (financiado pelo regime iraniano), o IRA da Irlanda, etc. O mesmo Hugo Chávez que não escondeu seu apoio a Dilma Rousseff.

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Insurreição eleitoral

Insurreição eleitoral




As previsões, as profecias, as certezas dogmáticas enunciadas pelos “especialistas” das mais variadas áreas anunciavam um desfecho inequívoco para a eleição presidencial: a vitória arrasadora de Dilma Rousseff no primeiro turno e o desbaratamento de qualquer tipo de oposição.

Seria o triunfo, a consagração do lulo-petismo, a vitória de um projeto de poder popular contra “tudo o que aí está”, contra as “elites opressoras” que dominaram o Brasil durante 500 anos.

Popularidade fictícia
Lula e sua candidata eram – e continuam a ser – consagrados nas pesquisas. Mas, como já frisei diversas vezes no Radar da Mídia, trata-se de uma ficção, desmentida sempre que é confrontada com a realidade. Neste caso com a realidade das urnas.

Votaram em Dilma 47.651.434 eleitores, de um total de 135.804.433. Ou seja, apenas 35,08% do eleitorado.

Onde estão, pois, os mais de 80% de popularidade de Lula? Ele que de forma escandalosa – e ilegal – transformou a eleição de Dilma Rousseff em seu virtual terceiro mandato, chegando a subir em palanques, sem a presença de sua pupila, pedindo votos para si, ou que nas propagandas no rádio e na televisão afirmou sem pejo: “Quem vota em Dilma, vota em mim”.

“Lula abordou a sua sucessão como uma campanha de reeleição. A Presidência, os Ministérios, as empresas estatais e as centrais sindicais neopelegas foram mobilizadas para assegurar o triunfo da candidata oficial”, escreveu Demétrio Magnoli no jornal O Estado de S. Paulo (Um mito de papel, 28.out.2010).

Não se diga agora que Lula é popular mas não transfere votos, pois todos os “especialistas” afirmavam que Dilma estava sendo carregada nas asas da popularidade de Lula. O bem informado diário espanhol, El Pais, chegou a intitular sua reportagem, poucos dias antes do primeiro turno da eleição: “Rousseff voa para a presidência do Brasil graças ao carisma de Lula”.

Não nos esqueçamos também que boa parte dessa votação da candidata petista foi impulsionada pelos programas sociais como Bolsa Família, já qualificado como o maior programa de compra de votos da história nacional. Os estudos sobre a coincidência das áreas do País beneficiadas pelo programa social do governo Lula e as zonas com maiores índices de votação de Dilma Rousseff, são inequívocos.

Fracasso dos profetas
O malogro dos institutos de pesquisa foi bem analisado por Fernando Mello, em reportagem para a revista Veja (13.out.2010), intitulado O fracasso dos profetas:

“Nos últimos dois meses, todos os institutos que se dedicam a sondar a cabeça do eleitorado apontaram para a mesma direção: a petista Dilma Rousseff seria eleita presidente da República no primeiro turno — e com folga. A certeza alardeada era tal que, até dois dias antes do pleito, a possibilidade de haver um segundo round era tratada como delírio da oposição. Estatísticos metidos a profetas vaticinaram que o tucano José Serra sairia das urnas humilhado com 20 pontos atrás da adversária. (...) Só que, anunciada a contagem final... Ops, que diferença! Nenhum instituto detectou com precisão a vontade dos eleitores. Mesmo o que mais se aproximou do resultado das urnas, o Datafolha, escorregou para além dos limites da “margem de erro”, o campo do equívoco aceitável. O Ibope falhou até mesmo na pesquisa de boca de urna, coisa rara de ver. (...)

“O desempenho dos institutos de opinião neste primeiro turno deixa uma lição. Serve para lembrar que as pesquisas devem ser vistas em sua dimensão devida: são falíveis, quando não manipuláveis. E estão sempre sujeitas àquilo que, na falta de explicação melhor, os institutos agora chamam de imponderável. O imponderável, no caso, é que a cabeça dos brasileiros é melhor do que imaginam os pesquiseiros.

Insurreição eleitoral
Sim, a cabeça dos brasileiros é bem diferente e melhor do que a imaginam o mundo político – sobretudo, certos setores da esquerda - o mundo publicitário e vastos setores do mundo midiático.

Foi por isso que ampla parcela da opinião pública, à margem do mundo político-partidário, impôs uma reviravolta inédita no quadro eleitoral.

A respeito de tal reviravolta, o Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, trineto do Imperador Dom Pedro II, escreveu hoje na Folha de S. Paulo (28.10.2010) o artigo Insurreição eleitoral. Convido-os a ler essa análise original:

  • A reviravolta imposta pelo eleitorado ao mundo político-publicitário, nas eleições presidenciais, é tema que se impõe.

    Não me atenho ao palco eleitoral, onde os figurantes desenrolam seus papéis para convencer o público e arrastá-lo a uma escolha. Chamo a atenção para a larga e vigorosa fatia da opinião pública capaz de reescrever o roteiro do pleito eleitoral.

    A falta de idéias, de princípios e de debates sobre problemas nacionais, marcou a campanha do 1º turno. Prognosticou-o o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao afirmar que o teatro eleitoral se organizava para esconder o que verdadeiramente estava em discussão.

    Coube à revista “Veja” sintetizar graficamente a frustração do público ante tal vácuo, com uma capa em branco, a simbolizar as “grandes propostas para o Brasil feitas na campanha presidencial”.

    A falta de autenticidade somou-se à falta de representatividade dos principais candidatos - todos eles de esquerda – deixando o amplo setor conservador do eleitorado sem legítimo porta-voz.

    O quadro eleitoral, segundo dogmatizavam inúmeros “especialistas”, caminhava para a vitória arrasadora do lulo-petismo, com uma população indiferente a princípios e valores e embaída pelos benefícios de uma situação sócio-econômica favorável.

    O mundo publicitário e político – mais precisamente, preponderantes setores da esquerda – enganou-se com relação ao País. De tanto prestar atenção ao Brasil oficial, acreditou que a Nação se cinge a essa minoria frenética e aparatosa, mas superficial. Ignorou os brasileiros, silenciados nos seus anelos mais autênticos - particularmente nos morais e religiosos - que se moviam e preparavam uma “vingança”.

    À margem das estruturas partidárias e políticas, esse Brasil fez irromper como um géiser, no panorama artificialmente inexpressivo, as preocupações que assombram a maioria silenciosa, pacata e conservadora de nossa população.

    O tema do aborto despontou com ímpeto chamativo. Mas foi a panóplia de metas radicais do PNDH 3 o que maior apreensão causou em vastos setores da sociedade. As ameaças do PNDH3 – cavilosamente adjetivadas de “boataria” – fizeram vislumbrar o gérmen da perseguição religiosa, ao pretenderem subverter os fundamentos cristãos que ainda pautam a sociedade e tutelar sectariamente os indivíduos.

    O mundo político-partidário e as potentes tubas publicitárias tentaram celeremente adaptar-se à realidade a tanto custo abafada. Sinal inequívoco da crescente fraqueza desse Brasil de superfície, que tenta relegar ao anonimato o Brasil autêntico, o qual se quer manter fiel a si mesmo, às suas tradições, ao seu modo de pensar e de viver.

    Assistimos a uma verdadeira insurreição eleitoral. Qualquer que seja o resultado do presente pleito, sirva ela de lição para o grave divórcio que se vai estabelecendo entre o Brasil oficial e o Brasil profundo. Outras surpresas sobrevirão.

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

A candidata desconhecida

A candidata desconhecida


Afinal quem é mesmo Dilma Rousseff?

Atualmente é a candidata de Lula à Presidência da República. Mas o que se sabe dela? O que revela de si mesma, de suas ideias e práticas políticas?

Só hoje, dia 25 de outubro, a menos de uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, Dilma Rousseff apresentou seu programa definitivo (?) de governo. Trata-se de uma terceira versão!

A primeira, registrada no Tribunal Superior Eleitoral, contendo as verdadeiras metas de um eventual governo petista – metas radicais, afins ao “chavismo” imperante em diversos países da América Latina – foi rapidamente retirada para não assustar. Reproduzia as decisões do 4º Congresso do PT, estava assinado por Dilma, mas a candidata afirmou nada ter a ver com o programa e acrescentou que rubrica não é assinatura (!?)

Dupla face
É bom não esquecer que a candidata de Lula tudo faz para esconder seu passado político na época da luta armada (leia Dilma na luta armada). Como apropriadamente ressaltou alguém, a mesma candidata que apoia a abertura dos arquivos do regime militar conseguiu que o Superior Tribunal Militar negasse o acesso a seu processo.

Ora, como já tive oportunidade de afirmar, esses não são atos da vida privada de Dilma, mas atos de sua vida pública, quando – atendendo a suas crenças marxistas – se engajou numa luta para impor ao País uma ditadura comunista.

Este é o estilo Dilma! Negar o afirmado, esconder o passado, tergiversar sobre ideias e princípios, simular convicções. A ocultação e a dupla face são marca registrada.

Omissões estratégicas
O programa da petista, com treze compromissos, coordenado por Marco Aurélio Garcia e apresentado hoje num almoço-reunião com os partidos aliados, omite, por exemplo, o tema da legalização do aborto, devido à forte reação causada pelo mesmo no vasto eleitorado religioso. Apesar da política pró-legalização do aborto continuar a ser uma meta do programa do Partido dos Trabalhadores; e de, em diversas ocasiões, inclusive duas vezes este ano, Dilma ter defendido a descriminalização do aborto enquanto agora afirma ser “pessoalmente” contrária ao mesmo.

Religião, MST, saúde...
Dilma esteve presente no Santuário Nacional de Aparecida, onde assistiu à Missa, exibindo uma proximidade com a religião católica e suas práticas, que em nada condizem com suas posturas e declarações anteriores. Difundiu, além disso, a chamada Carta Aberta ao Povo de Deus, com a qual tentou acalmar os setores religiosos do eleitorado, apreensivos com os desígnios petistas de perseguição religiosa, “casamento” homossexual, legalização da prostituição, discriminalização do aborto, fim do direito de propriedade, etc., consolidados no PNDH 3.

Em junho deste ano, após afirmar não ser cabível usar boné do MST, Dilma envergou o mesmo na convenção do PT em Sergipe (foto – reprodução). Mas agora a candidata simula opor-se às contínuas e graves violações ao direito de propriedade e às leis do país, perpetradas pelo MST. MST que o governo Lula, com a participação de Dilma Rousseff, acobertou, financiou e estimulou de diversos modos, como é público e notório; MST que, como tropa de choque disciplinada, declarou trégua em suas invasões, para não prejudicar a candidatura da petista; MST convidado a participar da elaboração do programa de um possível governo Dilma.

Nem sequer a respeito de sua saúde o comportamento de Dilma Rousseff é “transparente”. Seria fundamental que os eleitores tivessem a esse respeito informações precisas, para fazerem uma escolha abalizada e consciente. Propondo-se a candidata a governar o País durante quatro anos, esse assunto habitualmente de foro privado, passa a ser de interesse público, pelas consequências que pode acarretar para o futuro político da Nação.

Ditos e desditos
Enganar, ludibriar, omitir, como afirmei, parece ser o estilo de Dilma Rousseff. Se eleita, ela será uma incógnita! O que nos espera caso consiga vencer a eleição? Quais suas verdadeiras idéias? Quais seus desígnios para o País? São algumas das questões a ser enfrentadas.

A este propósito a revista Veja (13.out.2010) publicou matéria intitulada “Antes Depois”. Os ditos e desditos de Dilma Rousseff são analisados. A abrir a reportagem, com grande destaque, as declarações contraditórias da petista a respeito da descriminalização do aborto:

- "Acho que tem de haver a descriminalização do aborto. Acho um absurdo que não haja" (4 de outubro de 2007, em entrevista à Folha de S. Paulo);

- "Eu pessoalmente sou contra. Não acredito que haja uma mulher que não considere o aborto uma violência" (29 de setembro de 2010, em pronunciamento realizado ao lado de lideranças cristãs, para conter perda de votos entre o eleitorado religioso).

Quais são, afinal, as suas reais convicções? indaga a reportagem assinada por Leonardo Coutinho, Otávio Cabral e Vinícius Segalla. São trechos desta reportagem que reproduzo aqui para os leitores do Radar da Midia:
  • Passada a ressaca do primeiro turno das eleições presidenciais, o marqueteiro do PT, João Santana, encomendou pesquisas para aferir os motivos que levaram eleitores a abandonar o barco da petista Dilma Rousseff na reta final das eleições. O mais determinante deles, concluiu, foi o peso do voto religioso. Grande parte dos eleitores que trocaram Dilma por outro candidato o fez depois de saber que ela havia se declarado favorável à descriminalização do aborto - uma posição compartilhada por apenas 11% dos brasileiros, segundo a última pesquisa do Datafolha sobre o tema. De acordo com o levantamento, de 2008, 14% da população do país acha que o aborto deveria ser permitido em mais situações, enquanto uma ampla maioria de 68% dos brasileiros se diz contrária a qualquer mudança na lei atual - que prevê punição para a interrupção artificial da gestação nos casos em que ela não foi resultado de estupro ou não põe em risco a vida da mãe. Em relação a essa questão, portanto, o eleitorado brasileiro é claramente conservador. Confrontada com essa realidade, a presidenciável Dilma Rousseff se enrolou. Ou melhor, tentou enrolar o eleitor.

    Há três anos, ela defendeu de forma inequívoca a descriminalização do aborto, uma bandeira petista.
    Reafirmou sua posição em abril de 2009 e, novamente, em maio e agosto deste ano, em documentos e entrevistas a diferentes veículos de comunicação. Durante a campanha eleitoral, porém, Dilma passou a se declarar "pessoalmente contra o aborto". Seu desdito não só se revelou insuficiente para convencer parte do eleitorado cristão, que descarregou votos nos seus adversários José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), como somou à discussão uma questão que há tempos vem rondando a candidata do presidente Lula. Quem é e o que pensa de verdade Dilma Rousseff?

    A ex-ministra já mudou de opinião em relação à sua amiga e sucessora na Casa Civil, Erenice Guerra, acusada de transformar o ministério em um balcão de negócios. Ora Erenice merece sua "inteira confiança", ora é apenas "uma ex-assessora" cujo comportamento não lhe diz respeito. Dilma já mostrou que o que ela diz não se escreve em relação ao MST, à liberdade de imprensa, à relevância das questões ambientais e à condução da política monetária. Como um pêndulo, balança para lá e para cá, sempre ao sabor de conveniências – políticas ou eleitorais. Tal comportamento contribuiu para reforçar as muitas interrogações que pairam sobre ela – e que tiveram origem na forma como se sagrou candidata. Dilma jamais disputou uma eleição. Sua candidatura é fruto de uma decisão solitária de Lula. Embora tenha sido escolhida pelo presidente no início de 2007, foi sempre resguardada do embate político. O dito e o desdito sobre o aborto não contribuíram em nada para diminuir as zonas de sombra que cercam a sua candidatura.

    No Brasil, a questão nunca havia tido impacto numa corrida presidencial, como ocorre desde os anos 70 nos países ricos. Nos Estados Unidos, o tema esteve presente em quase todas as eleições recentes – e continua a ser motivo de discussão. (...) No Brasil, a surpresa não está no fato de o tema ter vindo à tona nestas eleições, e sim no de não ter surgido antes. "As discussões que envolvem valores morais são fundamentais numa eleição. O debate sobre o aborto já deveria ter ocorrido. Estamos atrasados", diz o antropólogo Roberto DaMatta.

    Internamente, o PT discute a descriminalização do aborto desde sua fundação, há trinta anos. Em 2007, a legenda fechou questão em torno da liberação da prática. A posição tornou-se tão consolidada na sigla que, dois anos depois, o PT puniu quem pensava diferente. Sua comissão de ética suspendeu os deputados Luiz Bassuma (BA) e Henrique Afonso (AC) depois que eles reafirmaram sua posição contrária ao aborto. (...)

    Em 18 de agosto, questionada no debate promovido pela associação Folha/UOL se era favorável à legalização do aborto, Dilma Rousself respondeu que "a legislação deveria entrar em equilíbrio com os interesses das mulheres" e afirmou que a prática tem de ser "tratada como um assumo de saúde pública", numa clara indicação de que, se eleita, pretendia estendê-la à rede pública. O PT, orgulhosamente, disseminou a resposta em seu site e no Twitter. (...)

    Na tentativa de acalmar os cristãos, a campanha da petista divulgou uma Carta Aberta ao Povo de Deus. No documento, Dilma transferia ao Congresso a responsabilidade pelas decisões relativas ao aborto. Em vez de apaziguar, o texto atiçou os religiosos, e o debate pegou fogo de uma vez. A internet toi inundada de condenações de líderes religiosos à petista. O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, divulgou uma carta condenando o posicionamento de Dilma e de seu partido e pregando o voto em José Serra. O presidente da Associação de Pastores Evangélicos da Grande Vitória, Enock de Castro, veio a público para dizer que "não aceita os princípios de Dilma". "Os rumos do país podem mudar para pior se o PT ganhar a eleição", disse o padre José Augusto, de Cachoeira Paulista, durante um sermão transmitido pela TV Canção Nova. Lideranças espíritas também se uniram no coro contra o aborto.

    Integrantes [da cúpula do PT cogitaram] até mesmo retirar a descriminalização do aborto do seu programa partidário. Pura manobra eleitoral. Como escreveu a colunista Dora Kramer, do jornal O Estado de S. Paulo, "se o PT pode retirar o tema do aborto do programa aprovado pelo partido porque atrapalha a campanha, com a mesma facilidade pode repor o assunto na agenda quando achar que não há mais obstáculos". De partidos e candidatos, esperam-se, muito mais do que estratégia eleitoral, convicções. Quais são as de Dilma, afinal de contas?
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Dilma na luta armada

Dilma na luta armada


Os laços de inequívoca amizade e companheirismo entre Luiz Inácio Lula da Silva e Mahmoud Ahmadinejad, o líder do regime islamo-fascista do Irã, têm despertado em relação ao Presidente explicáveis desconfianças e fundadas críticas, no Brasil e no Exterior.

Jackson Diehl, jornalista do Washington Post, em artigo intitulado “Lula desprezado pelo Irã”, escreveu no seu blog: “O melhor amigo de tiranos no mundo democrático – o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva – foi mais uma vez humilhado por um de seus clientes. No caso o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, o financiador do terrorismo e negador do Holocausto, que Lula literalmente abraçou”.

Ex-guerrilheira e candidata
Diehl, após discorrer sobre a política externa do governo, encerra seu artigo apontando para a disputa eleitoral brasileira: “O mandato de Lula está chegando ao fim; ele faz uma dura campanha a favor de sua escolhida Dilma Rousseff, uma ex-guerrilheira marxista que com ele compartilha afeição por ditadores anti-americanos”.

O articulista coloca o dedo na ferida! Lula – “o melhor amigo de tiranos” – tenta eleger uma ex-guerrilheira marxista, cúmplice ideológica de ditadores.

O quadro é objetivo e grave. Entretanto, parece estar quase completamente ausente da disputa eleitoral, o que não deixa de causar estranheza.

Época rompe o silêncio
A revista Época prestou, nesse sentido, um bom serviço ao esclarecimento do quadro eleitoral, ao estampar em suas páginas uma reportagem dedicada ao passado que a candidata do PT e de Lula não gosta de mencionar: sua participação em organizações da luta armada.

Algumas vozes exaltadas quiseram ver nessas revelações uma falta de imparcialidade, um jogo baixo ou um ataque à candidata. Não há, a meu ver, qualquer fundamento em tais assertivas.

Essa gritaria, como costuma acontecer, é apaixonada, mas não apresenta razões, nem argumentos. Os fatos revelados pela revista Época não são eventos da vida privada de Dilma Rousseff. São atos da vida pública da candidata, quando na juventude decidiu, atendendo a suas convicções marxistas, empreender uma atuação política para modificar os destinos do País e impor-lhe um regime comunista, atuando em organizações que pregavam e executavam a luta armada.

Como bem precisou há dias o insuspeito Fernando Gabeira, durante a sabatina da Folha/UOL, era a “ditadura do proletariado” e não a democracia a meta desses grupos.

Opções e práticas apenas do passado?
Tais opções e práticas políticas precisam ser minuciosamente conhecidas pelos brasileiros, a fim de que estes possam avaliar, com plena consciência, Dilma Rousseff, uma figura pública que, neste momento, disputa a suprema Chefia da Nação. Inclusive para que tenham capacidade de discernir em que medida tais opções e práticas políticas são ou não apenas coisas do passado.

Num acesso, ao qual não se pode negar considerável dose de populismo, Dilma Rousseff afirmou querer ser a “mãe dos brasileiros”. Ora, os brasileiros têm o direito de não apenas conhecer a candidata à Presidência da República, mas a “mãe” que lhe querem impingir.

Dilma ou Estela, Wanda, Marina...
Convido, pois, os leitores do Radar da Mídia a percorrerem alguns trechos da extensa reportagem da revista Época, intitulada: “Dilma na luta armada”, assinada por Leandro Loyola, Eumano Silva e Leonel Rocha:
  • Em outubro de 1968, o Serviço Nacional de Informações (SNI) produziu um documento de 140 páginas sobre o estado da “guerra revolucionária no país”. Quatro anos após o golpe que instalou a ditadura militar no Brasil, grupos de esquerda promoviam ações armadas contra o regime. O relatório lista assaltos a bancos, atentados e mortes. Em Minas Gerais, o SNI se preocupava com um grupo dissidente da organização chamada Polop (Política Operária). O texto afirma que reuniões do grupo ocorriam em um apartamento na Rua João Pinheiro, 82, em Belo Horizonte, onde vivia Cláudio Galeno Linhares. Entre os militantes aparece Dilma Vana Rousseff Linhares, descrita como “esposa de Cláudio Galeno de Magalhães Linhares (‘Lobato’). É estudante da Faculdade de Ciências Econômicas e seus antecedentes estão sendo levantados”. Dilma e a máquina repressiva da ditadura começavam a se conhecer.

    Durante os cinco anos em que essa máquina funcionou com maior intensidade, de 1967 a 1972, a militante Dilma Vana Rousseff (ou Estela, ou Wanda, ou Luiza, ou Marina, ou Maria Lúcia) viveu mais experiências do que a maioria das pessoas terá em toda a vida. Ela se casou duas vezes, militou em duas organizações clandestinas que defendiam e praticavam a luta armada, mudou de casa frequentemente para fugir da perseguição da polícia e do Exército, esteve em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, adotou cinco nomes falsos, usou documentos falsos, manteve encontros secretos dignos de filmes de espionagem, transportou armas e dinheiro obtido em assaltos, aprendeu a atirar, deu aulas de marxismo, participou de discussões ideológicas trancada por dias a fio em “aparelhos”, foi presa, torturada, processada e encarou 28 meses de cadeia.

    Hoje candidata do PT à Presidência da República, Dilma fala pouco sobre esse período. ÉPOCA pediu, em várias ocasiões nos últimos meses, uma entrevista a Dilma para esclarecer as dúvidas que ainda existem sobre o assunto. Todos os pedidos foram negados. Na última Sexta-feira (13.ago.2010) a assessoria de imprensa da campanha de Dilma enviou uma nota à revista em que diz que “a candidata do PT nunca participou de ação armada”. “Dilma não participou, não foi interrogada sobre o assunto e sequer denunciada por participação em qualquer ação armada, não sendo nem julgada e nem condenada por isso. Dilma foi presa, torturada e condenada a dois anos e um mês de prisão pela Lei de Segurança Nacional, por ‘subversão’, numa época em que fazer oposição aos governos militares era ser ‘subversivo’”, diz a nota.

    A trajetória de Dilma na luta contra a ditadura pode ser conhecida pela leitura de mais de 5 mil páginas de três processos penais conduzidos pelo Superior Tribunal Militar nas décadas de 1960 e 1970. (...).

    Dilma Rousseff foi um desses jovens marxistas que, influenciados pelo sucesso da revolução em Cuba liderada por Fidel Castro nos anos 50, se engajaram em organizações de luta armada
    com a convicção de que derrubariam a ditadura e instaurariam um regime socialista no Brasil. Dilma está entre os sobreviventes da guerra travada entre o regime militar e essas organizações. Filha de um búlgaro e uma brasileira, estudante do tradicional colégio Sion, de Belo Horizonte, a vida de classe média alta de Dilma mudou a partir do casamento com o jornalista Cláudio Galeno Magalhães Linhares, em 1967. “(Dilma) Ingressou nas atividades subversivas em 1967, levada por Galeno Magalhães Linhares, então seu noivo”, afirma um relatório de 1970 da 1ª Auditoria Militar. (...)

    As primeiras menções a Dilma em documentos oficiais a citam como integrante de uma dissidência da Polop. Esse grupo adotou o nome de Organização. Com novas adesões de militantes que abandonaram o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), a Organização se transformou em Colina (Comando de Libertação Nacional). Em seu documento básico, o Colina aderiu às ideias de Régis Debray, autor francês que, inspirado na experiência cubana de Fidel Castro, defendia a propagação de revoluções socialistas a partir de focos guerrilheiros. (...)

    O historiador Jacob Gorender, que esteve preso com Dilma no presídio Tiradentes, em São Paulo, é autor de Combate nas trevas, o mais completo relato da luta armada contra a ditadura militar. Ele afirma que o Colina foi uma das poucas organizações a fazer a “pregação explícita do terrorismo” (...)

    Perseguida, presa e condenada pelos militares há 40 anos, Dilma hoje goza de tratamento especial da Justiça Militar. Recentemente, seu ex-colega Antonio Espinosa foi ao Superior Tribunal Militar (STM), em Brasília. Devido a uma polêmica causada por uma entrevista, ele requereu acesso a seu processo por sua militância na VAR Palmares. Ele e Dilma fazem parte do mesmo processo. Por isso, a peça com milhares de páginas faz centenas de menções a Dilma. Espinosa pediu cópias de cerca de 400 páginas. “Elas vieram com o nome da Dilma coberto por tinta preta”, afirma Espinosa. De acordo com a lei, apenas os próprios réus, ou pessoas com uma procuração assinada por eles, podem ter acesso aos processos no STM. Mas apenas o nome de Dilma, entre os nomes de dezenas de outros militantes, foi ocultado das páginas copiadas a pedido de Espinosa. Recentemente, o processo de Dilma foi separado dos demais dentro do STM. Ele está guardado em um armário específico. Os funcionários têm ordens expressas para não fornecê-lo a ninguém.
A candidata afirma que, desde esta época, o País mudou e que ela mudou com o País. É este precisamente o ponto ao qual os eleitores devem prestar particular atenção. Explico-me.

O PT - partido o que pertence a candidata - e o governo do Presidente Lula - do qual fez parte Dilma Rousseff e do qual promete ser a continuadora – assumem posturas ideológicas e tomam atitudes políticas que suscitam dúvidas sobre seu real apreço e sua adesão convicta ao sistema da democracia representativa, bem como seu pleno abandono das ideologias e práticas que inspiravam as organizações armadas dos anos 60 e 70.

Notas perplexitantes
1. No Foro de S. Paulo - do qual Lula e o PT, juntamente com Fidel Castro, são os fundadores - os vivas e conclamações de apoio à revolução cubana e ao regime comuno-castrista continuam a ser uma constante; esse mesmo Fidel Castro e essa mesma revolução cubana que inspiraram as organizações de luta armada a que pertenceu Dilma Rousseff;

2. Lula nunca escondeu sua admiração pelo ditador Fidel Castro e continua a tratar a tirania comunista com privilégios de grande aliada; recorde-se que Lula se recusou a interceder pelo opositor Orlando Zapata, o qual acabou por morrer no dia em que o presidente brasileiro chegou a Cuba para mais uma confraternização com Fidel e Raul Castro; vilipendiando as dores e sofrimentos dos perseguidos políticos cubanos, Lula ainda os comparou a criminosos comuns;

3. Esse mesmo governo - do qual fez parte Dilma Rousseff - durante oito anos, se recusou a atender os apelos do governo legítimo da Colômbia para que incluísse as FARC no rol das organizações terroristas, por rechaçar qualificar de terroristas movimentos considerados de “resistência” ou de “libertação nacional” que podem assumir o poder; ainda há dias tal recusa foi reiterada, pela boca de Marco Aurélio Garcia (um dos coordenadores da campanha eleitoral de Dilma), em resposta aos pedidos formulados pelo novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, em visita ao País;

4. Já se tornaram proverbiais a amizade política e a conivência ideológica do mentor-mór da candidatura de Dilma Rousseff, o Presidente Lula, com Hugo Chávez e seu processo socialista “bolivariano”; Lula considera um “excesso de democracia” as prisões arbitrárias, as perseguições políticas, o cerceamento violento de órgãos da imprensa, o desrespeito a contratos e a violação da propriedade privada levadas a cabo pelo caudilho venezuelano; mais ainda, sempre que Hugo Chávez foi acusado internacionalmente, com provas inequívocas, de acolher e acobertar grupos terroristas (FARC da Colômbia, ETA da Espanha, Hezbollah do Líbano) Lula saiu prontamente em defesa do companheiro;

5. A crescente proximidade e cumplicidade do governo do Presidente Lula – de quem Dilma Rousseff garante ser a continuadora - com Mahmoud Ahmadinejad, o tirânico presidente do regime islamo-fascista do Irã, financiador oficial de grupos terroristas internacionais, é mais um dado a colocar na balança;

6. Esse mesmo governo a que pertenceu Dilma Rousseff tem sido leniente, quando não cúmplice, dos ditos “movimentos sociais”, em particular do MST, cuja atuação é pautada pela violação da Constituição, da legislação vigente, com a prática de crimes graves contra a propriedade e até contra pessoas, com roubos, sequestros e até mortes; movimento sem existência legal definida, largamente beneficiado por fundos públicos;

7. Este mesmo governo lulo-petista e este mesmo partido (o PT) – seguindo o velho esquema marxista, por cuja implantação pugnavam as organizações da luta armada a que pertenceu a candidata Dilma Rousseff - aparelharam o Estado, colocando várias instituições ao serviço de seus interesses ideológicos, inclusive para perseguir adversários políticos, com crimes contra a Constituição, como no caso da recente violação de sigilos fiscais.

Mudança real ou cosmética?
Todas estas notas, sumárias e apenas exemplificativas, são de molde a suscitar uma interrogação, a quem deseje ponderar com um mínimo de objetividade e honestidade o presente quadro político-eleitoral:

O país mudou, sim; mas terá mudado a candidata? Ou a mudança terá sido apenas cosmética, como as inúmeras transformações físicas a que se submeteu Dilma Rousseff para dar uma face aceitável a sua candidatura?

Cabe ao eleitor refletir e decidir.

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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Xamanismo e cocaína

Xamanismo e cocaína



Convido os leitores do blog Radar da Mídia a se deterem um pouco na foto que ilustra este post.

Evo Morales, presidente da Bolívia, participa de cerimônia xamanista na qual um “sábio”, Valentín Mejillones, entrega um bastão de mando ao líder cocaleiro e coloca sobre sua cabeça um chapéu inca de quatro bicos, empossando-o como guia espiritual da nação.

Curiosa esta posse como “guia espiritual da nação” de um Presidente da República de um Estado laico. Os laicistas de plantão, é claro, silenciaram. Mas as curiosidades não param por aqui.

Prisão do xamã e assessor de Morales
O xamã Mejillones alardeia a capacidade de prever o futuro das pessoas, observando como as folhas de coca caem sobre uma manta colorida.

Foi em nome de semelhantes “práticas ancestrais” ligadas à folha de coca que Evo Morales, um líder cocaleiro, se elegeu em 2005, defendendo a expansão do cultivo da mesma para mascar, preparar chás e fabricar remédios e cosméticos.

Entretanto, as curiosidades (para designá-las de modo ameno) ainda não se encerram aqui.

Os meios de comunicação esta semana anunciaram a prisão do xamã Valentín Mejillones, um dos mais importantes assessores do presidente Evo Morales, por posse de 350 kg de cocaína líquida que seria transformada em pasta de coca (cerca de 240 kg) e alimentaria o tráfico.

É claro que Mejillones adotou a tática do “eu não sabia de nada” e “fui enganado”, tão conhecida dos brasileiros. Mas as coisas ficaram muito difíceis para ele e sua prisão foi efetivada.

A prisão de Valentín Mejillones levanta o véu sobre o conjunto do projeto das esquerdas para a Bolívia e, mais largamente, para a América Latina.

Intervencionismo brasileiro na Bolívia
Evo Morales, em 2003, foi um dos principais líderes das agitações de rua promovidas pelos “movimentos sociais” (apoiados externamente por Chávez) contra o Presidente Sánchez de Lozada. Este acabou por ser forçado a renunciar.

A mão intervencionista do Presidente Lula não foi alheia a esse fato. Lula enviou seu assessor Marco Aurélio Garcia (agente do Foro de S. Paulo), para “convencer” Sánchez de Lozada a abandonar a presidência, acenando com um banho de sangue para o país caso ele resistisse. Aliás, foi Marco Aurélio Garcia quem anunciou a renúncia do presidente.

Assumiu então o poder Carlos Mesa, vice-presidente, mas a partir de janeiro de 2005 novas agitações promovidas pelos “movimentos sociais” tomaram conta da Bolívia levando à renúncia de Mesa, em junho.

No final do ano de 2005, Evo Morales, líder cocaleiro e líder do Movimiento al socialismo (MAS) ganhava as eleições.

Eleição de Morales, um "sonho"
Lula jamais fez qualquer censura à desestabilização das instituições promovida por Evo Morales. E, mais ainda, declarou ser um “sonho” a possibilidade de Morales vir a ser presidente do país vizinho.

Após a posse do líder cocaleiro, no programa Café com o Presidente (23.jan.2006) Lula se disse feliz “porque a América Latina está dando uma demonstração de avanço”; e afirmou estar interessado “em contribuir, em ajudar para que a experiência da eleição do Evo Morales seja uma experiência rica, seja uma experiência exitosa”.

De fato, o que o Presidente brasileiro mais tem feito, junto com sua diplomacia “companheira”, é colaborar ativamente com a “experiência exitosa” de Evo Morales, mesmo quando isso implicou na grave violação de direitos do Brasil pelo aliado ideológico.

No dia 1º de maio de 2006, Evo Morales determinou que elementos do Exército ocupassem dependências da Petrobrás e ali anunciou o decreto supremo que determinava a “nacionalização da exploração do gás e do petróleo no país”. Para espanto de muitos, o Presidente Lula considerou a violência perpetrada pelo governo boliviano como um legítimo ato de soberania.

O choque provocado no País pela agressão aos interesses nacionais perpetrada por Evo Morales e pela subserviência de Lula, foram consideradas por Marco Aurélio Garcia “um discurso conservador e preconceituoso”!

Estes fatos seriam já de si suficientemente reveladores de qual o “sonho” que, para o lulo-petismo, constituía a ascensão ao poder de Evo Morales; no fundo, a reedição do socialo-comunismo, numa “integração” latino-americana, o famoso “socialismo do século XXI”.

O incentivo ao tráfico de drogas
Mas um outro aspecto, sumamente grave, se relaciona mais diretamente com o tema deste post.

Um dos grandes temores em relação à nova realidade política na Bolívia era a de que Evo Morales passasse a incentivar o plantio da coca, não apenas para seus usos “tradicionais”, mas para alimentar o tráfico de drogas.

Os temores se tornaram realidade. E hoje está claro que faz parte da “experiência exitosa” de Evo Morales, a transformação da Bolívia em grande produtor de cocaína e fomentador do narcotráfico. O Brasil é grande vítima desse “êxito”.

Após a eleição de Evo Morales, a Bolívia passou a produzir pó de cocaína, com a colaboração dos cartéis colombianos; a produção de cocaína e pasta de coca cresceu 41% e a quantidade de cocaína que entra no Brasil pela fronteira com a Bolívia aumentou 200%.

Na nova Constituição boliviana a coca é qualificada como um "recurso natural renovável da biodiversidade da Bolívia e fator de coesão social".

As ações de combate ao narcotráfico foram sendo paulatinamente extintas pelo governo de Evo Morales. Acabou com a política de incentivos a agricultores para substituir suas plantações de coca por plantações de café, cacau, banana e melão; e a agência antidrogas americana (DEA) foi expulsa do país em 2008.

Apoio de Lula ao projeto "cocaleiro"
A essa política não foi também alheia a diplomacia lulo-petista e, muito acentuadamente, o Presidente Lula.

O governo brasileiro deu apoio imediato à expulsão da agência norte-americana de combate às drogas.

No ano de 2009, no reduto político de Evo Morales e importante produtor de coca, Lula, sob o pretexto de assinatura de atos entre os dois países, transformou o evento em um comício a favor da reeleição do boliviano, num descarado gesto de intervencionismo.

Com um colar de folhas de coca ao pescoço, e protegido por centenas de cocaleiros armados com bastões, Lula anunciou um empréstimo de 332 milhões de dólares do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o trecho de uma rodovia na principal zona cocaleira da Bolívia, que só facilitará o escoamento da cocaína para o Brasil.

Lula faz que não vê...
À vista deste quadro, a prisão do xamã e assessor de Evo Morales, ganha relevo. Não se trata de um evento fortuito. Convido, pois, aos que acompanham o Radar da Mídia a ler a reportagem de Veja (4.ago.2010), intitulada O traficante que coroou Evo:
  • O aimará boliviano Valentín Mejillones é considerado um sábio, um “amauta”. Dos oito irmãos da sua família, diz a lenda, foi o único que nasceu de pé. Em 2006 e em janeiro passado, em cerimônias realizadas nas ruínas da extinta civilização de Tiwanaku, foi ele quem empossou o presidente boliviano, Evo Morales, como guia espiritual da nação. Em nome dos indígenas do país, entregou um bastão de mando ao líder cocaleiro e colocou sobre sua cabeça um chapéu inca de quatro bicos. Entre as aptidões do sacerdote está prever o futuro das pessoas, observando como as folhas de coca caem sobre uma manta colorida. Tudo muito exótico, mas Mejillones ganhava dinheiro mesmo era com a comercialização da cocaína extraída da planta. Na semana passada, a polícia boliviana encontrou 350 quilos de cocaína líquida em sua casa em El Alto, vizinha à capital La Paz. O xamã, o seu filho e um casal colombiano foram presos. O material seria transformado em 240 quilos de pasta de coca e poderia ser vendido em São Paulo por 3 milhões de reais. Mejillones, segundo a polícia, exercia a função de vigilante. Ficava à espreita e avisava os demais toda vez que a polícia se aproximava.

    A prisão de Mejillones, um dos principais conselheiros de Evo Morales, foi um acidente inconveniente para o governo. Os vizinhos estavam incomodados com um cheiro forte de produtos químicos que saía da casa e reclamaram à polícia. Evo Morales foi eleito em 2005 defendendo a expansão do cultivo de folha de coca para preparar chás, mascar e produzir cosméticos e remédios. Esse discurso encobre uma realidade perversa. O mais recente relatório da Organização das Nações Unidas sobre a Bolívia, publicado no mês passado, estima que 64% da produção de folha de coca seja para o narcotráfico. Na região do Chapare, onde Morales foi reeleito em junho para a presidência das seis federações de cocaleiros, mais de 93% das folhas são transformadas em crack ou cocaína. Pressionado pela oposição por causa do crescimento da violência no país, Morales passou a dizer neste ano que ignorava o poder dos traficantes. Mejillones, ao ser preso, também usou a estratégia do não-sei-de-nada. "Fui enganado. Disseram-me que pretendiam fabricar comprimidos de ervas e pomadas", explicou ele, referindo-se ao casal colombiano encontrado em sua casa.

    Não é a primeira vez que pessoas próximas a Morales são flagradas com drogas.
    Em 2008, suas amigas Elba e Juana Teran foram pegas com 147 quilos de cocaína, 20.000 dólares e um punhado de jóias na cidade de San Isidro. Elas são irmãs de Margarita Terãn, uma dirigente cocaleira do partido Movimento ao Socialismo (MAS), de Evo Morales. Duas estatísticas aparentemente díspares comprovam a ascensão do narcotráfico na Bolívia. A primeira: a área coberta por plantações de coca já é a maior dos últimos dez anos. A segunda: o preço das máquinas de lavar no país aumentou 50% nos últimos seis meses. O eletrodoméstico é usado para secar e transformar em pasta-base a cocaína liquida. Como o produto é muito ácido, o equipamento dura apenas uma semana. Por isso, na Bolívia, quando a demanda pelas lavadoras dispara, é sinal de que os laboratórios de cocaína estão expandindo sua produção.

    O presidente Lula faz que não vê a conivência de Evo Morales com o narcotráfico, cujo impacto na sociedade brasileira é evidente, da mesma forma que não deu importância às denúncias do governo colombiano sobre a transformação da Venezuela em refúgio das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)
    . Na quarta-feira passada, Lula definiu a crise entre Venezuela e Colômbia como "conflito verbal" e, há duas semanas, disse que "as Farc são um problema da Colômbia". O presidente colombiano Álvaro Uribe, às vésperas de deixar o cargo, emitiu uma nota afirmando que Lula ignora "a ameaça que representa para a Colômbia e o continente a presença dos terroristas das Farc na Venezuela". Como demonstram os escândalos cocaleiros na Bolívia, há muitos outros fatos sendo ignorados pelo governo brasileiro na região.

Xamanismo e cocaína, duas faces de um projeto
O mínimo que se pode dizer é que a diplomacia lulo-petista tem sido complacente com Evo Morales e seu processo político, que inclui entre outras coisas o incentivo à plantação de coca e, como se vê, ao narcotráfico, e o ressurgir de uma estranha espiritualidade xamânica, promovida por um Estado oficialmente laico.

Não é difícil compreender o “sonho” que Lula acalentava quando aludia à possibilidade de Evo Morales vir a ser presidente da Bolívia.

O ressurgimento das práticas xamânicas, e de velhas práticas e costumes indígenas (que incluem castigos físicos públicos, como chibatadas), bem como a proliferação da plantação e tráfico de cocaína são duas facetas entrelaçadas do projeto do “socialismo do século XXI” para a América Latina. Projeto que nada mais é do que a ressurreição do velho cadáver das ideologias comuno-socialistas (com roupagens autóctones).

Premunir-se contra as tentativas de implantar no Brasil projetos semelhantes é uma necessidade. Ou seja, impedir que aqui se instale o “chavismo cordial” de que falou recentemente o insuspeito Arnaldo Jabor.

Encerro este meu post com transcrição das palavras de Evo Morales, em que este parafraseia o slogan dos Fóruns Sociais Mundiais ("Outro mundo é possível"), palavras que bem sintetizam os ideais radicais tão bafejados por ele, Chávez, Correa, Lula, Ortega, Lugo etc.:

“Quero dizer-lhes: assim como se brada permanentemente ‘outro mundo é possível’, também quero dizer-lhes que outra fé, outra religião, outra Igreja também são possíveis" (discurso no Fórum Social Mundial, janeiro de 2009, Belém do Pará).

Para bom entendedor...

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