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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O Eixo Cuba-Venezuela e a omissão de Obama

O Eixo Cuba-Venezuela e a omissão de Obama


Recentemente o mundo foi surpreendido pela notícia de que as relações entre os Estados Unidos e Cuba entrariam num progressivo degelo até chegarem a uma normalização completa, ou quase completa. Fruto, em boa medida, de um trabalho de bastidores com o incentivo da diplomacia Vaticana, inspirada pelo Papa Francisco.

Distorção da realidade
Mal a notícia veio a público, a artilharia publicitária progressista desatou-se por esse mundo afora, em noticiários, comentários e análises.

Curiosamente, considerável parte dessas matérias tomava o fato da anunciada reaproximação como se uma injustiça de décadas tivesse cessado. A ditadura castrista era poupada, bem como suas perseguições políticas e religiosas; e se votava um rancor aos Estados Unidos e a sua política de embargo, como se fossem eles os responsáveis pela situação de miséria, decadência e opressão a que o castro-comunismo reduziu a antiga pérola das Antilhas.

Estranhava, além disso, não se mencionar, como cláusula de tal reaproximação, a desmontagem do regime ditatorial dos irmãos Castro e a instauração de um Estado de Direito na ilha-prisão, com o devido respeito às liberdades individuais, a retomada do direito de propriedade, a liberdade de professar e pregar a religião cristã.

Tudo – de passagem seja dito – muito surpreendente, se se leva em consideração a interferência decisiva da diplomacia vaticana para tal aproximação e o subsequente silêncio de Roma a propósito desses temas capitais.

Enfim, somando e subtraindo, toda a operação diplomática e midiática mais parecia o estender de mão a um regime moribundo, para salvá-lo do soçobro.

Aliança Venezuela Cuba
Como é público e notório, durante os anos em que governou a Venezuela, o caudilho Hugo Chávez estreitou, para além de todos os limites, os laços com a ditadura castrista. Hoje são os cubanos que controlam serviços essenciais do Estado venezuelano, além de terem uma posição determinante nas Forças Armadas do País e nas forças policiais e repressivas.

Ora é estarrecedor que, na reaproximação com Cuba, o governo de Obama não tenha exigido a retirada da abusiva influência e interferência cubana na Venezuela.

Neste momento a narco-ditadura comandada por Nicolás Maduro parte para uma repressão sem precedentes contra os opositores, com prisões arbitrárias até de políticos eleitos e execuções sumárias de estudantes.

E o que faz Obama?

Convido-os a ler a perspicaz análise publicada por Héctor E. Schamis, no jornal espanhol El Pais (22.fev.2015), sob o título “Estados Unidos, Cuba y Venezuela”.

Héctor Schamis, argentino de nascimento, Ph.D. em ciência política na Universidade de Columbia, é professor no Centro de Estudos Latino-americanos e no programa “Democracy & Governance” da Universidade de Georgetown.

O texto de seu artigo é revelador, embora suscite algumas ponderações que farei ao final:

  • "Agora foi a vez de Antonio Ledezma – como antes fora a de Leopoldo López – outro peso-pesado, prefeito de Caracas e novo preso político. Cada preso faz parte precisamente dos despojos das muitas guerras que trava o regime, reféns para a negociação final. Isso não se refere apenas à oposição. Também não se trata dos inimigos dentro do próprio chavismo, como Maduro e Cabello. Em última instância as negociações para valer serão com os Estados Unidos e com Cuba. Quanto mais cedo, melhor.

    Pode-se estar indignado com Maduro e com o regime. Mas um pouco dessa indignação, ou pelo menos bastante perplexidade, deveria estar dirigida ao governo de Barack Obama, o qual novamente chega atrasado a uma crise. Por vezes tem-se a impressão de que o Departamento de Estado toma conhecimento das notícias como nós, através dos jornais. Especialmente quando você lêem os tweets de altos funcionários circulando ao mesmo tempo que os nossos, que os de seus colegas, amigos e parentes, e dizendo basicamente o mesmo. A horizontalidade das redes sociais é fantástica, mas não é a maneira mais eficaz de fazer política externa.

    Isto porque é difícil acreditar que a Venezuela não faça parte da longa lista de temas que os Estados Unidos negociam com Cuba. Custa a entender que, uma vez removido o grande obstáculo para a relação dos Estados Unidos com a América Latina – Cuba e o embargo – Obama não use esta importante injeção de capital político – leia-se, legitimidade e credibilidade – para ter uma maior, e não menor, influência na região. Num plano mais abrangente, isso poderia desbloquear essa fatídica paralisia venezuelana. Mas mesmo num plano menor, poderia ter poupado a provação a Antonio Ledezma e à sua família.

    Se Obama não se deu conta disso, e se sua gente no Departamento de Estado se esqueceu de incluir a Venezuela nas negociações com Cuba, ainda estão a tempo. A boa notícia é que Cuba é um Estado a sério, como nenhum outro na América Latina. Negociar com os cubanos é previsível, porque eles têm uma quota suficiente de centralização da autoridade e controle territorial para cumprir seus compromissos. Se não os cumprem é porque não querem, ao contrário do resto da América Latina, onde não há capacidade estatal para tornar efetivo qualquer acordo.

    Cuba quer remessas, turismo e Golden Card da American Express. Será que é tão difícil incluir o desmantelamento da inteligência Bolivariana – que Cuba controla – nessa negociação? Com o subsídio venezuelano chegando ao fim, Cuba precisa de energia e petróleo. Com o boom petrolífero dos Estados Unidos, é impossível negociar a libertação dos presos políticos? Cuba necessita conectividade sem a qual, aliás, não haverá American Express. Não ocorreu a ninguém em Washington que a desarticulação da força de choque, esses camisas vermelhas que só os cubanos podem controlar, poderia ser o preço dessa tecnologia? Além disso se tranquilizaria a oficialidade venezuelana, perturbado pela influência cubana e pela proliferação de forças irregulares.

    E assim, com muitos outros temas. É evidente que esta será uma negociação a três. No fim das contas a oposição venezuelana acabaria competindo com a própria dissidência cubana numa mesa onde os Castro vão taxar muito alto quaisquer de suas concessões. Os democratas cubanos e venezuelanos deveriam coordenar essa negociação. A próxima cimeira do Panamá seria um lugar e um momento adequados. Vale a pena lembrar que esta última crise se precipita depois, e sublinhe-se depois, de iniciadas as negociações entre os Estados Unidos e Cuba. O soft power americano talvez nunca tenha estado tão alto na região.

    Maduro sabe que está perdido, mas se antecipa e adia seu fim inevitável. Frequentemente, é desprezado pela sua falta de preparação e por sua capacidade peculiar para agredir a língua espanhola. No entanto, ele é um ator com um bom senso de estratégia. Seus movimentos quase sempre prolongam suas perspectivas de tempo, parece entender bem a lógica do gambito. Não haverá vitória do regime, sem dúvida, e uma derrota honrosa não está no DNA do chavismo. Neste momento, só os Estados Unidos e Cuba podem terminar com este jogo perverso.

    E têm que se apressar."

Se, como bem aponta o articulista, Cuba é um Estado a sério e, pela centralização do poder (leia-se despotismo) pode garantir qualquer negociação, não as cumprindo se não querem, é impossível acreditar que a presente onda de repressão na Venezuela, iniciada após as negociações com os Estados Unidos, não seja controlada ao milímetro pelo regime dos Castros.

Os sequestros de opositores, a prisão arbitrária de políticos de oposição eleitos, como Antonio Ledezma, as execuções sumárias de estudantes têm a mão da inteligência e da máquina repressora venezuelano-cubana. Como confiar, pois, na honestidade da disposição destes regimes? Estas negociações são uma porta aberta para o fim destes regimes socialo-comunistas tirânicos ou podem se tornar um esteio para o seu prolongamento no tempo? Perguntas para o Departamento de Estado e a diplomacia vaticana.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Acobertamento de ditaduras

Acobertamento de ditaduras
Já se tornou recorrente a observação – partida de diplomatas, de especialistas em relações internacionais, de analistas políticos, etc. – de que a diplomacia brasileira, no governo Lula, se tornou refém de interesses ideológicos e deixou de ter como fim primordial a defesa dos interesses nacionais. O que, inclusive, tem acarretado ao Brasil vergonhosas derrotas no campo internacional.

Os fatos estão aí e não é o momento de relembrá-los. Cabe apenas rememorar que já ao iniciar-se o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os responsáveis de sua política externa apontaram que, ideologicamente, se encontraria nela a “chave” interpretativa do governo petista. A realidade, infelizmente, comprovou a precisão de tal anúncio.

No âmbito interno, devido a condicionantes políticas e diferentes tipos de resistência da sociedade, Lula teve a imperiosa necessidade de adaptar e abrandar a agenda que sempre foi a do PT. O caso mais característico se deu na política econômica.

Tem sido precisamente em diversos aspectos da política externa, marcados pelo mais impúdico radicalismo, que tem transparecido o verdadeiro caráter ideológico do governo.

Lula recebido na ONU com protestos

Um dos traços mais vergonhosos da diplomacia lulo-petista é a contínua conivência ou cumplicidade com governos ditatoriais. Posição sempre justificada por subterfúgios como “multilateralismo”, “diálogo”, “convívio com as diferenças” e outras pérolas do que tenho qualificado neste blog de cinismo político-ideológico.

Lula esteve há dias em Genebra para discursar, pela primeira vez, no Conselho de Direitos Humanos da ONU e aí tentar explicar a inexplicável política de acobertamento de ditadores.

O presidente foi recebido com duros protestos de ativistas dos Direitos Humanos. ONGs do mundo inteiro – como as insuspeitas Anistia Internacional e Human Rights Watch – acusam a atual diplomacia brasileira de abandonar as vítimas de violações de Direitos Humanos e de apoiar regimes ditatoriais.

As acusações vão mais fundo. Tais organizações afirmam ainda que o Brasil tenta com sua política inviabilizar a eficácia do fórum da ONU, bloqueando investigações internacionais e evitando condenações de regimes como o norte coreano, que mantém execuções sumárias e campos de concentração.

888 Leia também Brasil poupa ditadura norte-coreana

“O Brasil está politizando o fórum e negligenciando as vítimas de violações de direitos humanos”, disse o diretor jurídico da Conectas, Oscar Vilhena (cfr. O Estado de S. Paulo, 15.jun.2009)

Pelo menos 35 ONGs endereçaram cartas ao conselho da ONU e ao governo brasileiro, pedindo uma mudança de rumos em tal política, e a própria ONU criticou o comportamento da diplomacia brasileira.

Ladaínha de justificativas

A diplomacia brasileira tenta justificar-se, afirmando que é sempre necessário dar uma chance aos regimes ditatoriais.

Chance? Há décadas que a Coréia do Norte e Cuba violam brutalmente os chamados Direitos Humanos. No que consistiria a “chance”? Em poderem prosseguir suas violações?

Mas o Itamaraty, pela boca do Chanceler Celso Amorim, acrescenta que quer impedir que o Conselho se torne uma espécie de tribunal para condenar nações mais frágeis.

As ditaduras se tornaram, pois, na visão da diplomacia “companheira”, “nações frágeis” que têm de ser protegidas. Deu para entender? O Brasil não protege as vítimas das ditaduras, mas protege as ditaduras, “nações frágeis”.

Mas a ladainha de justificativas não termina por aqui. O Ministro Paulo Vanucchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República afirmou à imprensa que o Brasil defende a negociação, o diálogo e a “necessidade de conviver com as diferenças de posições”.

Ou seja, acobertar tiranias traduz-se no manual político-ideológico do lulo petismo por “conviver com as diferenças de posições”.

Por fim, o assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, declarou a O Estado de S. Paulo (15.jun.2009): “Há restrições ao fato de o Brasil não ter assumido uma posição de ficar distribuindo certificados de bom comportamento ou de mau comportamento pelo mundo afora”.

É claro que este cândido princípio de isenção só tem validade quando se trata de defender grupos terroristas ou ditadores ideologicamente sintonizados com os princípios do lulo-petismo, ou, pelo menos, politicamente alinhados com seus escusos interesses.

Quando se trata de combater o governo de Álvaro Uribe pelos golpes assestados às FARC, ou o governo de Israel quando se defende dos ataques desferidos pelos grupos terroristas do Hamas ou do Hezbollah, toda esta postura de “abstenção”, de “diálogo”, de “convívio com as diferenças”, desparece num piscar de olhos, e é o próprio Sr. Marco Aurélio Garcia quem se incumbe de distribuir seus certificados internacionais de mau comportamento.

De acordo com a Folha de S. Paulo (16.jun.2009), em seu discurso no conselho da ONU, Lula tentou defender a criticada atuação do Brasil: “Este conselho deve buscar no diálogo, e não na imposição, o caminho para fazer avançar a causa dos direitos humanos”.

Após o discurso do Presidente, os grupos civis voltaram a criticar o governo e a afirmar que consideram a visão brasileira moralmente duvidosa. “O apoio do Brasil a países que violam os direitos humanos tem prejudicado a eficácia do conselho”, afirmou a diretora da ONG Human Rights Watch em Genebra.

Começa a desfazer-se o equívoco

Durante muito tempo se repetiram internacionalmente certos chavões (mais parecem mantras!) a respeito do governo Lula e de sua orientação político-ideológica. Tais chavões insistiam, contra a evidência dos fatos, em que o presidente mantinha uma linha de moderação e que seu radicalismo ideológico tinha desaparecido.

Talvez os mais recentes acontecimentos, como o padrão de comportamento no Conselho de Direitos Humanos da ONU, a aproximação ao regime da Coréia do Norte, o convite dirigido ao Presidente do Irã, Ahmadinejad, para visitar o Brasil, o refúgio ao terrorista Battisti, vão ajudando a desfazer um equívoco fundamental, alimentado por certa displicência otimista, ou mesmo por má-fé.

“A política externa de Lula cheira mal”

Surgem pelo mundo vozes que começam a alertar para a vergonhosa e perigosa política externa do governo Lula.

É o caso do importante analista de assuntos latino-americanos, Andrés Oppenheimer, que publicou no Miami Herald (21.jun.2009) o artigo intitulado: O Brasil merece críticas por sua horrível política externa.

  • O Brasil, o maior país da América Latina, recebeu nestes anos elogios bem merecidos por suas políticas econômicas responsáveis. Mas está sob fogo, de modo crescente, por seu vergonhoso apoio a ditaduras ao redor do mundo.

    É difícil existir um ditador – ou um governo repressor – de que o Brasil não goste, afirmam os grupos de defesa dos direitos humanos.

    Na semana passada, quando o Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva se dirigiu ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, foi saudado com um coro de reclamações sobre sua política externa pela Anistia Internacional, pela Human Rights Watch e outros dos principais grupos de defesa dos direitos humanos.

    “O apoio do Brasil a governos autoritários está minando o desempenho do Conselho de Direitos Humanos,” declarou a 15 de junho Julie de Rivero, diretora de advocacia do Human Rights Watch.

    O presidente Lula está levando sua política de não se envolver em contendas com outros países muito longe, dizem os críticos.

    No ano passado, depois que o Presidente venezuelano Hugo Chávez fechou a maior estação de televisão independente de seu país, a RCTV, Lula declarou à revista alemã der Spiegel que “Chávez é sem dúvida o melhor presidente da Venezuela nos últimos 100 anos.”

    De modo semelhante, após se encontrar com o semi-aposentado ditador Fidel Castro durante uma visita a Cuba em janeiro de 2008, Lula afirmou esperar que Castro logo retornasse para assumir seu “papel histórico,” e louvou sua “incrível lucidez”.

    Mais recentemente, os votos do Brasil no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas têm se alinhado mais freqüentemente com países totalitários do que com as democracias de centro-esquerda da América Latina, como Argentina, Uruguai e o Chile. Alguns exemplos recentes:

    - Em maio, o Brasil se absteve em uma votação de resolução patrocinada por Cuba que visava fazer com que o Conselho parasse de monitorar as violações de direitos humanos no Sri Lanka, onde o mais alto comissário de direitos humanos das Nações Unidas, denunciou a generalização de crimes de guerra. Em comparação, Argentina, Chile, México e a Comunidade Européia votaram pela manutenção do inquérito.

    - Em março, o Brasil se absteve em uma votação similar sobre as Nações Unidas continuarem ou não a monitorar os direitos humanos na Coréia do Norte, onde os supervisores da ONU estavam examinando relatórios sobre execuções e campos de concentração. Em comparação, países europeus, Argentina, Chile e Uruguai votaram a favor do prosseguimento da missão.

    - Também em março, o Brasil se absteve em uma votação proposta pela União Européia para barrar uma proposta africana destinada a debilitar a obtenção de provas pelas Nações Unidas de abusos cometidos na República do Congo. Em comparação, Argentina, Chile, Uruguai e até a esquerdista linha-dura Nicarágua votaram a favor de continuar as sindicâncias.

    - Em fevereiro, durante a revisão da situação de direitos humanos em Cuba, promovida pelo conselho, o Brasil afirmou “dar as boas-vindas”' à “posição construtiva” de Cuba no sistema dos direitos humanos das Nações Unidas e não mencionou os prisioneiros políticos do país, ou a ausência de liberdade de imprensa e de outros direitos fundamentais.

    “O Brasil considera os direitos humanos como um obstáculo para as suas metas estratégicas”, disse-me em uma entrevista telefônica José Miguel Vivanco, Diretor para as Américas do Human Rights Watch,. “O Brasil acredita que seu apoio ao Terceiro Mundo, e às políticas anti-colonialistas deve ter precedência em relação às considerações sobre direitos humanos.”

    Vivanco acrescentou que, na América Latina, “o México é um país modelo quando se considera sua política externa em matéria de direitos humanos, seguido pelo Chile, Argentina e o Uruguai. O Brasil está no outro lado do espectro.”

    Ao ser questionado sobre as crescentes críticas à política externa do Brasil, Marco Aurélio Garcia, conselheiro presidencial de Lula afirmou ao diário O Estado de S. Paulo em 14 de junho: “O Brasil não tem que estar dando certificados de boa conduta ou má conduta pelo mundo”. E acrescentou: “Nós pensamos que é muito mais importante empreender ações positivas que podem mover um país a melhorar sua situação interna do que ações de uma natureza restritiva”.

    Minha opinião: O Brasil – e seu presidente – merece bastante crédito por se ter tornado um modelo de estabilidade econômica, redução de pobreza e de liberdades políticas numa região onde muitos outros países estão retrocedendo em todas essas três frentes.

    Mas a sua política externa cheira mal. O Brasil devia ser fiel a seus compromissos assumidos em tratados internacionais para defender universalmente os direitos humanos e os princípios democráticos, e parar de aplaudir ditadores. Se Lula continuar a fazer vista grossa para abusos de direitos humanos ao redor do mundo, estará abrindo um precedente para que futuros governos suprimam direitos humanos em seu próprio país.

    P.S.: No final da semana passada, talvez como resultado das críticas dos grupos de direitos humanos, no Conselho das Nações Unidas, o Brasil deu um raro voto, no caso do Sudão, junto com países pró direitos humanos. Esperemos que seja o início de uma mudança do Brasil em sua horrível política externa.

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Brasil poupa ditadura norte-coreana

Brasil poupa ditadura norte-coreana
I
mpressionou-me a frase que li, há dias, no El Nacional de Caracas, com a qual um leitor qualificava as atitudes de Chávez na cena internacional: "Soberbo ante o império do norte e genuflexo ante os impérios russo e chinês".

Algo de semelhante se pode dizer de nossa atual diplomacia. As proclamadas atitudes "altivas e pró-ativas", a que tanto gosta de se referir o Chanceler Celso Amorim, envergonham a tradição diplomática brasileira e não escondem seu acentuado viés ideológico.

Subserviência ante aliados ideológicos

Cumplicidade, subserviência, entreguismo e cinismo têm sido, em diversas ocasiões, as marcas da diplomacia "companheira", até em prejuízo dos legítimos interesses nacionais.

As atitudes "altivas e pró-ativas" ante os Estados Unidos, são acompanhadas da subserviência cúmplice com a China e com a Rússia. Ou então com os aliados ideológicos da Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguay, Argentina, entre outros.

Basta recordar a humilhação imposta ao País no caso da invasão militar das instalações da Petrobrás na Bolívia, seguida de confisco de ativos da empresa.

Lula defende o autoritarismo chavista

Lula, que tantos se empenham em apontar como a voz da moderação, tem sido, na verdade, conivente - e, portanto, acobertador - com os desmandos institucionais e as atitudes autoritárias dos "companheiros" Chávez, Evo Morales, Correa, etc.

Ainda há dias o Presidente defendeu o modelo institucional do regime chavista, em entrevista à CNN, alegando seu caráter "democrático".

Isso, quando analistas e políticos, de todo o mundo, apontam a escalada autoritária do venezuelano, com prisões de adversários políticos, desrespeito aos resultados eleitorais, reedição de leis rechaçadas pela população em referendo, esvaziamento do poder de autoridades da oposição, tomada de portos e aeroportos pelas Forças Armadas, criação de milícias civis armadas, tentativas de subjugar a liberdade de imprensa, etc.

Também Marco Aurélio Garcia, assessor especial do Presidente para Assuntos Internacionais, na recente cúpula de Líderes Progressistas, no Chile, defendeu com ênfase o atual populismo na América Latina, citando como exemplo altamente positivo o regime de Chávez.

Cumplicidade com ditaduras

A política externa do Brasil, sob o governo Lula, tem ainda mostrado constrangedoras alianças ou cumplicidades com regimes ditatoriais e até mesmo com o terrorismo.

Na perspectiva da 5ª Reunião da Cúpula das Américas, a ser realizada em Trinidad e Tobago, Celso Amorim afirmou que o grande teste para o Presidente Barack Obama será a relação com Havana.

O Chanceler defendeu o diálogo do governo norte-americano com o regime comunista, "sem condições prévias" (cfr. Folha de S. Paulo, 10.abr.2009). Ou seja, Amorim exige o "diálogo", com a preservação da ditadura castrista.

Fome, tortura e perseguição

Para entender o que a atual diplomacia lulo-petista entende por "multilateralismo" e para que finalidade advoga um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, vale a pena ler a seguinte matéria da Folha de S. Paulo (27.mar.2009), intitulada Brasil poupa regime norte-coreano na ONU:

  • " O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou ontem uma resolução que condena duramente as "graves violações" dos direitos humanos na Coreia do Norte e exorta a ditadura asiática a rever a decisão de barrar as missões de inspeção da organização. O texto foi adotado sem o endosso do Brasil, que se absteve na votação.

    O governo brasileiro vinha sendo pressionado pelo Japão, um dos patrocinadores da resolução, a apoiar o texto. Em gestões feitas em Brasília e Genebra, os japoneses tentavam convencer o Itamaraty de que um voto de abstenção seria uma forma de incentivar os abusos norte-coreanos.

    Não funcionou. O Brasil preferiu evitar o confronto e dar uma chance à Coreia do Norte, mesmo depois da apresentação de um relatório repleto de atrocidades cometidas pelo regime. Fome, tortura e perseguição política fazem a rotina de horror dos norte-coreanos, segundo o documento. Uma tirania onde até vestir jeans, usar a internet ou assistir a novelas da Coreia do Sul pode dar cadeia.

    A votação era uma das mais esperadas da atual sessão do Conselho de Direitos Humanos, que termina hoje em Genebra. A atenção cresceu com a notícia de que o isolado regime norte-coreano prepara o lançamento de um míssil de longo alcance, o que preocupou os vizinhos. O intuito, diz Pyongyang, é pôr um satélite em órbita.

    No final, a resolução foi aprovada com 26 votos a favor, 15 abstenções e 6 contra. O documento "deplora os abusos sistemáticos", como o uso de tortura e campos de trabalho forçado. (...)

    Ao justificar seu voto de abstenção, o Brasil disse que espera que a Coreia do Norte aproveite a "janela de oportunidade" para melhorar sua colaboração com o Conselho. (...)

    O país decidiu "dar uma chance" aos norte-coreanos, disse Farani (embaixadora do Brasil em Genebra), diante da promessa de que colaborarão com os mecanismos do Conselho, entre eles o UPR. "Não estamos passando a mão na cabeça deles. Esperamos respostas."

    Após a votação, o embaixador japonês disse que estava "decepcionado" com a decisão do Itamaraty. "Tivemos intensos contatos com o governo brasileiro, aqui e em Brasília, mas não adiantou", afirmou Sumi Shigeko. Para ele, "não é claro" o motivo da abstenção.

    A decisão do Brasil de não condenar regimes acusados de violações graves, como Sudão, Congo e Coreia do Norte, é alvo de críticas de defensores dos direitos humanos. O Itamaraty alega ser mais produtivo buscar o diálogo do que isolá-los.

    Na mesma sessão, foram votadas cinco resoluções ligadas ao conflito israelo-palestino, algumas com fortes críticas a Israel. O Brasil votou a favor de todas elas, que foram aprovadas por quase unanimidade. "
Evitar o confronto, buscar o diálogo e dar chances, são as consignas da cumplicidade. Sempre a política de "dois pesos e duas medidas", a favor dos aliados ideológicos, até mesmo quando estes mantêm campos de trabalhos forçados.

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

De volta, com novidades!

De volta, com novidades!
Depois de uma longa ausência, estou de volta ao Blog!

Há muito para comentar, pois o Radar da Midia já detectou muitos e bem variados assuntos de interesse: há o caso da brasileira na Suíça, o referendo de Chávez, as dificuldades de Obama, as ajudas de Lula a Cuba, os incêndios na Austrália.

E o blog volta com novidades, como essa aí à direita: notícias breves, publicadas no Twitter.

Ainda que atrasado - e bem atrasado - um feliz 2009 a todos!

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Cuba: prisão ou cassino?

Cuba: prisão ou cassino?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece estar preocupado com o futuro de Cuba. Apesar de dizer que é o povo cubano que deve decidir seu futuro, voltou a manifestar seu desejo intervencionista.

Afirmou que a América do Sul precisa ajudar Cuba, para que a ilha não volte aos tempos em que era "um cassino".

Mais uma pérola do cinismo democrático de Lula, do qual falei no post abaixo (leia Cinismo democrático).

Amante da revolução cubana
É muito discutível que a Cuba de Fulgêncio Batista fosse apenas um cassino. Mas não é isso o que agora interessa. O que importa é uma vez mais a hipocrisia política de Lula.

Para esconder seu mal disfarçado pendor pela ditadura comunista, Lula tergiversa. O que Lula quer é que Cuba se mantenha a Ilha prisão, onde a perseguição política convive com a miséria social e moral.

Seguindo a inspiração de seu mentor espiritual, Frei Betto, Lula quer manter o regime socialista, que durante décadas oprimiu os cubanos e que tudo fez - até a promoção do terrorismo - para impor a outras nações o chamado "paraíso" castrista.

Afinal, Lula se declarou um "amante da revolução cubana".

Falsa alternativa
A alternativa para Cuba não é a prisão ou o cassino, Presidente. Cuba, precisa ser uma nação livre, em que a organização política, social e econômica, volte a respeitar os valores do Ocidente cristão.

Há pouco um leitor do Blog me escreveu e aqui exprimiu sua indignação com as declarações de Lula. Para fazê-lo, decidiu ele transcrever um trecho do Livro Negro do Comunismo, sobre a ditadura cubana imposta por Fidel ao País, durante quase meio-século.

100.000 cubanos em campos de concentração
Decidi puxar esse texto dos comentários para um post. O trecho fala por si. Ainda mais sendo escrito por autores que não negam seus pendores e simpatias pela esquerda e são, por isso, insuspeitos.

O Livro Negro do Comunismo, crimes, terror e repressão foi um sucesso editorial, a nível mundial. Com uma erudição inconteste, ele retrata a realidade estarrecedora de uma das mais sinistras tiranias de todos os séculos.

Vamos, pois, a um texto sobre Cuba:

  • Poucos meses após dominar Havana, Fidel Castro decretou a Reforma Agrária, confiou o Instituto Nacional de Reforma Agrária a marxistas ortodoxos e ordenou a invasão das grandes propriedades agrícolas. Concomitantemente, começaram os massacres de burgueses e opositores.

    Em 1964, os detidos trabalhavam quase nus em assentamentos ou em pedreiras. Como punição, deviam cortar erva com os dentes ou eram jogados em fossas de excrementos. Os guardas aplicavam-lhes pentotal e outras drogas. No hospital de Mazzora, recorriam a eletrochoques ou simulavam execuções. A prisão que deixou reputação mais terrível foi La Cabana. Em Boniato, presídio de alta segurança, reina a violência e crueldade. Certos presos políticos, para afastar os homossexuais, lambuzam-se com excrementos. Em outros cárceres, há jaulas de ferro e as mulheres são entregues ao sadismo dos guardas.

    A repressão atualmente é dirigida pelo Departamento de Segurança do Estado. Participam também as Fuerzas Especiales do Ministério do Interior em colaboração estreita com a Dirección 5 e a Dirección de Seguridad Personal, guarda pretoriana do ditador.

    20% dos cubanos estão exilados, o que representa cerca de 2 dos 11 milhões que constituem a população total. Desde 1959, mais de 100 mil cubanos passaram por campos de concentração ou por prisões, tendo sido fuzilados de 15.000 a 17.000.

Então, Presidente, Cuba não pode voltar a ser um cassino, mas pode permanecer uma Ilha-prisão, onde a opressão política e ideológica é moeda corrente.

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