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terça-feira, 28 de julho de 2015

O espantalho das mudanças climáticas

O espantalho das mudanças climáticas


Nesta época de um omnímodo relativismo religioso, moral, político, social, cultural, etc., certezas científicas tidas como incontestes – quase as chamaria de “dogmas” – têm sido brandidas para justificar a necessidade imperiosa de uma revolução radical na sociedade, nas relações políticas e sócio-econômicas, nas formas culturais e até nos modos de ser e de comportar-se dos indivíduos. Tudo na linha de um crescente estatismo – de uma governança mundial, sugerem alguns – de cunho altamente socialista e nivelador, de um estranho “decrescimento” rumo a uma sociedade eufemisticamente designada como “sóbria” (melhor talvez fosse designá-la de miserabilista).

“Dogmas” espantalhos
Assim como outrora, nas propriedades rurais, os espantalhos eram colocados para afugentar os pássaros que vinham assolar os campos cultivados, esses “dogmas” científicos – como, por exemplo, o “aquecimento global” e sua plêiade de hipotéticas desgraças futuras – se tornam verdadeiros espantalhos a atormentar nossa existência diária e a condicionar nossos comportamentos.

Como muitos de nós não possuímos formação científica suficiente para discernir acertos ou erros de tantas dessas “certezas”, corremos o risco de nos tornarmos joguetes nas mãos de homens e de teorias muito extremadas… e pouco científicas.

Cuidado com os falsos profetas
Por este motivo quis hoje trazer ao conhecimento dos leitores do Radar da Mídia uma matéria estampada no New York Times e reproduzida no caderno de Ciência da Folha de S. Paulo (27.jul.2015). O título é sugestivo: "Relação entre mais calor e doenças não é clara". E o subtítulo completa a ideia: "No que se refere à saúde, ainda não se sabe se aquecimento global de fato é uma ameaça".

Na verdade, o “aquecimento global” antropogênico, ou seja, fruto da ação humana, é muito contestado em meios científicos. Diante de certas evidências incômodas, os “aquecimentistas”, jeitosamente, foram mudando seu discurso para “mudanças climáticas”, o que lhes dá um campo de manobra bem mais amplo, pois tudo em tese justifica suas “certezas”.

A história do mundo regista muitas mudanças climáticas, aliás, inerentes ao ciclo vital do Universo. O problema para os “aquecimentistas” é provar que a ação humana gerou tais mudanças. Para evitar comprovações, agitam eles espantalhos de males futuros (secas, doenças, pragas, mortes, etc.). Entretanto, uma vez mais, pesquisas científicas desmentem seus modelos hipotéticos.

Tenhamos, pois, cuidado com aqueles falsos profetas que, em nome de pretensos “dogmas” científicos, nos tentam impingir mudanças sociais, políticas, culturais e até espirituais.

Vamos, então, à leitura do mencionado artigo:

  • "Mudanças climáticas são uma ameaça à saúde humana?

    A lógica poderia sugerir que a resposta é sim: o presidente dos EUA, Barack Obama, usa isso para conseguir apoio para tornar as mudanças climáticas o ponto central de seus últimos meses de governo.

    Na lista da Casa Branca, os casos de asma vão piorar, as mortes ligadas ao calor aumentarão e o número de insetos transmissores doenças, antes confinadas aos trópicos, também. Mas esses pontos expressam uma certeza que muitos cientistas dizem ser ainda inexistente.

    Climas quentes têm efeito na saúde, mas a temperatura é só parte de um conjunto muito complexo de forças.

    Por exemplo, as viagens pelo globo e o comércio –e não mudanças climáticas– trouxeram os primeiros casos de chikungunya para a Flórida.

    As temperaturas podem estar subindo, mas a quantidade de mortes pelo calor, não. O progresso ajuda na adaptação –o fato de o arcondicionado estar mais comum e os tratamentos para doenças do coração, por exemplo.

    Como afirma Patrick Kinney, diretor do programa de clima e saúde da Universidade Colúmbia, ainda é difícil estabelecer causalidades.

    Um estudo comparando Laredo, no Texas, e uma cidade do outro lado da fronteira do México descobriu que a incidência de dengue era muito maior no México, apesar de os mosquitos que transmitem a doença serem mais abundantes no Texas. No Texas, há ar condicionado e janelas que fecham bem, dizem os pesquisadores.

    No Canadá, o número de áreas com carrapatos subiu de duas para treze desde 1997. Insetos como carrapatos e mosquitos não podem regular sua temperatura corporal, por isso são muito sensíveis às temperaturas. Mas o número de carrapatos tem aumentado mais ao sul também, como na Virgínia e na Carolina do Norte, e isso parece ter pouco a ver com o clima.

    Ben Beard, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, diz que o reflorestamento e o aumento da população de veados e pessoas podem ser mais preponderantes. "Provavelmente não é o clima."

    Mas mesmo falar sobre o calor é complicado. Uma revisão recente da mortalidade por calor nos EUA descobriu que a taxa de mortes relacionadas às altas temperaturas diminuiu para menos da metade dos anos 1987 a 2005.

    Em maio, um estudo do "The Lancet" analisou 74 milhões de mortes de 1985 a 2012 em mais de dez países e descobriu que cerca de 8% das mortes foram causadas por temperaturas anormais. Dessas, a taxa de mortes pelo frio (mais de 7%) é muito maior do que a de calor (0,42%).

    Riscos para a saúde por causa da mudança climática são fundamentalmente locais. Os perigos do calor são maiores em Nova Deli do que em Nova York, não porque é mais quente na Índia, mas porque menos gente tem eletricidade, casas resistentes e cuidados médicos modernos. O que torna difícil tirar conclusões".

quarta-feira, 16 de abril de 2014

As mãos sujas de petróleo

As mãos sujas de petróleo



A primeira foto que encabeça este post é da época em que Luiz Inácio Lula da Silva, embalado pela farsa das grandes descobertas de petróleo do pré-sal, proclamava a autossuficiência do Brasil em matéria petrolífera, usava e abusava do petróleo como arma publicitária e da Petrobras como máquina para a consecução de seu projeto ideológico de poder.

Suas mãos sujas de petróleo – imitando o gesto do populista Getúlio Vargas – tornaram-se um símbolo da imensa teia de corrupção com que o PT envolveu a empresa, outrora tão prestigiada nacional e internacionalmente por sua competência e eficiência tecnológica.

Na foto seguinte, vemos Lula assentar suas mãos sujas de petróleo no dorso de Dilma Rousseff. O gesto significava a passagem de testemunho à candidata que Lula alçaria ao poder; mas também a continuidade do aparelhamento da Petrobras, que o PT iniciara com o primeiro mandato de Lula.

Aparelhamento da Petrobras pelo PT
O País assiste, nestes dias, estupefato, ao desvelar dos esquemas de corrupção que minaram o prestígio e a credibilidade da Petrobras. No início de 2014 a dívida da Petrobrás elevou-se a 300 bilhões de reais, com negócios desastrosos – para dizer apenas isso – como a compra da refinaria de Pasadena, aprovada por Dilma quando presidia o Conselho de Administração da empresa. A autossuficiência em matéria de petróleo revelou-se uma mentira, já que o déficit da conta petróleo em 2013 foi de US$ 20,277 bilhões. Em reportagem, o jornal Financial Times destacou a impressionante queda da Petrobras, que desceu no ranking das maiores empresas do mundo, do 12º para o 120º lugar.

Há onze anos a estrutura da Petrobras está sob controle do partido do governo, o PT. O aparelhamento político da empresa pelo partido e seus aliados de coligação, transformou a Petrobras num instrumento a serviço de um projeto político-ideológico, de conotação socialista e autoritária, lembrando, aliás, muito o modo pelo qual o caudilho Hugo Chávez utilizou a PDVSA (Petróleos de Venezuela S.A.) para o financiamento do seu “socialismo do século XXI”.

Como bem comentou Eliane Cantanhêde, na Folha de S. Paulo (15.abr.2014) “estava demorando, mas um dia ficaria clara uma das heranças malditas de Dilma: Lula tratava estatais e órgãos federais como se fossem dele, do PT e dos aliados” (Quem “fere” as nossas estatais?).

Consórcio criminoso - escândalo explosivo
A Petrobras não apenas financiou projetos do governo petista, mas nela se instalou uma imensa máquina de corrupção, que envolve inexplicados negócios bilionários.

A prisão de Paulo Roberto Costa, ex-executivo mais poderoso da empresa – que dirigiu a área de Abastecimento da Petrobras, o setor perfeito para gerir negócios bilionários – começa a trazer à tona o conteúdo explosivo de um escândalo, com um bilionário esquema de lavagem de dinheiro, que pode deixar o Mensalão para trás.

De acordo com a reportagem da revista Época, assinada por Diego Escosteguy e Marcelo Rocha, Paulo Roberto Costa “era bancado no cargo por um consórcio entre PT, PMDB e PP, com o aval direto do ex-presidente Lula, que o chamava de ´Paulinho´. Paulo Roberto Costa detém muitos dos segredos da República” (Ele não destruiu as provas..., 7.abr.2014).

Segundo as primeiras análises das agendas, planilhas e outros documentos apreendidos com o ex-executivo da Petrobras, “a Polícia Federal descobriu que Paulo Roberto, um doleiro, políticos e prestadores de serviços estão interligados em um consórcio criminoso montado para fraudar contratos na Petrobras, enriquecer seus membros e financiar políticos e partidos” (O objetivo é o caixa dois, Rodrigo Rangel e Hugo Marques, Veja, 16.abr.2014).

Distorções e mentiras
Não é meu objetivo traçar aqui as grandes linhas deste imenso esquema de corrupção.

O que me leva a escrever estas linhas é o impressionante grau de cinismo e o nível de mentiras a que o PT é capaz de submeter o Brasil. Hoje, ao abrir o jornal Folha de S. Paulo, um título choca: Oposição quer destruir Petrobras, diz Dilma. Na cerimônia de entrega dos dois navios petroleiros no porto de Suape (PE), a Presidente afirmou que não assistiria “calada” à campanha negativa contra a Petrobras, classificou as suspeitas como fatos isolados e se disse comprometida a apurar com o máximo rigor as denúncias. A Presidente parece esquecer-se que o governo tenta barrar a todo o custo a CPI da Petrobras; que as denúncias não são contra a Petrobras, mas contra os esquemas corruptos do PT e de seus aliados, enquistados na empresa; e que a Polícia Federal continua a executar dezenas de mandados de prisão.

Uma tal arrogância, um tal desaforo à verdade, fazem recordar as imensas máquinas de propaganda de regimes nazistas ou comunistas, em que a realidade era triturada impiedosamente, à semelhança dos opositores torturados nos campos de concentração.

Rodrigo Constantino escreveu um lúcido artigo no jornal O Globo (15.abr.2014), intitulado A infiltração vermelha na Petrobras, cuja leitura recomendo aos leitores do Radar da Mídia:

  • “A Petrobras, a maior empresa industrial do país, a que detém a maior soma de recursos, a que deveria dispor dos melhores técnicos, encontra-se hoje numa situação lastimável, reduzida à função de órgão atuante na comunização do Brasil. Seus índices técnicos e financeiros são, atualmente, dos mais baixos, e os escândalos se sucedem, sem que o governo se anime a dizer um ‘Basta!’ a esse estado de coisas.

    “O único diretor não comunista, [...] foi demitido por pressão dos sindicatos controlados pelos vermelhos. Era o único técnico na diretoria, seus serviços sempre foram considerados valiosíssimos, mas excomungado pelas forças da subversão, que com ele não contam, teve de dar lugar a outro, julgado mais dócil e cooperativo.

    “A diretoria não se reúne, os processos se acumulam, nada se resolve. Ou melhor, só se resolve aquilo que tem sentido político. Paga-se, por exemplo, rapidamente a divulgação de manifestos do CGT, alugam-se veículos para transportar figurantes em comícios políticos, custeia-se com o dinheiro do povo, a campanha de agitação e subversão.

    “Até quando persistirá tal panorama? Quando será a Nação satisfeita pela verificação de que o governo resolveu tomar uma atitude, expulsando da Petrobras aqueles que a transformaram num instrumento de sovietização do país e entregando a companhia a uma direção de técnicos apolíticos, que possam fazê-la progredir?”

    Quem escreveu isso? Seria Jair Bolsonaro acusando o PT de utilizar a Petrobras como instrumento bolivariano? Seria Olavo de Carvalho com alguma “teoria conspiratória” sobre a infiltração comunista na maior empresa do país?

    Nada disso. Trata-se do editorial do GLOBO, publicado em 7 de setembro de 1963, data adequada por representar o Dia da Pátria (espero que o jornal não se arrependa desse editorial também). Era um grito patriótico contra a infiltração comunista na estatal, sob a conivência do presidente João Goulart.

    Reparem como o Brasil parece andar em círculos. Hoje, a Petrobras continua financiando uma “campanha de agitação e subversão”, ao bancar os invasores do MST, por exemplo. Continua aparelhada politicamente, usada por petistas como propriedade particular. Petrodólares usados para disseminar o marxismo, enquanto o endividamento da empresa se avoluma por incompetência ou corrupção.

    Alguns gostam de repetir, com ar de superioridade, que a Guerra Fria acabou, tentando, com isso, pintar anticomunistas como seres ultrapassados, gente parada no tempo. Há só um detalhe: tem que avisar aos próprios comunistas que a Guerra Fria não só acabou, como foi com a derrota dos comunistas!

    Tem uma turma que ainda não sabe disso. E pior: essa turma está no poder! Basta ver a própria Venezuela, mergulhada em uma tragédia justamente porque insistiu no modelo socialista fracassado. Mas não é só lá. Aqui tem um pessoal bolivariano doido para transformar o Brasil em uma nova Cuba, o sonho (pesadelo) perdido na década de 1960. Se a PDVSA foi útil ao projeto de Chávez, a Petrobras é útil aos planos de perpetuação do PT no poder.

    Como evidência de que os comunistas, infelizmente, ainda não desapareceram da cena política nacional, a deputada Luciana Santos, do PCdoB, encaminhou ao Congresso projeto de lei que cria o Fundo de Desenvolvimento da Mídia Independente. Só mesmo um comunista poderia falar em “mídia independente” criando uma total dependência dos recursos estatais!

    Talvez esteja ficando escancarado demais financiar indiretamente a imprensa chapa-branca com recursos das estatais, e os vermelhos, ligados ao governo do PT, pretendam oficializar logo a criação de seu exército de “jornalistas” sustentados por nossos impostos. Essa coisa de imprensa independente é muito chata, fica expondo os infindáveis escândalos da Petrobras...

    Para concluir, o editorial de 1963 diz: “Deveria o presidente João Goulart iniciar pela Petrobras a purificação de seu governo. Afaste, imediatamente, os diretores comunistas, faça voltar os técnicos, ponha a empresa à margem da política, e a decepção que ele vem causando ao povo brasileiro se transformará em novas esperanças. Ao mesmo tempo dará Sua Excelência à Nação — se assim proceder — uma cabal demonstração de seus propósitos, provando que deseja governar afastado dos extremos, cujo facciosismo tantos males vem causando ao Brasil.”

    O presidente não deu ouvidos. Sabemos como tudo acabou, e não foi nada bom. Resta torcer para que dessa vez seja diferente, pois, como dizia o próprio Marx, a história se repete primeiro como tragédia, e depois como farsa.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Brasil poupa ditadura norte-coreana

Brasil poupa ditadura norte-coreana
I
mpressionou-me a frase que li, há dias, no El Nacional de Caracas, com a qual um leitor qualificava as atitudes de Chávez na cena internacional: "Soberbo ante o império do norte e genuflexo ante os impérios russo e chinês".

Algo de semelhante se pode dizer de nossa atual diplomacia. As proclamadas atitudes "altivas e pró-ativas", a que tanto gosta de se referir o Chanceler Celso Amorim, envergonham a tradição diplomática brasileira e não escondem seu acentuado viés ideológico.

Subserviência ante aliados ideológicos

Cumplicidade, subserviência, entreguismo e cinismo têm sido, em diversas ocasiões, as marcas da diplomacia "companheira", até em prejuízo dos legítimos interesses nacionais.

As atitudes "altivas e pró-ativas" ante os Estados Unidos, são acompanhadas da subserviência cúmplice com a China e com a Rússia. Ou então com os aliados ideológicos da Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguay, Argentina, entre outros.

Basta recordar a humilhação imposta ao País no caso da invasão militar das instalações da Petrobrás na Bolívia, seguida de confisco de ativos da empresa.

Lula defende o autoritarismo chavista

Lula, que tantos se empenham em apontar como a voz da moderação, tem sido, na verdade, conivente - e, portanto, acobertador - com os desmandos institucionais e as atitudes autoritárias dos "companheiros" Chávez, Evo Morales, Correa, etc.

Ainda há dias o Presidente defendeu o modelo institucional do regime chavista, em entrevista à CNN, alegando seu caráter "democrático".

Isso, quando analistas e políticos, de todo o mundo, apontam a escalada autoritária do venezuelano, com prisões de adversários políticos, desrespeito aos resultados eleitorais, reedição de leis rechaçadas pela população em referendo, esvaziamento do poder de autoridades da oposição, tomada de portos e aeroportos pelas Forças Armadas, criação de milícias civis armadas, tentativas de subjugar a liberdade de imprensa, etc.

Também Marco Aurélio Garcia, assessor especial do Presidente para Assuntos Internacionais, na recente cúpula de Líderes Progressistas, no Chile, defendeu com ênfase o atual populismo na América Latina, citando como exemplo altamente positivo o regime de Chávez.

Cumplicidade com ditaduras

A política externa do Brasil, sob o governo Lula, tem ainda mostrado constrangedoras alianças ou cumplicidades com regimes ditatoriais e até mesmo com o terrorismo.

Na perspectiva da 5ª Reunião da Cúpula das Américas, a ser realizada em Trinidad e Tobago, Celso Amorim afirmou que o grande teste para o Presidente Barack Obama será a relação com Havana.

O Chanceler defendeu o diálogo do governo norte-americano com o regime comunista, "sem condições prévias" (cfr. Folha de S. Paulo, 10.abr.2009). Ou seja, Amorim exige o "diálogo", com a preservação da ditadura castrista.

Fome, tortura e perseguição

Para entender o que a atual diplomacia lulo-petista entende por "multilateralismo" e para que finalidade advoga um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, vale a pena ler a seguinte matéria da Folha de S. Paulo (27.mar.2009), intitulada Brasil poupa regime norte-coreano na ONU:

  • " O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou ontem uma resolução que condena duramente as "graves violações" dos direitos humanos na Coreia do Norte e exorta a ditadura asiática a rever a decisão de barrar as missões de inspeção da organização. O texto foi adotado sem o endosso do Brasil, que se absteve na votação.

    O governo brasileiro vinha sendo pressionado pelo Japão, um dos patrocinadores da resolução, a apoiar o texto. Em gestões feitas em Brasília e Genebra, os japoneses tentavam convencer o Itamaraty de que um voto de abstenção seria uma forma de incentivar os abusos norte-coreanos.

    Não funcionou. O Brasil preferiu evitar o confronto e dar uma chance à Coreia do Norte, mesmo depois da apresentação de um relatório repleto de atrocidades cometidas pelo regime. Fome, tortura e perseguição política fazem a rotina de horror dos norte-coreanos, segundo o documento. Uma tirania onde até vestir jeans, usar a internet ou assistir a novelas da Coreia do Sul pode dar cadeia.

    A votação era uma das mais esperadas da atual sessão do Conselho de Direitos Humanos, que termina hoje em Genebra. A atenção cresceu com a notícia de que o isolado regime norte-coreano prepara o lançamento de um míssil de longo alcance, o que preocupou os vizinhos. O intuito, diz Pyongyang, é pôr um satélite em órbita.

    No final, a resolução foi aprovada com 26 votos a favor, 15 abstenções e 6 contra. O documento "deplora os abusos sistemáticos", como o uso de tortura e campos de trabalho forçado. (...)

    Ao justificar seu voto de abstenção, o Brasil disse que espera que a Coreia do Norte aproveite a "janela de oportunidade" para melhorar sua colaboração com o Conselho. (...)

    O país decidiu "dar uma chance" aos norte-coreanos, disse Farani (embaixadora do Brasil em Genebra), diante da promessa de que colaborarão com os mecanismos do Conselho, entre eles o UPR. "Não estamos passando a mão na cabeça deles. Esperamos respostas."

    Após a votação, o embaixador japonês disse que estava "decepcionado" com a decisão do Itamaraty. "Tivemos intensos contatos com o governo brasileiro, aqui e em Brasília, mas não adiantou", afirmou Sumi Shigeko. Para ele, "não é claro" o motivo da abstenção.

    A decisão do Brasil de não condenar regimes acusados de violações graves, como Sudão, Congo e Coreia do Norte, é alvo de críticas de defensores dos direitos humanos. O Itamaraty alega ser mais produtivo buscar o diálogo do que isolá-los.

    Na mesma sessão, foram votadas cinco resoluções ligadas ao conflito israelo-palestino, algumas com fortes críticas a Israel. O Brasil votou a favor de todas elas, que foram aprovadas por quase unanimidade. "
Evitar o confronto, buscar o diálogo e dar chances, são as consignas da cumplicidade. Sempre a política de "dois pesos e duas medidas", a favor dos aliados ideológicos, até mesmo quando estes mantêm campos de trabalhos forçados.

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Eleições municipais: ruiu o "castelo de cartas"

Eleições municipais: ruiu o "castelo de cartas"
O segundo turno das eleições municipais foi a pá de cal no projeto lulo-petista de hegemonia política, com contornos "democráticos".

Não faltarão outras tentativas, mas esta ruiu como um verdadeiro "castelo de cartas", mostrando o quanto as máquinas de propaganda estão desgastadas e a sociedade é avessa às aventuras autoritárias da esquerda.

A meta era transformar as recentes eleições municipais em um plebiscito, que consagrasse a tão proclamada popularidade do Presidente Lula e de seu governo e assegurasse, desde já, a transição de 2010.

Lula se consolidaria como o único político na cena nacional com peso suficiente para indicar um nome viável à sucessão presidencial. Partidos e figuras da oposição sairiam enfraquecidos e minguados da disputa, com dificuldade de ser alternativa ao governismo lulo-petista.

Convido-os a fazer comigo um breve retrospecto.

Popularidade alimentada por pesquisas
Há meses Lula "surfava" numa onda de popularidade, alimentada por pesquisas de opinião cada vez mais desconcertantes.

Os índices de aprovação não paravam de subir e se tornaram acachapantes: Lula beirava os 80% e seu governo 70%. Ao mesmo tempo as pesquisas proclamavam que até os antigos redutos de resistência e oposição a Lula tinham cedido. A própria classe média agora se mostrava favorável ao Presidente e por toda a parte o êxito era incontestável.

Sem qualquer pudor, falou-se até de Lula como o líder político de maior prestígio no mundo.

8 Leia Eleições municipais: dogma virtual

Tais dados de pesquisas, profusamente comentados e repetidos na mídia, além de aceitos como incontestes por muita gente, criavam um efeito psicológico e transmitiam a idéia de que qualquer oposição ao Presidente era inútil e sem futuro. Era necessário conformar-se.

A oposição não encontrava (ou simulava não encontrar) um discurso, mostrando-se e confessando-se desorientada.

Máquina de propaganda regada a petróleo
Simultaneamente, o País era bombardeado regularmente com notícias alvissareiras de achados fabulosos de petróleo.

Planos de exploração do chamado pré-sal, com promessas de aplicação de fundos em educação e saúde, tornaram-se verdadeiras obras-primas de ficção e propaganda política. Com as mãos sujas de óleo, ao estilo de Getúlio, Lula parecia tocar e oferecer uma prosperidade sem limites aos brasileiros.

O Presidente chegou a ser saudado, pelo "companheiro" Chávez, como magnata do petróleo e se aventou a hipótese de o Brasil entrar na OPEP.

Lula aparecia e se proclamava como um predestinado!

A economia ia (ou parecia ir) bem e todos falavam do "momento mágico" que o país atravessava.

Hegemonia endossada pela mídia
Lula reinava isolado na cena política, governando pouco, viajando muito e discursando sem parar. E já tinha carimbado, com sua mão negra de petróleo, a companheira Dilma como sua provável sucessora.

A mídia, quase como um todo, endossava este ambiente psico-político. O clima já era de hegemonia, a ser consagrado nas urnas, de modo devastador e "democrático". Falava-se na "onda vermelha".

A partir de uma vitória eleitoral inequívoca, com um Congresso subserviente e uma oposição desconjuntada, estariam abertas as portas para o aventureirismo político: uma mini Constituinte? Um terceiro mandato? Cada um é livre de fazer suas conjecturas.

O "dogma" da transferência de popularidade
Em face desse quadro de fundo, era necessário jogar todas as fichas - e a máquina do Governo Federal - na presente eleição municipal, para a conquista do maior número de prefeituras, com preferência para os grandes centros urbanos.

Muitos asseveravam que, devido à fraqueza dos partidos e ao carácter personalista da política no Brasil, Lula facilmente transmitiria sua popularidade crescente aos apadrinhados (seus e do governo), antecipando o que aconteceria em 2010.

O Presidente traçou um plano e destacou forças-tarefa de ministros para ativarem a máquina eleitoral, o que foi anunciado até em importantes órgãos de imprensa estrangeiros.

Marta Suplicy, a candidata símbolo
Não é difícil compreender que S. Paulo era, evidentemente, peça-chave nesse jogo. Por isso Lula decidiu envolver-se pessoalmente na disputa.

Tudo indica que a promessa do Presidente a Marta Suplicy foi, no caso de uma vitória assinalada, designá-la como candidata do PT à eleição presidencial em substituição a Dilma Roussef.

A promessa procedia, segundo a lógica simplista do lulo-petismo. O Presidente, com seu prestígio, elegeria Marta prefeita. Depois a designaria candidata à Presidência, transferindo seu imenso potencial de votos e fazendo sua sucessora vitoriosa em 2010.

Pela importância de S. Paulo, pela visibilidade da disputa, pela relevância da candidata petista, pelo empenho pessoal do Presidente, a cidade tornou-se o palco e uma espécie de parábola para o País.

Permitam-me, pois, que analise com um cuidado particular o que se passou na disputa eleitoral pela Prefeitura.

Desconcerto ante o governismo triunfante
Ao ter início a corrida eleitoral já as pesquisas apresentavam Marta Suplicy liderando com uma vantagem folgada.

No campo da oposição instalava-se uma briga intestina, com duas candidaturas que se digladiavam, parecendo perder o rumo e desacreditando essa mesma oposição. Essa discórdia só gerava desconcerto e desânimo na faixa de público que não aderia ao lulo-petismo.

Enquanto só o PT (com o apoio de Lula) parecia prosperar sem problemas, as intenções de voto de Marta cresciam e falava-se até em vitória no primeiro turno. O Presidente dizia acreditar nisso e convocava a militância para "liquidar a fatura" logo.

Lula veio fazer carreatas com a candidata e no ar ficava a sensação da inoperância de todas as forças políticas perante o governismo triunfante.

Como disse, tudo (do governo à oposição) era uma parábola para o País.

Urnas desmentem pesquisas
Chegaram as eleições. Marta mantivera a liderança nas pesquisas do primeiro ao último dia... e na boca de urna. Surpresa! Kassab venceu o primeiro turno.

O desmentido fragoroso das pesquisas tinha igualmente um lado de parábola em relação a Lula. Não seriam também inconsistentes as pesquisas da popularidade de Lula? O que é fato é que as urnas desmentiram essa popularidade. E não só em S. Paulo!

Com resultados bem desfavoráveis por todo o País, era necessário tentar virar o jogo em S. Paulo. Uma vitória de Marta ainda podia dar certo fôlego ao lulo-petismo.

Sai de cena o "paz e amor"
Com o segundo turno, a máquina comandada por Lula, tirou a máscara, e mostrou do que é capaz na briga política. Ou seja, deixou evidente que o lulo-petismo apenas usa o sistema democrático para atentar contra ele e, se possível, eliminá-lo.

O Presidente designou seu secretário-particular, Gilberto Carvalho, para coordenar a campanha de Marta Suplicy. Tinha início a fase dois.

Logo em seguida, dez ministros desembarcaram em S. Paulo para subir no palanque com a candidata. Nos discursos transpareceu todo o rancor autoritário do lulo-petismo.

Para Dilma Roussef, crer na vitória contra o PT, era "prova de soberba, de elitismo e descompromisso com a democracia".

Tarso Genro atacou os tabus conservadores da elite e disse que a candidata era alvo de preconceito.

Luiz Dulci afirmou não ser possível ter uma das maiores metrópoles do mundo na mão de um síndico conservador.

Para Aldo Rebelo, vice de Marta, "São Paulo se transformou no último barco à deriva para os náufragos das forças conservadoras do Brasil".

Carlos Lupi mostrou inconformidade "em ver São Paulo na mão de uma direita disfarçada".

Não sei se percebem que no léxico político do lulo-petismo ser da elite ou ser conservador e de direita é, de si, quase um crime. As forças conservadoras não têm vez na "democracia" do PT.

Veio depois a baixaria da propaganda do horário político. A campanha da petista investiu com insinuações a respeito da vida particular de Kassab. E Marta, em entrevista televisionada, encenou a farsa do "eu não sabia".

O lulo-petismo e seu braço sindical infiltraram e tentaram manipular uma manifestação de policiais civis em greve, instigando um confronto armado com a Polícia Militar, nas proximidades do Palácio do Governador, que esteve a ponto de causar uma tragédia de gravidade incalculável.

Num último extertor de desespero, o lulo-petismo clamou pelo socorro de sua verdadeira força inspiradora: a "esquerda católica". Mais de 100 padres assinaram um documento que deveria ser lido nas paróquias para dar apoio explícito a Marta Suplicy. A manobra foi arquitetada por Gilberto Carvalho (ex-seminarista e elo de ligação do governo com a CNBB) e D. Pedro Luiz Stringhini.

A indignação nos meios católicos foi de tal monta que o bispo auxiliar de S. Paulo teve que recuar e pedir desculpas públicas.

Lula, terminou a campanha ao lado de Marta, com discurso agressivo e populista e envergando uma camisa vermelha ao estilo "chavista".

"O jogo virou de ponta-cabeça"
Os resultados do segundo turno são conhecidos de todos. O desvelar do lado agressivo e esquerdista da candidata de Lula fizeram aumentar o repúdio do eleitorado. A derrota foi massacrante. Ruiu o "castelo de cartas". A parábola, era também a imagem do lulo-petismo em boa parte do País.

Dias antes do segundo turno, na previsão do que aconteceria nas urnas, Raymundo Costa, escreveu no jornal Valor (21.0ut.2008): "Enfim, o jogo que era armado antes da eleição virou de ponta-cabeça e recomeça em outras bases".

E a jornalista Dora Kramer, no jornal O Estado de S. Paulo (24.out.2008), dois dias antes do segundo turno afirmava, em artigo intitulado Quadrilátero da saia-justa:

  • "De cada ângulo que se olhe, essa eleição municipal revela fatos e consolida evidências que derrubam teorias eleitorais recentemente elaboradas a partir de um único dado: a popularidade do presidente Luiz Inácio da Silva.

    A campanha do segundo turno revogou a crença inabalável de políticos e marqueteiros na doutrina "paz e amor" ....

    No primeiro turno as urnas já haviam derrubado o mito do "poste", desmentido assertivas sobre a transferência automática de votos e arquivado a idéia do Palácio do Planalto de transformar o resultado da eleição de prefeitos numa interpretação plebiscitária sobre o governo Lula, com o objetivo de estabelecer desde já as balizas para a armação do jogo da sucessão presidencial em 2010."
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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A ordem partiu do Planalto

A ordem partiu do Planalto
Afirmei, diversas vezes, que o atual escândalo da espionagem ilegal - levada a cabo, em conluio, pela PF e pela Abin - é mais grave do que o Watergate, que derrubou o Presidente Nixon.

Afirmei e repito, pois, no Watergate, a espionagem voltou-se contra o Partido Democrata, o que de si é grave.

Mas, no presente caso, a espionagem ilegal se voltou contra o Presidente do STF, diversos outros ministros da Corte Suprema e contra dezenas de senadores e deputados. Ou seja, contra autoridades constituídas. Além de se ter voltado contra jornalistas.


Lá, como aqui, houve obstrução às investigações para apurar o delito.

A comparação com o Watergate poderia ser tachada de um pouco sensacionalista, mas ela se consolida a cada dia, pois à medida que avançam as investigações ruem todas as versões oficiais sobre as ações clandestinas de escuta e monitoramento de autoridades.

"Podemos suspeitar que a PF tenha sido usada com objetivo político pelo governo", afirmou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), uma das autoridades espionadas.

Presidente do Supremo espionado
A desembargadora Suzana Camargo, vice-presidente do Tribunal Regional da 3ª Região, em São Paulo, confirmou aos investigadores que o Juiz De Sanctis lhe disse que recebia informes do que se passava no gabinete do presidente do STF.

Portanto, além de ter seus telefones grampeados, o ministro Gilmar Mendes foi monitorado pela espionagem oficial.

Saberia o juiz De Sanctis dos métodos empregados? É pública e notória sua proximidade com o delegado Protógenes Queiroz, responsável da Operação Satiagraha.

Mais de 50 agentes
Lembram-se que Tarso Genro teceu louvores à Abin e afirmou que ela não era um antro de espiões? Lembram-se também da afirmação de que, se houve algo de errado, se deveria a um ex-integrante do SNI, que nem sequer estaria mais ligado à Abin? (leia abaixo Nos subterrâneos do poder lulista).

Bem, as mais recentes informações do inquérito que investiga o grampo ilegal da conversa do presidente do STF, Gilmar Mendes, com o senador Demóstenes Torres, constatam que o número de agentes da Abin que trabalhou, de modo "informal", na Opearação Satiagraha é superior a 56.

Esses agentes, além de monitorarem os investigados, manusearam transcrições de grampos e, com base nos mesmos, elaboraram relatórios secretos.

Investigação dos investigados
O presidente Lula, para manter a "transparência", decidiu afastar a direção da Abin. Mas esta "caiu para dentro" e hoje dá expediente no Planalto, no Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), o órgão a quem está subordinada a Agência.

Mais curioso ainda, os diretores afastados participam das reuniões sobre a sindicância em curso na GSI, para apurar o caso dos grampos. Ou seja, os investigados participam da investigação. Transparência!

Uma ordem emanada do Presidente
Mas, afinal, indagará alguém, no caso do Watergate a responsabilidade do presidente Nixon ficou comprovada. Entretanto, no presente caso nada se sabe a respeito da responsabilidade do presidente Lula.

Volto a repetir que, se Lula de nada sabia, é gravíssima sua responsabilidade, já que órgãos de Estado, submetidos a sua autoridade, se acham no direito de violar abertamente a lei e espionar altas autoridades do país.

Entretanto, as responsabilidades diretas começam a despontar.

Segundo a Folha de S. Paulo (1.out.2008), em declarações ao Ministério Público, o delegado Protógenes Queiroz, afirmou que "a investigação que culminou na Operação Satiagraha foi aberta por determinação da Presidência da República ao então diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda" (cfr. Planalto mandou investigar Dantas, afirma Portógenes).

Por sua vez, em entrevista à revista Veja (1.out.2008), o presidente da Associação dos Servidores da Abin, Nery Kluwe, afirmou que os agentes foram envolvidos na investigação acreditando ser uma missão presidencial: "Uma ordem emanada do presidente. Um trabalho do interesse do presidente da República".

Deu para entender? A ordem partiu do Planalto. A missão era do interesse do presidente da República.

As ações ilegais jamais serão desnudadas
Creio que vale a pena transcrever parte da reportagem da revista Veja (1.out.2008), de responsabilidade de Expedito Filho e Policarpo Junior, intitulada A Abin manuseou escutas telefônicas:
  • "As investigações sobre a participação de espiões da Agência Brasileira de Inteligência na Operação Satiagraha já fizeram ruir praticamente todas as versões oficiais inventadas até o momento para tentar justificar a ação clandestina de um gigantesco aparato estatal e paraestatal que atuava à margem da lei. A "colaboração informal", a primeira das explicações oferecidas para justificar a presença de espiões em um caso policial, não resistiu à descoberta de que a ação movimentou um inusitado aparato de 56 agentes com vínculos funcionais com a Abin, número que pode ser bem maior. Agora, descobriu-se – oficialmente – que as atividades dos agentes nem sequer passaram perto da inocente versão segundo a qual eles faziam apenas consultas a bancos de dados. Além de seguirem, vigiarem, fotografarem e filmarem pessoas supostamente envolvidas com criminosos, os espiões do governo produziram relatórios secretos com base na audição de escutas telefônicas. Há um mês, VEJA revelou que arapongas a serviço da Abin grampearam sem autorização judicial conversas telefônicas de várias autoridades de Brasília. A prova do crime era um diálogo captado entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, repassado à revista por um servidor ligado à agência. A Abin nunca admitiu o envolvimento de seus agentes com grampos, mas as provas começam a aparecer.

    A Polícia Federal tem em mãos uma lista de todos os agentes da Abin que participaram da operação. Parte deles já foi ouvida no inquérito aberto para apurar o caso. Os espiões contaram detalhes do seu trabalho, que envolveu setores da agência em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Os depoimentos são mantidos em segredo, mas dois espiões envolvidos já confirmaram ter manuseado grampos telefônicos e mensagens eletrônicas dentro das dependências da Abin. Um deles, encarregado de analisar o material, contou a VEJA que os grampos chegavam em CDs, eram transcritos e transformados em relatórios de inteligência. (...)

    As escutas telefônicas circularam pelos gabinetes da Abin em Brasília e São Paulo. Em entrevista a VEJA, o presidente da Associação dos Servidores da Agência, Nery Kluwe, confirmou que, de fato, os agentes do órgão manipularam escutas telefônicas, mas que não cabia a eles questionar se elas eram legais ou não. Como a missão era oficial, subentendia-se que os grampos tinham origem em autorizações judiciais. Segundo ele, apesar de a operação ter sido completamente atípica, os agentes da Abin acreditavam estar participando de uma missão oficial. "Eles foram chamados para supostamente cumprir uma missão de interesse do presidente da República", diz. A tal ordem de missão, de acordo com o representante dos agentes da Abin, foi repassada pelo ex-diretor adjunto da agência José Milton Campana, afastado pelo presidente Lula depois da eclosão do escândalo (veja a entrevista abaixo). A se confirmar isso, os dirigentes da Abin cometeram um delito ainda mais preocupante. Além de atuarem nas sombras, interceptando ilegalmente telefones de autoridades, também teriam usado o nome do presidente da República para dar legitimidade às operações clandestinas.

    Apesar da gravidade, a depender das investigações do governo, é pouco provável que as ações ilegais dos arapongas da Abin sejam desnudadas. (...)

    Há uma sindicância em andamento no Gabinete de Segurança Institucional, o órgão hieraquicamente superior à Abin, para apurar o caso dos grampos. Os diretores afastados pelo presidente Lula, incluindo o ex-diretor Paulo Lacerda, dão expediente no GSI, inclusive participando de reuniões sobre o caso. O general Jorge Felix, que comanda a pasta, parece não ter percebido ainda que existe um conflito elementar de interesses que impede investigados de participar da investigação."
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Quem controla o aparato policial do Estado?

Quem controla o aparato policial do Estado?

O Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Ferreira Mendes, voltou a advertir para os perigos da "república da polícia".

Em conferência proferida em São Paulo, a propósito dos 20 anos da Constituição, o ministro alertou para os excessos do aparato policial do Estado, sob o manto do combate à corrupção e ao crime organizado.

O ministro defendeu o Estado de Direito, condenou os "tribunais de exceção" e alertou para o perigo de órgãos do Estado ficarem acima da lei.

Perigoso projeto político
"O aparato policial do Estado hoje está fora do controle", declarou ainda Gilmar Mendes em importante entrevista ao jornal Folha de S. Paulo (29.set.2008).

Na mesma entrevista o ministro afirmou que estava em gestação um perigoso conluio entre a PF e a Abin, para a fusão das duas, que escondia um perigoso projeto político.

A advertência do ministro é muito grave. Ele se pergunta que projeto seria? Não há como fugir à conclusão de que é o projeto político do lulo-petismo, autoritário, ao estilo chavista, que Lula só não impôs ao País, pelas fortes resistências que encontra em partes consideráveis e influentes da opinião pública.

Continuo a afirmar que Lula é um "chavista" dissimulado, ainda que o coro dos otimistas ache a afirmação um exagero. Basta uma análise um pouco atenta e essa verdade salta aos olhos (leia abaixo Lula, o "chavista" dissimulado).

"É preciso dizer basta"!
Mas vamos à entrevista do ministro Gilmar Mendes, concedida aos jornalistas Andréa Michael e Felipe Seligman, da sucursal de Brasília:
  • FOLHA - No caso da Operação Satiagraha, o senhor declarou recentemente que não era legal a atuação da Abin como polícia judiciária.
    MENDES - Disse o seguinte: inicialmente, essa participação foi negada. Depois se disse que houve uma cooperação tópica para assuntos estratégicos. A terceira versão foi a de que participaram dois ou três servidores previamente designados. Em outro momento se descobrem que eram 52 agentes da Abin, e depois 56 agentes, e não sei se paramos por aí. Revela-se também uma quantidade enorme de dinheiro despejado nisso. A Abin não foi subsidiária. Pergunto: pode haver uma cooperação nesse nível? Quem autoriza?

  • FOLHA - Sua opinião.
    MENDES - Entendo que não. Isso é indevido e não estou a discutir provas, estou a dizer: que projeto político se escondia atrás disso? Era criar o quê? Uma super Abin e PF, uma fusão delas duas? Será que foi disso que nos livramos a partir da revelação desses fatos? Que projeto se escondia atrás disso? Que a Constituição não contempla eu não tenho a menor dúvida. Polícia judiciária é atividade da Polícia Federal. Que possa haver alguma cooperação, pode haver. Pode-se considerar como cooperação quando a presença do órgão de cooperação é maior do que a do órgão que recebe o apoio? (...)

    FOLHA - Qual o reflexo disso sobre a legalidade da operação?
    MENDES - Sobre isso nem falo. A questão concreta não tem relevância alguma, a não ser no momento em que ela ilumina o projeto institucional que estava por trás disso. E acho que era extremamente perigoso para a democracia. Uma mente perversa pensou isso.

    FOLHA - Qual é o impacto institucional do grampo telefônico do qual o sr. foi alvo?
    MENDES - No plano institucional, tenho a impressão de que há algum tempo o Brasil denuncia o descontrole dessas áreas e de alguma forma nós até toleramos e legitimamos esse processo, como o vazamento sistemático, a não-punição dessas pessoas. Isto nos demandava uma reação. Mas quando a questão se alçou a esse plano de ouvir senadores, ministros do Supremo, e quando isso se comprovou, então isso chamou a atenção da sociedade e atingiu aquele limite no qual é preciso dizer basta. É preciso que haja uma reação porque nós estamos na verdade no plano do excesso das anomalias. (...)

    FOLHA - Mas quem está fora de controle?
    MENDES - Acho que o aparato policial. Claro que há outros problemas, mas obviamente que se tolerou esse tipo de coisa e o aparato policial, com suas negociações com a mídia, se autonomizou diante do próprio Judiciário.
Quem controla o aparato policial "descontrolado"?
Resta uma pergunta: o aparato policial está mesmo fora de controle? Ou ele está muito bem controlado pelo lulo-petismo, a serviço de um projeto político autoritário e de esquerda?

Tarso Genro, o ministro da Justiça, a quem está submetida a PF é um dos mais importantes (e perigosos) ideólogos do PT;

Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da Polícia Federal, gaúcho como Tarso Genro, é velho conhecido do PT no Rio Grande do Sul, tendo tido sua atuação política dentro do sindicato dos policiais federais; além disso, segundo o antigo dirigente máximo da PF, Paulo Lacerda, Luiz Fernando Corrêa foi nomeado pelo ministro para sustar investigações que pudessem atingir o PT;

O delegado Protógenes Queiroz, que dirigiu a operação Satiagraha, no âmbito da qual foram cometidas ilegalidades, como a espionagem ao Presidente do Supremo Tribunal Federal, estava há dias em Porto Alegre fazendo campanha política com Luciana Genro, do PSOL, filha do ministro da Justiça;

A Abin é diretamente submetida ao Presidente da República.

Afinal quem era a mente perversa que desejava atentar perigosamente contra a democracia?

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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Escutas no STF e Estado policialesco

Escutas no STF e Estado policialesco
Estamos, uma vez mais, no epicentro de um escândalo envolvendo o governo e o Presidente Lula.

Mas, desta vez, não se trata apenas de um escândalo. O ocorrido constitui grave atentado ao Estado de Direito e foi praticado, ao que tudo indica, por um órgão diretamente subordinado à Presidência da República.

O tão decantado regime democrático vai sendo desmantelado em seus pilares fundamentais, e desmantelado pelo próprio governo que deveria ser seu defensor.

Grampeados pelos espiões do governo
Antes de mais nada, a descrição dos fatos. A revista Veja (3.set.2008) estampou nova grave denúncia sobre grampos ilegais, realizados por espiões do governo, contra o Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades Federais.

A reportagem começa por transcrever um telefonema entre o Senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e o Ministro Gilmar Mendes, Presidente do STF, ilegalmente gravado.

Embora o teor da conversa nada tenha de comprometedor, as reações dos dois envolvidos, face à violação ilegal de sua privacidade por órgãos do Estado, não se fez esperar.

O Ministro Gilmar Mendes foi peremptório: "Gravar clandestinamente os telefones do presidente do STF é coisa de regime totalitário". Por seu lado, o Senador declarou: "Há um grupo de bandoleiros atuando dentro do governo. É um escândalo que coloca em risco a harmonia entre os poderes".

Negativas e inquéritos inócuos

A revelação de Veja se insere na já longa série de alertas e denúncias surgidos contra os abusos de poder praticados pela Polícia Federal e pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN): grampos ilegais, ações espetaculares com indisfarçável intenção intimidatória ou persecutória.

A todas eles o governo tem reagido da mesma forma: pomposas declarações de inconformidade, "indignações" do Presidente Lula, negativas de práticas ilegais, abertura de inquéritos inócuos... e tudo permanece como dantes.

Perigoso desafio à democracia
Convido-os a ler trechos da reportagem de Veja, assinada por Policarpo Junior e Expedito Filho, intitulada A Abin gravou o ministro. Os mesmos são elucidativos e alarmantes:
  • "Há três semanas, VEJA publicou reportagem revelando que o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, foi espionado por agentes a serviço da Agência Brasileira de Inteligência. O diretor da Abin, Paulo Lacerda, foi ao Congresso e negou com veemência a possibilidade de seus comandados estarem envolvidos em atividades clandestinas. Sabe-se, agora, que os arapongas federais não só bisbilhotaram o gabinete do ministro como grampearam todos os seus telefones no STF. VEJA teve acesso a um conjunto de informações e documentos que não deixam dúvida sobre a ação criminosa da agência. O principal deles é um diálogo telefônico de pouco mais de dois minutos entre o ministro Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), gravado no fim da tarde do dia 15 de julho passado. A conversa não tem nenhuma relevância temática, mas é a prova cabal de que espiões do governo, ao invadir a privacidade de um magistrado da mais alta corte de Justiça do país e, por conseqüência, a de um senador da República, não só estão afrontando a lei como promovem um perigoso desafio à democracia.

    O diálogo entre o senador e o ministro foi repassado à revista por um servidor da própria Abin sob a condição de se manter anônimo. O relato do araponga é estarrecedor. Segundo ele, a escuta clandestina feita contra o ministro Gilmar Mendes, longe de ser uma ação isolada, é quase uma rotina em Brasília. Os alvos, como são chamadas as vítimas de espionagem no jargão dos arapongas, quase sempre ocupam postos importantes. (...)

    As gravações ilegais feitas pela Abin servem de base para a elaboração de relatórios que têm o presidente da República como destinatário final.
    Isso não quer dizer que Lula necessariamente tenha conhecimento de que seus principais assessores estejam grampeados ou que avalize a operação. Os agentes produzem as informações a partir do que ouvem, mas sem identificar a origem. Por serem ilegais, depois de filtradas, as gravações são destruídas. A do ministro Gilmar Mendes foi preservada porque, ao contrário das demais, ela foi produzida durante uma parceria feita entre a Abin e a Polícia Federal na operação que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, no início de julho. (...)

    O diálogo em poder da Abin foi apresentado ao ministro Gilmar Mendes e ao senador Demóstenes Torres. Ambos confirmaram o teor da conversa, a data em que ela aconteceu e reagiram com indignação. "Não há mais como descer na escala da degradação institucional. Gravar clandestinamente os telefonemas do presidente do Supremo Tribunal Federal é coisa de regime totalitário. É deplorável. É ofensivo. É indigno", disse o ministro, anunciando que vai pedir providências diretamente ao presidente Lula. "Não acredito que a ação da Abin ou da Polícia Federal seja oficial, com o conhecimento do governo, mas cabe ao presidente da República punir os responsáveis por essa agressão", acrescentou Mendes. O senador Demóstenes Torres também protestou: "Essa gravação mostra que há um monstro, um grupo de bandoleiros atuando dentro do governo. É um escândalo que coloca em risco a harmonia entre os poderes". O parlamentar informou que vai cobrar uma posição institucional do presidente do Congresso, Garibaldi Alves, sobre o episódio, além de solicitar a convocação imediata da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso para analisar o caso. "O governo precisa mostrar que não tem nada a ver e nem é conivente com esse crime contra a democracia." (...)

    No fim de junho, José Dirceu avisou o presidente Lula que estava sendo vítima de operações ilegais e que suspeitava da ação conjunta da Polícia Federal e da Abin. Em público, o ministro não faz acusações diretas contra ninguém, mas, para o presidente, ele foi explícito: Dirceu acusa o atual diretor da Abin, Paulo Lacerda, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, de estarem por trás de um complô para prejudicá-lo, recorrendo a supostas ações ilegais contra ele, inclusive a invasão do escritório. (...)

    O ministro da Justiça estaria usando o aparato policial contra Dirceu para tentar minar sua influência no partido. Paranóia? Talvez. O fato é que a ação clandestina dos arapongas, sejam eles da Abin ou ligados à Polícia Federal, está criando entre políticos, magistrados e autoridades em Brasília um clima que não se percebia desde os tempos do velho SNI, o serviço de inteligência criado no regime militar, que serviu, por mais de duas décadas, como instrumento de perseguição de adversários. Havia mais de um ano que o ministro Gilmar Mendes suspeitava que seus telefones estavam sendo grampeados. Parecia paranóia."
É necessário reagir, pois é  inegável que estamos no perigoso caminho que nos leva ao Estado totalitário, perigo sobre o qual, aliás, tratei em meu último post (A caminho do Estado totalitário).

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quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Permanência indefinida no poder

Em sua incansável maratona de discursos - que o torna mais um eterno candidato no palanque do que um Presidente em exercício - Lula deixa escapar, de vez em quando, em tom populista, sua ânsia de uma permanência indefinida no poder.

Desta vez foi no Palácio do Planalto, durante o lançamento de um plano de investimentos na área social voltado para a inclusão de pessoas com deficiência. Depois de assinar um decreto, Lula, como não podia deixar de ser, fez suas habituais piadas. Mostrando a mão em que não tem um dedo, afirmou que "nós temos um presidente da República que tem uma pequena deficiência, mas que não é impeditiva de exercer o mandato". Será a única? E nenhuma delas é mesmo impeditiva?

Indagações à parte, vamos ao que interessa. Noticia o jornal O Estado de S. Paulo (27.set.2007), em matéria intitulada Ações para deficientes terão R$ 2 bi, assinada por Lissandra Paraguassú, que Lula voltou a afirmar que o dinheiro investido pelo governo não será considerado um gasto. E acrescentou:

  • "O Brasil é detentor de um dívida social tão imensa, acumulada ao longo dos séculos, que todas as vezes que nos dispomos a fazer o pagamento dessa dívida percebemos que não é possível pagar o que não foi feito em séculos ou décadas em apenas um mandato presidencial".
Lula parece esquecer (será que esqueceu?) que já está em seu segundo mandato. A afirmação presidencial talvez indique que, para resgatar uma "dívida social" de séculos, ele precise de um mandato de décadas.

Diante de frases de tal teor, propostas como a formulada pelo 3º Congresso do PT, com manifesto apoio de Lula, da realização de uma Constituinte exclusiva para a reforma política, só podem gerar desconfiança e preocupação.

Foi assim que Chávez foi montando "democraticamente" sua proto-ditadura.

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