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sexta-feira, 14 de março de 2014

Dilma legitima os crimes políticos de Maduro

Dilma legitima os crimes políticos de Maduro



Quando se menciona o papel de um mediador, entre indivíduos, instituições, empresas, grupos políticos ou países em posições antagônicas, vem-nos à mente uma figura isenta e sem compromissos com as partes, que possa debelar injustiças, abrandar posturas hirtas, harmonizar interesses opostos, alcançar acordos.

Ao longo de anos no poder, a diplomacia lulo-dilmo-petista criou diversas figuras bizarras, entre elas a do mediador-cúmplice. Em vez de isento, o mediador-cúmplice é comprometido por inteiro com uma das partes, inclusive com suas injustiças, arbitrariedades e até crimes e se propõe dessa forma buscar o “entendimento”.

É o que ocorre presentemente com a diplomacia brasileira – cada vez mais subjugada e degradada pelo petismo – na situação que vive a Venezuela.

Sem espaço para o desacordo
Todos os regimes totalitários – comunistas, nacional-socialistas, etc. – consagram o princípio de que as instituições e o conjunto da população se devem submeter ao projeto ideológico emanado do Estado, a serviço de um partido ou de uma organização política.

Não há, nessa perspectiva, espaço para o desacordo e todos aqueles que o manifestam são declarados inimigos do povo, conspiradores, traidores, a serviço de interesses escusos ou até de algum inimigo externo, de algum fantasmagórico imperialismo.

Assim se dá na Venezuela de hoje. A política é uma exclusividade do regime e dos fiéis ao “chavismo”. Todo aquele que, na relativa liberdade ainda reinante, se tornar opositor, passa a ser imediatamente visto como inimigo do povo, a ser esmagado; e qualquer manifestação pública de desacordo, um ato golpista e um atentado à pátria bolivariana.

A “ordem democrática” petista
Esta pervertida visão da democracia é endossada por Dilma Rousseff (a Presidente em exercício), por Lula da Silva (o Presidente de fato) e pelo Partido dos Trabalhadores.

De acordo com essa abjeta cartilha ideológica, qualquer protesto, ainda que seja de uma inofensiva estudante empunhando um cartaz, só pode ser considerado um ato de violência; as execuções de manifestantes – na sua maioria com um tiro na cabeça – um ato de defesa contra a “traição à pátria”; e a mediação como o inequívoco apoio ao regime “chavista”, liderado por Nicolás Maduro. É o que, cinicamente, Dilma Rousseff qualifica de manutenção da ordem democrática.

Sabotagem na OEA em prol da Unasul
Foi animado por esta postura ideológica que o Brasil votou contra o envio de observadores da OEA (Organização dos Estados Americanos) à Venezuela e se opôs a uma reunião de chanceleres, no âmbito da organização, para debater os eventos naquele país.

Fazendo eco à retórica “chavista”, a diplomacia brasileira justificou sua atitude alegando que uma intervenção da OEA, pela presença dos Estados Unidos nos quadros da organização, poderia agravar os conflitos. Enquanto o Brasil – dito seja de passagem – finge que não vê a presença crescente de cubanos no controle de organismos do Estado venezuelano, inclusive nas Forças Armadas.

Dilma Rousseff apostou, pois, por uma reunião da Unasul – solicitada por Nicolás Maduro – a fim de “mediar” a crise na Venezuela.

O resultado não podia ser outro. A Unasul (União de Nações Sul-Americanas), concebida desde sua origem para apoiar a integração sul-americana bafejada pelo projeto bolivariano, deu respaldo ao regime de Maduro e à chamada Conferência Nacional pela paz, convocada por este último; um simulacro de diálogo montado como arma de propaganda, enquanto o regime prende opositores, sem o devido processo legal, e a Guarda Nacional Bolivariana e os “colectivos” (forças paramilitares e gangues armadas) continuam a perseguir e executar manifestantes nas ruas, e a invadir residências sem qualquer mandato.

Projeto de poder socialista e autoritário
As atitudes da Presidente Dilma Rousseff, e de sua diplomacia, deixam patente que o governo petista é animado – e sempre o foi – por um projeto socialista e autoritário de poder.

No passado muitos repetiam, ardilosamente, que as vias do lulismo eram diversas das do chavismo e que a moderação de Lula continha o radicalismo de Chávez. O tempo se encarregou de demonstrar que o lulo-petismo (hoje na versão Dilma Rousseff) sempre tentou acobertar e salvar em suas crises o “chavismo” (hoje na versão Nicolás Maduro). Quando o regime da Venezuela descamba para a repressão assassina e para a catástrofe econômica, a diplomacia conduzida por Dilma Rousseff e inspirada pela nefasta figura de Marco Aurélio Garcia, tenta cimentar na América do Sul a ditadura do “socialismo do século XXI”, amparada por Cuba, Rússia e China.

Dilma degrada a diplomacia
O jornal O Estado de S. Paulo estampou ontem (13.mar.2014) um editorial inequívoco a este respeito, que gostaria de compartilhar com os leitores deste blog. Seu título: Dilma degrada a diplomacia:

  • A presidente Dilma Rousseff definitivamente rebaixou o Brasil à condição de cúmplice de regimes autoritários na América Latina. Não bastasse a reverência (e o vasto financiamento) à ditadura cubana, Dilma agora manobra para que os atos criminosos do governo de Nicolás Maduro contra seus opositores na Venezuela ganhem verniz de legitimidade política.

    Em vez de honrar as tradições do Itamaraty e cobrar do regime chavista respeito aos direitos humanos e às instituições democráticas, a presidente desidratou a única iniciativa capaz de denunciar, em um importante fórum internacional, a sangrenta repressão na Venezuela, que já matou duas dezenas de pessoas. Mandou o representante do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA) votar contra o envio de uma missão de observadores à Venezuela e impediu que a entidade reunisse seus chanceleres para discutir a crise.

    Como todos os líderes populistas da região, Dilma considera que a OEA é quintal dos Estados Unidos. O falecido caudilho Hugo Chávez costumava referir-se à organização como "instrumento do imperialismo", entre outros nomes menos simpáticos. Para o governo petista, contaminado pelos ares bolivarianos, uma decisão da OEA sobre a Venezuela poderia ser considerada inoportuna e com potencial para acirrar as tensões. Assim, a título de não melindrar Maduro, premiam-se a brutalidade e a indisposição para o verdadeiro diálogo democrático.

    Manietada pelo Brasil e por seus parceiros bolivarianos, a OEA limitou-se a emitir uma nota cuja anodinia mal disfarça a tentação de apoiar Maduro. O comunicado manifesta "solidariedade" ao presidente e dá "pleno respaldo (...) às iniciativas e aos esforços do governo democraticamente eleito da Venezuela" no "processo de diálogo nacional" - como se fosse autêntica a pantomima a que os chavistas chamam de "Conferência de Paz". Estados Unidos, Canadá e Panamá votaram contra essa nota, pela razão óbvia de ela não refletir os compromissos da OEA com a democracia e os direitos humanos.

    O passo seguinte da manobra, este ainda mais escandaloso, foi convocar uma reunião de chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para acertar o envio de um grupo de "mediadores" para a Venezuela. A Unasul, como se sabe, é instrumento dos governos bolivarianos - desimportante, ela hoje só existe para dar reconhecimento a governos claramente antidemocráticos, em nome de uma certa "integração latino-americana".

    Assim, os tais "mediadores" da Unasul não farão nada além do que deles se espera, isto é, fazer vista grossa às ações violentas de Maduro. Ao anunciar a iniciativa, Dilma explicou, em seu linguajar peculiar, que a ideia é "fazer a interlocução pela construção de um ambiente de acordo, consenso, estabilidade, lá na Venezuela". Ora, que "diálogo" é possível quando não se pretende exercer a necessária pressão diplomática sobre Maduro, que reprime manifestantes usando gangues criminosas e encarcera dissidentes sem o devido processo legal?

    Portanto, a constituição de uma comissão na Unasul para a Venezuela tem o único objetivo de deixar Maduro à vontade, sem ser constrangido a recuar e a ouvir as reivindicações da oposição - que basicamente protesta contra a destruição da Venezuela pelo "socialismo do século 21".

    Percebendo o truque, os oposicionistas venezuelanos trataram de enviar uma carta à Unasul em que pedem aos países-membros que observem os acontecimentos no país "com objetividade" e que a entidade "não seja usada como um instrumento de propaganda". Mas é justamente disso que se trata: se tudo ocorrer conforme o script bolivariano, a Unasul vai respaldar o governo Maduro, revestindo-o de legitimidade - o que, por conseguinte, transforma a oposição em golpista.

    Ao tratar de forma leviana este grave momento, em respeito a interesses que nada têm a ver com a preservação da ordem democrática na região, o Brasil torna-se corresponsável pela consolidação de um regime delinquente.
(A ilustração que encima este post é de uma campanha lançada na Venezuela e que se espalhou pelas redes sociais - twitter: @_calavera_)

domingo, 29 de novembro de 2009

Derrota e lição em Honduras

Derrota e lição em Honduras


Após cinco meses de turbulência política, Honduras realiza hoje suas eleições, passo que o governo Lula, em sua submissão ativa aos desígnios chavistas, tentou de todos os modos impedir.

Obama censura Lula
A mais recente manobra foi desvirtuar o acordo firmado, sob os auspícios do diplomata norte-americano Thomas Shannon, entre o presidente interino Roberto Micheletti e o presidente deposto Manuel Zelaya.

O acordo previa, entre outras coisas, a realização e o reconhecimento das eleições; estipulava ainda um governo de unidade nacional e determinava que um eventual retorno de Zelaya ao poder seria decidido pelo Congresso, após ouvida a opinião da Suprema Corte.

Zelaya, com o apoio da diplomacia brasileira, passou a dizer que o seu retorno à presidência era uma imposição do acordo e uma questão “inegociável” e acabou rompendo o mesmo, não mais aceitando seus termos.

A atitude nada construtiva, para dizer pouco, da diplomacia brasileira valeu uma carta de censura do Presidente Obama dirigida a Lula, a qual foi respondida com ataques pessoais por Marco Aurélio Garcia, que mencionou a “frustração” em relação à postura dos Estados Unidos.

Processo eleitoral pacífico
Os próceres da diplomacia lulista apostavam uma vez mais na instabilidade política e anunciavam a impossibilidade da realização do pleito em condições normais, arriscando até a previsão de turbulências e tumultos.

Felizmente os Hondurenhos souberam, também desta vez, barrar as tentativas que nesse sentido fizeram os seguidores do ex-presidente Manuel Zelaya que não se cansou de conclamar ao boicote das eleições, sempre a partir da embaixada brasileira posta a seu inteiro dispor.

O povo hondurenho deu novamente uma lição ao “lulo-chavismo” e impôs-lhe uma grande derrota. Todas as notícias indicam que o processo eleitoral decorre em paz. Dona Melitina Castellanos Suazo de 93 años de idade foi a primeira a votar no país e deu um grande exemplo de firmeza ao conclamar: "Acorram às urnas, não tenham medo, por que temos que votar por Honduras".

Cerco a Honduras, cumplicidade com o Irã
Zelaya é agora um cadáver político “hospedado” na embaixada do Brasil. Chávez qualifica as eleições uma farsa e o Brasil continua a não querer reconhecer o resultado das mesmas, quando muitos países do mundo, a começar pelos Estados Unidos, o vão fazer.

O governo Lula parece apostar no recrudescimento da crise interna e talvez se apreste a trabalhar por isso. Para a cúpula fanática que tomou conta da diplomacia brasileira só existe uma solução: a rendição incondicional de Honduras ao socialismo do século XXI (leia aqui uma análise reveladora).

A ferocidade com que o “lulo-chavismo” ataca as legítimas instituições hondurenhas e afronta o Estado de Direito no país centro-americano, contrastam de modo gritante com os sorrisos cúmplices e os abraços fraternos de Lula ao ditador islamo-fascista do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Fato que o editorial do jornal La Prensa de Honduras não deixou de assinalar ao comentar a dupla moral (ou a imoralidade) diplomática de Lula.

Frustração e derrota ideológica
Convido-os a ler trechos da análise que a revista Veja (02.dez.2009) publicou e que bem revelam como o governo do Presidente Lula se torna adversário de qualquer saída democrática para a crise em Honduras. O título é sugestivo: “Derrota da Diplomacia petista”.


  • Alguma coisa certa Barack Obama fez. (...) A prova do acerto está nos ataques virulentos que recebeu de Marco Aurélio Garcia, o assessor do presidente Lula para assuntos internacionais. Tudo o que Garcia fala é errado, na forma e no conteúdo, além de prejudicial aos interesses nacionais. O presidente dos Estados Unidos foi alvo do novo surto de megalonanismo por defender o reconhecimento das eleições em Honduras, neste domingo. Desde que Manuel Zelaya tentou emplacar a própria reeleição e foi punido pela Suprema Corte com a perda do cargo, além de expulso manu militari do país, ao qual retornou com a patola chavista, instalando-se de bigode e chapelão na embaixada brasileira, a diplomacia petista trabalha com o objetivo de restaurá-lo no poder a qualquer preço. A saída pela via eleitoral, com a escolha de um novo presidente, virou um anátema para Garcia e sua turma. A proposta de solução apoiada por Obama parecia razoável: levar observadores internacionais para Honduras e, verificada a lisura da votação, chancelar o resultado, abrindo uma saída pacífica para o impasse. "Isso é muito ruim para os Estados Unidos e sua relação com a América Latina", rugiu Garcia. "Todo aquele clima favorável que se criou com a eleição do presidente Obama começa a se desfazer um pouco."

    Em diplomacia, as palavras devem ser escolhidas com cuidado, não por cortesia banal, mas para evitar o agravamento de atritos. Quando um país considera necessário censurar outro, a praxe é plantar declarações indiretas, chamar os representantes diplomáticos do oponente para uma conversa ou fazer comunicações por escrito. A ideia de personalizar as críticas, nomeando um chefe de governo diretamente, só em casos muito graves. Garcia rompeu todas essas regras e, num lapso ofensivo, somou a ofensa à injúria ao dizer que reconhecer a eleição em Honduras seria "legitimar o branqueamento de um golpe" - ah, as peças que o inconsciente prega. A violência de suas declarações tem uma explicação simples: frustração. A diplomacia petista contava com uma vitória política e ideológica com a restituição de Zelaya, que representaria uma prova de força e de prestígio internacional do governo Lula.

    Na prática, deu tudo errado. A alegria dos megalonanicos quando Zelaya retornou murchou rapidamente. O sujeito se mostrou disposto a lutar até a última vida dos outros, usou a embaixada brasileira como palanque e decepcionou mesmo quem condenava a forma como foi defenestrado. O governo interino de Roberto Micheletti, que tinha por trás o comando das Forças Armadas, a maioria do establishment político, a Corte Suprema e uma parte possivelmente majoritária da opinião pública, revelou uma capacidade de resistência insuspeita num país pobre, pequeno e suscetível a pressões. "Aqui não temos medo dos Estados Unidos, nem do Brasil, nem do México. Temos medo de Manuel Zelaya", resumiu Micheletti.

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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Ao lado de "companheiros" e ditadores

Ao lado de “companheiros” e ditadores

Irã

Lula declarou – contra as evidências – que Mahmoud Ahmadinejad venceu licitamente as recentes eleições no Irã. As autoridades iranianas, pelo contrário, atestaram que milhões de votos foram fraudados.

Para o presidente brasileiro, entretanto, as manifestações de protesto contra a fraude eleitoral não passavam de raiva de perdedor, como em torcida de futebol. As 69 pessoas mortas pela terrível repressão do regime ditatorial iraniano nem sequer mereceram uma leve menção de Lula.

Coréia do Norte

O regime comunista da Coréia do Norte mantém campos de concentração e executa sumariamente adversários políticos. O Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu recentemente a condenação do regime por esses motivos. Mas a diplomacia do governo Lula se recusou a condenar Pyongyang, pois acha necessário “dar uma chance” ao regime sanguinário.

Venezuela e FARC

A Venezuela entregou às FARC armas compradas à Suécia pelas Forças Armadas do país e destinadas por tratado a seu uso exclusivo. A Colômbia pediu explicações a Chávez por essa grave ocorrência; a Suécia igualmente.

Chávez foi mais uma vez desmascarado como mentor das FARC. Sem ter o que responder, o caudilho venezuelano encontrou em Marco Aurélio Garcia, o assessor presidencial de Lula, um porta-voz e um defensor nessa situação delicada. Garcia passou a manter contactos internacionais, inclusive com o General James Jones, assessor de segurança do presidente Obama, para justificar o injustificável. E Celso Amorim asseverou, em declarações à Folha de S. Paulo, que a transferência de armas “foi apenas um episódio”.

Honduras

Ao lado do ditador líbio Muhamar Kadhafi, patrono do terrorismo internacional, a quem chamou de “meu irmão”, Lula condenou o “golpe” em Honduras. Enquanto justifica a complacência com a ditadura cubana e o fim da exclusão do regime de Castro da OEA, a diplomacia lulo-petista exigiu a condenação inclemente do governo de Micheletti e a exclusão de Honduras do organismo.

Colômbia e EUA

Estados Unidos e Colômbia estreitam seus laços militares no combate ao narcotráfico e à guerrilha das FARC. Chávez percebendo que sua aliança político-militar com as FARC se vê ameaçada e, em conseqüência, sua estratégia de desestabilização do governo colombiano de Álvaro Uribe e da América Latina em geral corre perigo, desata uma gritaria contra o alargamento do acordo.

Celso Amorim afirma que a Venezuela tem razão em seus receios. Lula logo se torna o porta bandeira do protesto contra o acordo, bem como o articulador dos protestos da América Latina. Fazendo o jogo do “bolivarianismo”, Lula pretende levar Uribe ao banco dos réus na reunião da Unasul, em Quito, golpe que só é frustrado pela hábil maratona diplomática do presidente colombiano.

A atitude de Lula contrasta com o silêncio cúmplice ante as compras de armamento russo efetuadas por Chávez (que chegam a 4,4 bilhões de dólares!) e ante o oferecimento feito pelo presidente venezuelano das bases do país para acolher bombardeiros russos, inclusive com armamento atômico.

The Economist censura Lula

Seria impossível fazer neste exíguo espaço um elenco exaustivo das mais recentes medidas diplomáticas do governo Lula, que revelam sua crescente subserviência aos desígnios de Hugo Chávez e de seu “socialismo do século XXI”.

Tal seqüência de medidas mereceu neste final de semana um editorial da revista britânica The Economist (13.ago.2009), que apontou o viés chavista da política externa do governo Lula e cobrou uma posição firme do presidente do Brasil, com relação à defesa da democracia: “O governo Lula tem demonstrado um enigmático desrespeito pela democracia e pelos direitos humanos fora das fronteiras brasileiras”. E acrescentou: “O Brasil precisa decidir o que realmente defende e quem são seus aliados de fato, ou então arriscar que outros façam essa escolha por ele”.

O viés chavista da política externa

A matéria da importante revista britânica foi glosada pelo jornal O Estado de S. Paulo (15.ago.2009) em Notas & Informações, intitulada A ameaça que Lula incentiva:

  • "Numa das inumeráveis vezes em que se pôs a falar mal da imprensa - que evita ler "porque tenho problema de azia" -, o presidente Lula contrastou o que seria o tratamento injusto a ele dispensado pelas principais publicações brasileiras com o tom amplamente favorável ao desempenho do seu governo nas matérias e comentários sobre o País em muitos dos mais importantes periódicos estrangeiros. (...)

    O presidente, portanto, não terá motivos para acusar de parti pris contra ele o prestigioso semanário britânico The Economist por ter publicado, na edição que começou a circular ontem na Europa e nos Estados Unidos, uma reportagem e um editorial que identificam o inquietante viés chavista da sua política para a América do Sul. "Do lado de quem está o Brasil?", pergunta a revista. Nem Lula correria o risco de acentuar o seu desconforto gástrico se se inteirasse do teor desses textos. Eles o elogiam como um "presidente inspirador", cuja "bonomia e instinto para a conciliação" fazem amigos em toda parte, e por ter barrado a mudança constitucional que o autorizaria a disputar um terceiro mandato consecutivo, "apesar de seus quase sobrenaturais índices de popularidade".

    A Economist também aplaude os esforços do brasileiro para amoldar as instituições multilaterais às mudanças no equilíbrio global de poder (...) Mas - no que não chega a ser uma revelação para os observadores brasileiros - a revista ressalta a perigosa benevolência, quando não a franca simpatia, da diplomacia regional do País em relação a Hugo Chávez. O "gancho", como se diz nas redações, para a abordagem do problema são as investidas do caudilho venezuelano contra o acordo entre a Colômbia e os Estados Unidos para a instalação de três bases militares destinadas a reforçar as defesas do país vizinho no seu combate de décadas contra a guerrilha das Farc e os seus parceiros do narcotráfico.

    Nessa crise fabricada por Chávez para encobrir as evidências de seu apoio bélico ao movimento, o Brasil só não agiu pior do que o equatoriano Rafael Correa, que já não mantém relações com Bogotá, ao exigir garantias de que as bases não teriam outros fins. O papel de linha auxiliar do caudilho, desempenhado pelo presidente e o seu chanceler Celso Amorim, ficou ainda mais gritante porque em momento algum eles manifestaram preocupação com a segurança e a estabilidade regionais ameaçadas pelos acordos militares entre Caracas e Moscou. O próprio Chávez diz servirem para "incrementar nossa capacidade operativa". Lula se comporta como se o inimigo da democracia na América do Sul fossem os Estados Unidos, ou a Colômbia, ou mesmo o governo golpista de Honduras - que destituiu o presidente Manuel Zelaya para evitar que ele atrelasse o país ao chavismo.

    Além disso, ao endossar tacitamente as políticas liberticidas do venezuelano - não passa dia sem que ele, cumprindo as suas promessas, não aperte o garrote no seu desafortunado país -, Lula desnuda a hipocrisia das suas apregoadas convicções democráticas. A versão soprada pelo Itamaraty de que os agrados brasileiros a Chávez teriam apenas o objetivo de moderar os seus planos hegemônicos na região já foi desacreditada pelos fatos, sem falar nas lições da história sobre a futilidade das tentativas de apaziguar apetites ditatoriais. A tragédia é que nenhum outro país sul-americano tem condições comparáveis às do Brasil para frear as aventuras totalitárias de Chávez e seus aliados bolivarianos. Não se pede, como diz a Economist, que o Brasil aja como xerife da América. Mas é do interesse nacional prevenir uma nova guerra fria entre os vizinhos.

    "A maneira de fazê-lo é não confundir democratas com autocratas, como Lula parece pensar", assinala a revista. "É desmoralizar Chávez, demarcando uma clara divisa em favor da democracia - o sistema que permitiu a um pobre torneiro mecânico chegar ao poder e mudar o Brasil." "

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Brasil poupa ditadura norte-coreana

Brasil poupa ditadura norte-coreana
I
mpressionou-me a frase que li, há dias, no El Nacional de Caracas, com a qual um leitor qualificava as atitudes de Chávez na cena internacional: "Soberbo ante o império do norte e genuflexo ante os impérios russo e chinês".

Algo de semelhante se pode dizer de nossa atual diplomacia. As proclamadas atitudes "altivas e pró-ativas", a que tanto gosta de se referir o Chanceler Celso Amorim, envergonham a tradição diplomática brasileira e não escondem seu acentuado viés ideológico.

Subserviência ante aliados ideológicos

Cumplicidade, subserviência, entreguismo e cinismo têm sido, em diversas ocasiões, as marcas da diplomacia "companheira", até em prejuízo dos legítimos interesses nacionais.

As atitudes "altivas e pró-ativas" ante os Estados Unidos, são acompanhadas da subserviência cúmplice com a China e com a Rússia. Ou então com os aliados ideológicos da Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguay, Argentina, entre outros.

Basta recordar a humilhação imposta ao País no caso da invasão militar das instalações da Petrobrás na Bolívia, seguida de confisco de ativos da empresa.

Lula defende o autoritarismo chavista

Lula, que tantos se empenham em apontar como a voz da moderação, tem sido, na verdade, conivente - e, portanto, acobertador - com os desmandos institucionais e as atitudes autoritárias dos "companheiros" Chávez, Evo Morales, Correa, etc.

Ainda há dias o Presidente defendeu o modelo institucional do regime chavista, em entrevista à CNN, alegando seu caráter "democrático".

Isso, quando analistas e políticos, de todo o mundo, apontam a escalada autoritária do venezuelano, com prisões de adversários políticos, desrespeito aos resultados eleitorais, reedição de leis rechaçadas pela população em referendo, esvaziamento do poder de autoridades da oposição, tomada de portos e aeroportos pelas Forças Armadas, criação de milícias civis armadas, tentativas de subjugar a liberdade de imprensa, etc.

Também Marco Aurélio Garcia, assessor especial do Presidente para Assuntos Internacionais, na recente cúpula de Líderes Progressistas, no Chile, defendeu com ênfase o atual populismo na América Latina, citando como exemplo altamente positivo o regime de Chávez.

Cumplicidade com ditaduras

A política externa do Brasil, sob o governo Lula, tem ainda mostrado constrangedoras alianças ou cumplicidades com regimes ditatoriais e até mesmo com o terrorismo.

Na perspectiva da 5ª Reunião da Cúpula das Américas, a ser realizada em Trinidad e Tobago, Celso Amorim afirmou que o grande teste para o Presidente Barack Obama será a relação com Havana.

O Chanceler defendeu o diálogo do governo norte-americano com o regime comunista, "sem condições prévias" (cfr. Folha de S. Paulo, 10.abr.2009). Ou seja, Amorim exige o "diálogo", com a preservação da ditadura castrista.

Fome, tortura e perseguição

Para entender o que a atual diplomacia lulo-petista entende por "multilateralismo" e para que finalidade advoga um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, vale a pena ler a seguinte matéria da Folha de S. Paulo (27.mar.2009), intitulada Brasil poupa regime norte-coreano na ONU:

  • " O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou ontem uma resolução que condena duramente as "graves violações" dos direitos humanos na Coreia do Norte e exorta a ditadura asiática a rever a decisão de barrar as missões de inspeção da organização. O texto foi adotado sem o endosso do Brasil, que se absteve na votação.

    O governo brasileiro vinha sendo pressionado pelo Japão, um dos patrocinadores da resolução, a apoiar o texto. Em gestões feitas em Brasília e Genebra, os japoneses tentavam convencer o Itamaraty de que um voto de abstenção seria uma forma de incentivar os abusos norte-coreanos.

    Não funcionou. O Brasil preferiu evitar o confronto e dar uma chance à Coreia do Norte, mesmo depois da apresentação de um relatório repleto de atrocidades cometidas pelo regime. Fome, tortura e perseguição política fazem a rotina de horror dos norte-coreanos, segundo o documento. Uma tirania onde até vestir jeans, usar a internet ou assistir a novelas da Coreia do Sul pode dar cadeia.

    A votação era uma das mais esperadas da atual sessão do Conselho de Direitos Humanos, que termina hoje em Genebra. A atenção cresceu com a notícia de que o isolado regime norte-coreano prepara o lançamento de um míssil de longo alcance, o que preocupou os vizinhos. O intuito, diz Pyongyang, é pôr um satélite em órbita.

    No final, a resolução foi aprovada com 26 votos a favor, 15 abstenções e 6 contra. O documento "deplora os abusos sistemáticos", como o uso de tortura e campos de trabalho forçado. (...)

    Ao justificar seu voto de abstenção, o Brasil disse que espera que a Coreia do Norte aproveite a "janela de oportunidade" para melhorar sua colaboração com o Conselho. (...)

    O país decidiu "dar uma chance" aos norte-coreanos, disse Farani (embaixadora do Brasil em Genebra), diante da promessa de que colaborarão com os mecanismos do Conselho, entre eles o UPR. "Não estamos passando a mão na cabeça deles. Esperamos respostas."

    Após a votação, o embaixador japonês disse que estava "decepcionado" com a decisão do Itamaraty. "Tivemos intensos contatos com o governo brasileiro, aqui e em Brasília, mas não adiantou", afirmou Sumi Shigeko. Para ele, "não é claro" o motivo da abstenção.

    A decisão do Brasil de não condenar regimes acusados de violações graves, como Sudão, Congo e Coreia do Norte, é alvo de críticas de defensores dos direitos humanos. O Itamaraty alega ser mais produtivo buscar o diálogo do que isolá-los.

    Na mesma sessão, foram votadas cinco resoluções ligadas ao conflito israelo-palestino, algumas com fortes críticas a Israel. O Brasil votou a favor de todas elas, que foram aprovadas por quase unanimidade. "
Evitar o confronto, buscar o diálogo e dar chances, são as consignas da cumplicidade. Sempre a política de "dois pesos e duas medidas", a favor dos aliados ideológicos, até mesmo quando estes mantêm campos de trabalhos forçados.

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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

FARC no Brasil: as informações "irrelevantes"

FARC no Brasil: as informações irrelevantes
Há muito se fala a respeito da presença das FARC no Brasil.

Ao longo da última década, referências à atuação do grupo terrorista têm crescido no noticiário: relações íntimas com o narcotráfico, orientação e treinamento de integrantes do MST, presença no país de agentes do grupo e sua proximidade com o PT, são algumas das mais insistentes.

Ligações perigosas
É bom lembrar que Fernandinho Beira-Mar foi preso num acampamento das FARC; que as FARC tiveram uma embaixada oficial em Ribeirão Preto, enquanto Palocci era Prefeito da Cidade; sem esquecer o mais importante, as FARC são integrantes, desde seu início, do Foro de São Paulo.

Há poucos meses, segundo noticiou o jornal O Globo, em audiência na Comissão de Agricultura da Câmara, o secretário-adjunto da Segurança de Rondônia, Cezar Pizzano, afirmou que as FARC treinam a Liga dos Camponeses Pobres, um movimento com caráter de guerrilha que atua no estado.

E acaba de aparecer a denúncia, bem mais alentada, feita pela revista colombiana Cambio, da colaboração de importantes personalidades do governo Lula com os terroristas das FARC (leia Ligações perigosas: FARC-governo Lula).

Convém ainda recordar que o governo brasileiro se recusou terminantemente a qualificar o grupo como terrorista. Marco Aurélio Garcia, assessor internacional do Presidente, jusitificou a negativa afirmando que o governo não poderia classificar como terrorista um grupo que poderia vir a governar a Colômbia, reconhecendo assim legitimidade à luta armada como forma de alcançar o poder.

Além do quê, a recusa também eximia o governo Lula de bloquear os bens do grupo no Brasil e de impor restrição à livre circulação de seus membros em território nacional.

Das concessões à política de firmeza
O Presidente Álvaro Uribe mudou radicalmente a postura oficial em relação às FARC. Abandonou a polícita de concessões e capitulações vergonhosas de seus antecessores, que estava conduzindo o país ao caos, à ingovernabilidade e ao império, quase inconteste, do crime organizado e do terrorismo marxista.

Com uma política de firmeza e de inteligente estratégia militar, as Forças Armadas colombianas foram acuando o grupo terrorista, impondo-lhe pesadas derrotas e sérias baixas.

Nessa tarefa o Presidente colombiano conta com o apoio maciço da opinião pública, enquanto as FARC não conseguem reunir a simpatia de mais de 2% da população. O apoio a Uribe e o rechaço às FARC se traduziram nos últimos meses em manifestações que levaram às ruas do país, em diversas cidades, milhões de pessoas.

Busca de refúgio em países vizinhos
É natural que os terroristas, cada vez mais acuados, tenham passado a ver no seqüestro uma de suas principais armas de chantagem. E, por outro lado, tenham empreendido um esforço internacional de articulação, sobretudo com governos de esquerda, para pressionar e tentar isolar o governo colombiano. Com a entrada de Chávez em cena, essa tática se exacerbou.

Os Presidentes Lula, Evo Morales, Rafael Correa passaram a integrar o grupo de governantes, que, mais ou menos abertamente, acobertavam a atuação das FARC. E pressionavam continuamente Uribe para que chegasse a uma "solução humanitária" do conflito, a qual compreendia concessões inadmissíveis às FARC.

Diante dos fortes reveses impostos pelos militares colombianos às FARC, era natural que estas passassem a procurar refúgio no território de países vizinhos, sobretudo naqueles governados por companheiros ideológicos.

Perigo de infiltração em território brasileiro
Desnecessário será frisar a evidência de tal tática em relação ao Equador e à Venezuela.

Agora o governo colombiano, segundo o Ministro da Defesa daquele país, Juan Manuel Santos, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo (27.jul.2008), entregou ao governo brasileiro uma série de informações de conexões das FARC no Brasil, para que este possa reagir como considerar mais apropriado.

Além disso, em visita oficial ao País, o secretário da segurança nacional dos Estados Unidos, Michael Chertoff, condenou o apoio recebido pelo grupo por parte de governos sul-americanos.

Chertoff também defendeu que os países da região evitem a transferência de bases da guerrilha para seus territórios, alertando para o perigo das FARC procurarem avançar pela Amazônia brasileira.

O descaso cúmplice do governo Lula
Pela boca de Marco Aurélio Garcia, a reacção do governo Lula às declarações não se fez esperar. Para o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, a suspeita levantada por Chertoff é "infundada"; e os dados sobre as FARC, repassados pelo governo colombiano ao Brasil, continham apenas "informações irrelevantes".

Tipicamente a linguagem e o descaso do cúmplice!

Será que um governo se dá ao trabalho de repassar a outro governo "informações irrelevantes", ainda mais sobre um grupo terrorista, cujas ações têm gerado tanto impacto internacional?

Se são irrelevantes, porque o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, manifestou a um assessor da inteligência militar seu temor de que o material vazasse para a imprensa? Seria pela sua irrelevância?

Terá sido pela irrelevância de tais informações que a Abin e o CIE (Centro de Inteligência do Exército) manifestaram disposição de empreender uma investigação sobre a possibilidade de representantes das FARC se fixarem no país com apoio de militantes de esquerda acolhidos no governo Lula?

A misteriosa irrelevância das informações
Terá sido com informações irrelevantes que o governo colombiano desarmou a farsa montada por Chávez e aliados (entre os quais Marco Aurélio Garcia, enquanto representante de Lula) da operação humanitária que "libertaria" o menino Emanuel... o qual se encontrava em um orfanato de Bogotá e não na selva, nas mãos dos terroristas?

Terá sido com base em informações irrelevantes que o governo colombiano detectou e aniquilou militarmente, na fronteira do Equador com a Colômbia, o acampamento (quartel-general) do nº 2 das FARC, Raul Reyes?

Terá sido com informações irrelevantes que o presidente Álvaro Uribe denunciou internacionalmente, inclusive em célebre discurso na Organização dos Estados Americanos (OEA), a íntima conivência e colaboração financeira e militar dos governos de Hugo Chávez e Rafael Correa com as FARC?

Terá sido com informações irrelevantes que as Forças Armadas colombianas montaram uma ousada e bem sucedida operação de inteligência militar para resgatar os mais importantes reféns em mãos das FARC, entre os quais Ingrid Bentencourt?

Porque, então, as informações entregues agora ao governo brasileiro seriam irrelevantes? Não se sabe, mas para Marco Aurélio Garcia são.

Afinal qual o sentido de "irrelevantes" para Marco Aurélio Garcia? Que não têm importância? Ou que não são relevantes para o governo Lula, uma vez que este está mesmo disposto a colaborar com as FARC?

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domingo, 3 de agosto de 2008

F@ARC os emails que comprometem

F@ARC os emails que comprometem
Já notaram que baixou um silêncio quase sepulcral sobre as revelações estampadas pela revista colombiana Cambio, a respeito da colaboração escandalosa de integrantes do governo Lula com o grupo terrorista das FARC?

O silêncio, que não conseguiu esconder o mal estar, começou pelas evasivas ou explicações pouco convincentes partidas de círculos oficiais. E foi completado pelo sepultamento quase completo do assunto por boa parte da mídia em que reina a "ética" do oficialismo.

Constragimento dos emails que "não provam nada"
Diante de material tão comprometedor para o governo, seria compreensível uma verdadeira corrida do jornalismo investigativo. Não... silêncio.

Mais ainda, a jornalista Eliane Cantanhêde, no jornal Folha de S. Paulo (3.ago.2008), ultrapassa a barreira do silêncio e assume, a bem dizer, o papel de porta-voz do lulopetismo no poder. Em artigo intitulado Fantasmas a colunista da Folha afirma que os emails "não têm conteúdo prático" e "não há referência a gestos, ações ou movimentos concretos que caracterizem uma aliança com a guerrilha".

Falso! O que se verifica é que o material divulgado se refere exatamente a ações de interesse dos terroristas das FARC, algumas delas bem sucedidas e com apoio de pessoas influentes do governo.

Mas em seu afã de desqualificar a documentação publicada, Eliane Cantanhêde tropeça. Diz ela: "Enfim, os e-mails da guerrilha não provam nada, a não ser que setores do governo Uribe estão doidos para constranger o governo brasileiro. E estão conseguindo". Como é possível que setores do governo Uribe estejam conseguindo constranger o governo brasileiro, se os emails da guerrilha não provam nada? Estranho... muito estranho.

Informações requentadas, armação...
Mas vamos agora às "explicações" do mundo oficial.

Para a ministra Dilma Roussef a matéria da revista Cambio é "requentada" e por isso não tem importância. Requentada ou não, o fundamental é saber se é verdadeira. Será que informação "requentada" sobre crime real deixa de ter importância?

Além disso, a ministra parece ter "esquecido" que a revista Cambio nada mais fez do que citar parte do material entregue recentemente pelo governo colombiano ao governo Lula, sobre as conexões das FARC no Brasil. Será que tais informações também são "requentadas"?

Por seu lado, Marco Aurélio Garcia, o assessor internacional da Presidência, negou à Folha de S. Paulo (2.ago.2008) qualquer vínculo do governo e do PT com as FARC e disse que "o tempo vai mostrar que tudo isso é uma grande armação".

Se tudo é uma grande armação, porque o governo Lula não desmonta de imediato e documentadamente tal armação? Porque só o tempo vai resolver isso? Pelo esquecimento?

Disputa pelo poder, outra justificativa
Além disso, o jornal O Estado de S. Paulo (2.ago.2008), noticiou que, após três reuniões com assessores diretos e integrantes do Itamaraty, o Presidente Lula teria chegado à conclusão de que a reportagem da revista Cambio reflete uma briga interna pelo poder na Colômbia.

Tentem, por favor, entender a lógica, porque a ilação não é fácil.

Haveria uma disputa entre o presidente Álvaro Uribe e o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, provável candidato à sucessão presidencial.

Como Uribe estaria perto de esmagar militarmente as FARC e obrigá-las a uma negociação que levasse à sua dissolução, não teria dificuldades em obter um terceiro mandato, prejudicando as aspirações de Santos.

Diante dessa eventualidade, o ministro da Defesa colombiano teria difundido os documentos de relações comprometedoras do governo Lula com as FARC, através da revista Cambio. Por tal motivo, as informações estariam desqualificadas.

Entenderam a lógica? Eu também não! Mas no lulopetismo as explicações são assim.

Outra explicação: a "vingança" colombiana
Na sistemática e detalhada reportagem F@ARC os e-mails que comprometem, assinada por Alexandre Oltramari, a revista Veja (6.ago.2008) reproduz mais uma das "explicações" emanadas do oficialismo governista.

Assessores de Lula garantem que a divulgação das mensagens comprometedoras se deveu a uma vingança do ministro da Defesa, Juan Manuel Santos.

Segundo a teoria oficial, o governo colombiano seria contrário à adesão do país ao Conselho de Defesa Sul-Americano, o mais recente projeto internacional de Lula e, por tal motivo, teria apenas divulgado as mensagens comprometedoras deixando de lado as que provariam o distanciamento dos petistas em relação às FARC.

Perante tal assertiva a revista conclui de modo muito objetivo: "Se isso for verdade, bastará ao governo divulgar a íntegra do material, que foi recebido há três meses e guardado a sete chaves".

O que se conclui é que, realmente, o mal estar grassa nos meios oficiais, que tentam de todas as formas sepultar o assunto, pois os "arquivos apreendidos com a guerrilha mostram que a relação do PT com as FARC é maior do que se sabia e pode ter chegado ao governo" (Veja).

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sábado, 2 de agosto de 2008

Ligações perigosas: FARC - governo Lula

Ligações perigosas: FARC - governo Lula
A denúncia é forte. A realidade era em parte conhecida. Só que agora as ligações perigosas do governo Lula com o terrorismo das FARC parecem ganhar a cena internacional.

Cambio, importante revista colombiana, dedica a matéria de capa de sua mais recente edição (31.7.2008) ao chamado "dossier brasileño".

Níveis escandalosos de colaboração
Segundo a revista, material encontrado nos computadores de Raul Reyes, o líder das FARC, morto em território equatoriano, revela que os vínculos das FARC com altos funcionários do governo Lula chegaram a níveis escandalosos.

Ainda conforme a mencionada revista, a pequena amostra de mais de 85 emails conhecidos, revela a importância do Brasil para a agenda internacional das FARC e deixa a nu como a organização terrorista se aproveitou da subida ao poder de Lula e do PT para reforçar sua estratégia continental.

O chamado "dossier brasileño", segundo a revista Cambio, teria implicações mais sérias do que as derivadas da documentação comprometedora relativa ao envolvimento dos Presidentes Chávez (Venezuela) e Correa (Equador) com as FARC. E suscita muitas interrogações que exigem uma resposta do governo brasileiro.

Sacerdote e "embaixador" das FARC
O personagem central da reportagem é Oliverio Medina (ou "El cura Camilo"), um sacerdote das FARC, elo de ligação com as autoridades brasileiras.

Importante dirigente das FARC, acusado de vários crimes no país vizinho, o "embaixador" das FARC chegou a ser preso no Brasil, mas tudo foi feito para que não fosse extraditado e recebesse até a condição de "refugiado político".

Uma vez obtida tal condição, Lula se congratulou com o fato, ainda segundo a reportagem. É bom recordar que as FARC, na ocasião, emitiram um comunicado (estampado em seu site) em que agradeciam todo o empenho do governo Lula em proteger Medina. Mais tarde, a mulher de Medina recebeu um cargo de confiança da Presidência da República.

Uribe entrega a Lula o dossier
A revista narra o modo pelo qual Lula se inteirou do chamado "dossier brasileño". Na recente visita à Colômbia, o Presidente Uribe, numa reunião reservada diante de poucas testemunhas, fez a Lula um resumo dos arquivos eletrônicos, encontrados no computador de Raul Reyes, que comprometiam funcionários do seu governo com as FARC.

Cambio menciona, entre outros, a José Dirceu, Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula, a Marco Aurélio Garcia, assessor de Assuntos internacionais do Presidente, ao chanceler Celso Amorim, a Paulo Vanucci, da Secretaria dos Direitos Humanos.

Imagem abalada
A imagem de Lula, espalhada internacionalmente por certa mídia, de um homem simples que ascendeu à Presidência e abandonou o discurso de esquerda, fica irremediavelmente abalada.

Não só Lula não abandonou a ideologia de esquerda (basta ver seu contínuo empenho em favorecer Chávez, Evo Morales, Correa, os Kirchner, na construção do socialismo do século XXI, propugnado pelo presidente venezuelano) como seu governo está comprometido com a esquerda terrorista.

Espera-se uma explicação convincente. Por enquanto, Marco Aurélio Garcia diz que as informações são... irrelevantes.

Ah, e para terminar, é bom ressaltar que a chamada "esquerda católica" está sempre presente nos desvãos mais sinistros do governo "companheiro". Afinal o "embaixador" era um padre junto a um governo inspirado pela "Teologia da Libertação".

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