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sexta-feira, 14 de março de 2014

Dilma legitima os crimes políticos de Maduro

Dilma legitima os crimes políticos de Maduro



Quando se menciona o papel de um mediador, entre indivíduos, instituições, empresas, grupos políticos ou países em posições antagônicas, vem-nos à mente uma figura isenta e sem compromissos com as partes, que possa debelar injustiças, abrandar posturas hirtas, harmonizar interesses opostos, alcançar acordos.

Ao longo de anos no poder, a diplomacia lulo-dilmo-petista criou diversas figuras bizarras, entre elas a do mediador-cúmplice. Em vez de isento, o mediador-cúmplice é comprometido por inteiro com uma das partes, inclusive com suas injustiças, arbitrariedades e até crimes e se propõe dessa forma buscar o “entendimento”.

É o que ocorre presentemente com a diplomacia brasileira – cada vez mais subjugada e degradada pelo petismo – na situação que vive a Venezuela.

Sem espaço para o desacordo
Todos os regimes totalitários – comunistas, nacional-socialistas, etc. – consagram o princípio de que as instituições e o conjunto da população se devem submeter ao projeto ideológico emanado do Estado, a serviço de um partido ou de uma organização política.

Não há, nessa perspectiva, espaço para o desacordo e todos aqueles que o manifestam são declarados inimigos do povo, conspiradores, traidores, a serviço de interesses escusos ou até de algum inimigo externo, de algum fantasmagórico imperialismo.

Assim se dá na Venezuela de hoje. A política é uma exclusividade do regime e dos fiéis ao “chavismo”. Todo aquele que, na relativa liberdade ainda reinante, se tornar opositor, passa a ser imediatamente visto como inimigo do povo, a ser esmagado; e qualquer manifestação pública de desacordo, um ato golpista e um atentado à pátria bolivariana.

A “ordem democrática” petista
Esta pervertida visão da democracia é endossada por Dilma Rousseff (a Presidente em exercício), por Lula da Silva (o Presidente de fato) e pelo Partido dos Trabalhadores.

De acordo com essa abjeta cartilha ideológica, qualquer protesto, ainda que seja de uma inofensiva estudante empunhando um cartaz, só pode ser considerado um ato de violência; as execuções de manifestantes – na sua maioria com um tiro na cabeça – um ato de defesa contra a “traição à pátria”; e a mediação como o inequívoco apoio ao regime “chavista”, liderado por Nicolás Maduro. É o que, cinicamente, Dilma Rousseff qualifica de manutenção da ordem democrática.

Sabotagem na OEA em prol da Unasul
Foi animado por esta postura ideológica que o Brasil votou contra o envio de observadores da OEA (Organização dos Estados Americanos) à Venezuela e se opôs a uma reunião de chanceleres, no âmbito da organização, para debater os eventos naquele país.

Fazendo eco à retórica “chavista”, a diplomacia brasileira justificou sua atitude alegando que uma intervenção da OEA, pela presença dos Estados Unidos nos quadros da organização, poderia agravar os conflitos. Enquanto o Brasil – dito seja de passagem – finge que não vê a presença crescente de cubanos no controle de organismos do Estado venezuelano, inclusive nas Forças Armadas.

Dilma Rousseff apostou, pois, por uma reunião da Unasul – solicitada por Nicolás Maduro – a fim de “mediar” a crise na Venezuela.

O resultado não podia ser outro. A Unasul (União de Nações Sul-Americanas), concebida desde sua origem para apoiar a integração sul-americana bafejada pelo projeto bolivariano, deu respaldo ao regime de Maduro e à chamada Conferência Nacional pela paz, convocada por este último; um simulacro de diálogo montado como arma de propaganda, enquanto o regime prende opositores, sem o devido processo legal, e a Guarda Nacional Bolivariana e os “colectivos” (forças paramilitares e gangues armadas) continuam a perseguir e executar manifestantes nas ruas, e a invadir residências sem qualquer mandato.

Projeto de poder socialista e autoritário
As atitudes da Presidente Dilma Rousseff, e de sua diplomacia, deixam patente que o governo petista é animado – e sempre o foi – por um projeto socialista e autoritário de poder.

No passado muitos repetiam, ardilosamente, que as vias do lulismo eram diversas das do chavismo e que a moderação de Lula continha o radicalismo de Chávez. O tempo se encarregou de demonstrar que o lulo-petismo (hoje na versão Dilma Rousseff) sempre tentou acobertar e salvar em suas crises o “chavismo” (hoje na versão Nicolás Maduro). Quando o regime da Venezuela descamba para a repressão assassina e para a catástrofe econômica, a diplomacia conduzida por Dilma Rousseff e inspirada pela nefasta figura de Marco Aurélio Garcia, tenta cimentar na América do Sul a ditadura do “socialismo do século XXI”, amparada por Cuba, Rússia e China.

Dilma degrada a diplomacia
O jornal O Estado de S. Paulo estampou ontem (13.mar.2014) um editorial inequívoco a este respeito, que gostaria de compartilhar com os leitores deste blog. Seu título: Dilma degrada a diplomacia:

  • A presidente Dilma Rousseff definitivamente rebaixou o Brasil à condição de cúmplice de regimes autoritários na América Latina. Não bastasse a reverência (e o vasto financiamento) à ditadura cubana, Dilma agora manobra para que os atos criminosos do governo de Nicolás Maduro contra seus opositores na Venezuela ganhem verniz de legitimidade política.

    Em vez de honrar as tradições do Itamaraty e cobrar do regime chavista respeito aos direitos humanos e às instituições democráticas, a presidente desidratou a única iniciativa capaz de denunciar, em um importante fórum internacional, a sangrenta repressão na Venezuela, que já matou duas dezenas de pessoas. Mandou o representante do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA) votar contra o envio de uma missão de observadores à Venezuela e impediu que a entidade reunisse seus chanceleres para discutir a crise.

    Como todos os líderes populistas da região, Dilma considera que a OEA é quintal dos Estados Unidos. O falecido caudilho Hugo Chávez costumava referir-se à organização como "instrumento do imperialismo", entre outros nomes menos simpáticos. Para o governo petista, contaminado pelos ares bolivarianos, uma decisão da OEA sobre a Venezuela poderia ser considerada inoportuna e com potencial para acirrar as tensões. Assim, a título de não melindrar Maduro, premiam-se a brutalidade e a indisposição para o verdadeiro diálogo democrático.

    Manietada pelo Brasil e por seus parceiros bolivarianos, a OEA limitou-se a emitir uma nota cuja anodinia mal disfarça a tentação de apoiar Maduro. O comunicado manifesta "solidariedade" ao presidente e dá "pleno respaldo (...) às iniciativas e aos esforços do governo democraticamente eleito da Venezuela" no "processo de diálogo nacional" - como se fosse autêntica a pantomima a que os chavistas chamam de "Conferência de Paz". Estados Unidos, Canadá e Panamá votaram contra essa nota, pela razão óbvia de ela não refletir os compromissos da OEA com a democracia e os direitos humanos.

    O passo seguinte da manobra, este ainda mais escandaloso, foi convocar uma reunião de chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para acertar o envio de um grupo de "mediadores" para a Venezuela. A Unasul, como se sabe, é instrumento dos governos bolivarianos - desimportante, ela hoje só existe para dar reconhecimento a governos claramente antidemocráticos, em nome de uma certa "integração latino-americana".

    Assim, os tais "mediadores" da Unasul não farão nada além do que deles se espera, isto é, fazer vista grossa às ações violentas de Maduro. Ao anunciar a iniciativa, Dilma explicou, em seu linguajar peculiar, que a ideia é "fazer a interlocução pela construção de um ambiente de acordo, consenso, estabilidade, lá na Venezuela". Ora, que "diálogo" é possível quando não se pretende exercer a necessária pressão diplomática sobre Maduro, que reprime manifestantes usando gangues criminosas e encarcera dissidentes sem o devido processo legal?

    Portanto, a constituição de uma comissão na Unasul para a Venezuela tem o único objetivo de deixar Maduro à vontade, sem ser constrangido a recuar e a ouvir as reivindicações da oposição - que basicamente protesta contra a destruição da Venezuela pelo "socialismo do século 21".

    Percebendo o truque, os oposicionistas venezuelanos trataram de enviar uma carta à Unasul em que pedem aos países-membros que observem os acontecimentos no país "com objetividade" e que a entidade "não seja usada como um instrumento de propaganda". Mas é justamente disso que se trata: se tudo ocorrer conforme o script bolivariano, a Unasul vai respaldar o governo Maduro, revestindo-o de legitimidade - o que, por conseguinte, transforma a oposição em golpista.

    Ao tratar de forma leviana este grave momento, em respeito a interesses que nada têm a ver com a preservação da ordem democrática na região, o Brasil torna-se corresponsável pela consolidação de um regime delinquente.
(A ilustração que encima este post é de uma campanha lançada na Venezuela e que se espalhou pelas redes sociais - twitter: @_calavera_)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Democracia falseada

Democracia falseada
Já experimentou, em um encontro de família, em uma roda de amigos, ou em uma reunião de trabalho, indagar aos interlocutores qual o regime político que vigora no País?

Ouvirá, por certo, que vivemos numa Democracia. E muitos justificarão a resposta por termos no Brasil eleições e nossos governantes serem escolhidos pelo povo.

A resposta parece óbvia, mas é um pouco simplista.

Democracia, eleições e sofismas

Aliás, é sobre esse conceito corrente e simplista de Democracia (um regime em que há eleições) que se constroem alguns grandes equívocos, ardis e sofismas.

Quem não ouviu o Presidente Lula defender o regime de Chávez como democrático, porque lá há muitas eleições? Ainda há pouco fez tal afirmação em importante entrevista a Fareed Zacharia, na conhecida cadeia de televisão norte-americana CNN.

Lula parece "esquecer" (na verdade omite!) que Democracia não se resume a eleições, e que estas podem ser desvirtuadas de muitas maneiras, inclusive não respeitando seus resultados, como está fazendo atualmente o caudilho venezuelano.

Democracia representativa

Em nosso País vigora uma democracia representativa. Ou seja, os eleitores escolhem aqueles que vão representar suas aspirações, suas idéias, suas ideologias políticas.

Essa representatividade não é apenas exigível a quem vence e exerce o poder, mas é também exigível a quem fica incumbido de fazer oposição.

Na Democracia não é concebível que a maioria exerça uma tirania sobre a minoria. É importante que os opositores contrabalancem e controlem o exercício do poder.

Atentados à Democracia

Há modos diversos de fraudar a Democracia, que não se restringem ao roubo de votos, e são até bem mais subtis.

Um deles é de a oposição não dar voz àqueles que discordam do governo.

Ora é o que acontece atualmente no Brasil, em que a oposição muitas vezes se cala, ou faz alguns acenos tímidos de enfrentamento que logo esmorecem, coonesta, na prática, boa parte das iniciativas governamentais e, pior ainda, os próprios atos de corrupção ou desmandos institucionais. Já tratei, aliás, desse assunto.

8 Leia Aliança Governo-Oposição

Mas há ainda outros modos de fraudar o caráter representativo da Democracia.

Muitas vezes, durante as campanhas eleitorais, os candidatos não expressam com clareza suas propostas, idéias e metas político-ideológicas. Ao serem eleitos, representam a quem e o quê? Eleitos dessa forma, estarão exercendo um mandato que não lhes foi concedido.

Falta de verdadeiras opções

Quantas vezes não ouvimos alguém dizer, ou não dissemos nós mesmos, que em determinada eleição, na ausência de alternativas, é preciso escolher o menos ruim.

A autenticidade de nossa Democracia fica gravemente mutilada quando o eleitorado se encontra nessa triste contingência.

Não é possível considerar verdadeiramente democrático o regime em que os eleitores não dispõem de um leque suficiente de alternativas, representativas das diversas correntes de pensamento existentes no público.

Menos ainda, quando é a maioria que não dispõe de candidato autêntico, que assuma seus anseios, idéias e objetivos e esteja disposto a batalhar por eles.

Lula confessa inautenticidade das eleições

Parece que, uma vez mais, na eleição presidencial de 2010, estaremos condenados a tal falta de opções, manchando de inautenticidade mais essa eleição “democrática”.

E quem o afirma, e exulta com isso, é o próprio Presidente Lula!

Convido-os a ler um trecho da longa entrevista que este concedeu ao jornal argentino La Nación (19.abr.2009):

  • " LN - O Sr. disse que gostaria que a sua sucessora fosse sua chefe de Gabinete, Dilma Rousseff. Apesar de subir na aceitação popular, ainda está nas pesquisas abaixo de José Serra, do PSDB. Continua a ter uma fé cega em Dilma?

    Lula - Não tenho fé, mas segurança e trabalho político. E sei que Dilma pode ser a futura presidente do Brasil. Para isso temos um trabalho a fazer. Primeiro, o governo tem que governar. Até 31 de dezembro de 2010 estarei trabalhando como se fosse o primeiro dia de meu governo. Em segundo lugar, é preciso construir a coalizão, quem estará conosco, e para isso temos um ano, um ano e pico. Depois é preciso saber se o PT quer que seja ela a candidata. Depois é preciso perguntar ao povo. Uma vez que se cumpra todo o ritual, ela poderá ser candidata. Não me preocupam as pesquisas. Serra já foi candidato a presidente, a governador de São Paulo. Mas posso dizer uma coisa: será um privilégio para este País se se fizer a eleição entre Dilma e Serra. Se os candidatos forem Dilma, Serra e Ciro Gomes, do PSB, também será um luxo. O mesmo, se está Aécio Neves. E isso porque não vejo ninguém de direita aí. Vejo companheiros de esquerda, de centro-esquerda, progressistas. Isso é um avanço extraordinário para o Brasil. "

Maioria condenada ao silêncio

Vejam bem, para Lula é um “privilégio”, um “luxo”, só haver candidatos de esquerda e ninguém de direita. Portanto, segundo o Presidente, o falseamento fundamental do quadro eleitoral, em que é seqüestrado ao eleitor seu direito de ampla escolha, constitui um “avanço extraordinário” para o País. É grave!

Este falseamento do quadro eleitoral, sem qualquer representante das correntes conservadoras, torna-se ainda mais grave se se leva em conta que estudos realizados nos últimos três anos, a respeito das tendências do público, demonstram invariavelmente que a maioria se considera de centro e de direita e defende valores afins.

Apesar de boa parte de nossa imprensa demonizar as chamadas posições conservadoras, o mais recente destes estudos, publicado há meses pela Folha de S. Paulo, mostrou que, entre os jovens, 37% se declaram de direita, 23% de centro e apenas 28% se dizem de esquerda. Além de a grande maioria deles defender valores como a religião, a família, o trabalho, a propriedade e se oporem ao aborto, ao uso de drogas, etc.

As palavras do Presidente são a confissão, ainda que involuntária, de como há um divórcio entre os “representantes” democraticamente eleitos e seus representados, e de como a atual oposição não é, na verdade, oposição, mas mais uma ala dos “companheiros”.

Torna-se fundamental entender bem o sentido deturpado que a palavra Democracia adquire na boca de Lula e de todos os “companheiros” (governo e oposição). Vivemos num regime que realiza eleições, mas que é falseado na sua essência.

É o caso de dizer: Democracia, democracia, quantas fraudes se cometem em teu nome!

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Brasil poupa ditadura norte-coreana

Brasil poupa ditadura norte-coreana
I
mpressionou-me a frase que li, há dias, no El Nacional de Caracas, com a qual um leitor qualificava as atitudes de Chávez na cena internacional: "Soberbo ante o império do norte e genuflexo ante os impérios russo e chinês".

Algo de semelhante se pode dizer de nossa atual diplomacia. As proclamadas atitudes "altivas e pró-ativas", a que tanto gosta de se referir o Chanceler Celso Amorim, envergonham a tradição diplomática brasileira e não escondem seu acentuado viés ideológico.

Subserviência ante aliados ideológicos

Cumplicidade, subserviência, entreguismo e cinismo têm sido, em diversas ocasiões, as marcas da diplomacia "companheira", até em prejuízo dos legítimos interesses nacionais.

As atitudes "altivas e pró-ativas" ante os Estados Unidos, são acompanhadas da subserviência cúmplice com a China e com a Rússia. Ou então com os aliados ideológicos da Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguay, Argentina, entre outros.

Basta recordar a humilhação imposta ao País no caso da invasão militar das instalações da Petrobrás na Bolívia, seguida de confisco de ativos da empresa.

Lula defende o autoritarismo chavista

Lula, que tantos se empenham em apontar como a voz da moderação, tem sido, na verdade, conivente - e, portanto, acobertador - com os desmandos institucionais e as atitudes autoritárias dos "companheiros" Chávez, Evo Morales, Correa, etc.

Ainda há dias o Presidente defendeu o modelo institucional do regime chavista, em entrevista à CNN, alegando seu caráter "democrático".

Isso, quando analistas e políticos, de todo o mundo, apontam a escalada autoritária do venezuelano, com prisões de adversários políticos, desrespeito aos resultados eleitorais, reedição de leis rechaçadas pela população em referendo, esvaziamento do poder de autoridades da oposição, tomada de portos e aeroportos pelas Forças Armadas, criação de milícias civis armadas, tentativas de subjugar a liberdade de imprensa, etc.

Também Marco Aurélio Garcia, assessor especial do Presidente para Assuntos Internacionais, na recente cúpula de Líderes Progressistas, no Chile, defendeu com ênfase o atual populismo na América Latina, citando como exemplo altamente positivo o regime de Chávez.

Cumplicidade com ditaduras

A política externa do Brasil, sob o governo Lula, tem ainda mostrado constrangedoras alianças ou cumplicidades com regimes ditatoriais e até mesmo com o terrorismo.

Na perspectiva da 5ª Reunião da Cúpula das Américas, a ser realizada em Trinidad e Tobago, Celso Amorim afirmou que o grande teste para o Presidente Barack Obama será a relação com Havana.

O Chanceler defendeu o diálogo do governo norte-americano com o regime comunista, "sem condições prévias" (cfr. Folha de S. Paulo, 10.abr.2009). Ou seja, Amorim exige o "diálogo", com a preservação da ditadura castrista.

Fome, tortura e perseguição

Para entender o que a atual diplomacia lulo-petista entende por "multilateralismo" e para que finalidade advoga um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, vale a pena ler a seguinte matéria da Folha de S. Paulo (27.mar.2009), intitulada Brasil poupa regime norte-coreano na ONU:

  • " O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou ontem uma resolução que condena duramente as "graves violações" dos direitos humanos na Coreia do Norte e exorta a ditadura asiática a rever a decisão de barrar as missões de inspeção da organização. O texto foi adotado sem o endosso do Brasil, que se absteve na votação.

    O governo brasileiro vinha sendo pressionado pelo Japão, um dos patrocinadores da resolução, a apoiar o texto. Em gestões feitas em Brasília e Genebra, os japoneses tentavam convencer o Itamaraty de que um voto de abstenção seria uma forma de incentivar os abusos norte-coreanos.

    Não funcionou. O Brasil preferiu evitar o confronto e dar uma chance à Coreia do Norte, mesmo depois da apresentação de um relatório repleto de atrocidades cometidas pelo regime. Fome, tortura e perseguição política fazem a rotina de horror dos norte-coreanos, segundo o documento. Uma tirania onde até vestir jeans, usar a internet ou assistir a novelas da Coreia do Sul pode dar cadeia.

    A votação era uma das mais esperadas da atual sessão do Conselho de Direitos Humanos, que termina hoje em Genebra. A atenção cresceu com a notícia de que o isolado regime norte-coreano prepara o lançamento de um míssil de longo alcance, o que preocupou os vizinhos. O intuito, diz Pyongyang, é pôr um satélite em órbita.

    No final, a resolução foi aprovada com 26 votos a favor, 15 abstenções e 6 contra. O documento "deplora os abusos sistemáticos", como o uso de tortura e campos de trabalho forçado. (...)

    Ao justificar seu voto de abstenção, o Brasil disse que espera que a Coreia do Norte aproveite a "janela de oportunidade" para melhorar sua colaboração com o Conselho. (...)

    O país decidiu "dar uma chance" aos norte-coreanos, disse Farani (embaixadora do Brasil em Genebra), diante da promessa de que colaborarão com os mecanismos do Conselho, entre eles o UPR. "Não estamos passando a mão na cabeça deles. Esperamos respostas."

    Após a votação, o embaixador japonês disse que estava "decepcionado" com a decisão do Itamaraty. "Tivemos intensos contatos com o governo brasileiro, aqui e em Brasília, mas não adiantou", afirmou Sumi Shigeko. Para ele, "não é claro" o motivo da abstenção.

    A decisão do Brasil de não condenar regimes acusados de violações graves, como Sudão, Congo e Coreia do Norte, é alvo de críticas de defensores dos direitos humanos. O Itamaraty alega ser mais produtivo buscar o diálogo do que isolá-los.

    Na mesma sessão, foram votadas cinco resoluções ligadas ao conflito israelo-palestino, algumas com fortes críticas a Israel. O Brasil votou a favor de todas elas, que foram aprovadas por quase unanimidade. "
Evitar o confronto, buscar o diálogo e dar chances, são as consignas da cumplicidade. Sempre a política de "dois pesos e duas medidas", a favor dos aliados ideológicos, até mesmo quando estes mantêm campos de trabalhos forçados.

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Eleições municipais: ruiu o "castelo de cartas"

Eleições municipais: ruiu o "castelo de cartas"
O segundo turno das eleições municipais foi a pá de cal no projeto lulo-petista de hegemonia política, com contornos "democráticos".

Não faltarão outras tentativas, mas esta ruiu como um verdadeiro "castelo de cartas", mostrando o quanto as máquinas de propaganda estão desgastadas e a sociedade é avessa às aventuras autoritárias da esquerda.

A meta era transformar as recentes eleições municipais em um plebiscito, que consagrasse a tão proclamada popularidade do Presidente Lula e de seu governo e assegurasse, desde já, a transição de 2010.

Lula se consolidaria como o único político na cena nacional com peso suficiente para indicar um nome viável à sucessão presidencial. Partidos e figuras da oposição sairiam enfraquecidos e minguados da disputa, com dificuldade de ser alternativa ao governismo lulo-petista.

Convido-os a fazer comigo um breve retrospecto.

Popularidade alimentada por pesquisas
Há meses Lula "surfava" numa onda de popularidade, alimentada por pesquisas de opinião cada vez mais desconcertantes.

Os índices de aprovação não paravam de subir e se tornaram acachapantes: Lula beirava os 80% e seu governo 70%. Ao mesmo tempo as pesquisas proclamavam que até os antigos redutos de resistência e oposição a Lula tinham cedido. A própria classe média agora se mostrava favorável ao Presidente e por toda a parte o êxito era incontestável.

Sem qualquer pudor, falou-se até de Lula como o líder político de maior prestígio no mundo.

8 Leia Eleições municipais: dogma virtual

Tais dados de pesquisas, profusamente comentados e repetidos na mídia, além de aceitos como incontestes por muita gente, criavam um efeito psicológico e transmitiam a idéia de que qualquer oposição ao Presidente era inútil e sem futuro. Era necessário conformar-se.

A oposição não encontrava (ou simulava não encontrar) um discurso, mostrando-se e confessando-se desorientada.

Máquina de propaganda regada a petróleo
Simultaneamente, o País era bombardeado regularmente com notícias alvissareiras de achados fabulosos de petróleo.

Planos de exploração do chamado pré-sal, com promessas de aplicação de fundos em educação e saúde, tornaram-se verdadeiras obras-primas de ficção e propaganda política. Com as mãos sujas de óleo, ao estilo de Getúlio, Lula parecia tocar e oferecer uma prosperidade sem limites aos brasileiros.

O Presidente chegou a ser saudado, pelo "companheiro" Chávez, como magnata do petróleo e se aventou a hipótese de o Brasil entrar na OPEP.

Lula aparecia e se proclamava como um predestinado!

A economia ia (ou parecia ir) bem e todos falavam do "momento mágico" que o país atravessava.

Hegemonia endossada pela mídia
Lula reinava isolado na cena política, governando pouco, viajando muito e discursando sem parar. E já tinha carimbado, com sua mão negra de petróleo, a companheira Dilma como sua provável sucessora.

A mídia, quase como um todo, endossava este ambiente psico-político. O clima já era de hegemonia, a ser consagrado nas urnas, de modo devastador e "democrático". Falava-se na "onda vermelha".

A partir de uma vitória eleitoral inequívoca, com um Congresso subserviente e uma oposição desconjuntada, estariam abertas as portas para o aventureirismo político: uma mini Constituinte? Um terceiro mandato? Cada um é livre de fazer suas conjecturas.

O "dogma" da transferência de popularidade
Em face desse quadro de fundo, era necessário jogar todas as fichas - e a máquina do Governo Federal - na presente eleição municipal, para a conquista do maior número de prefeituras, com preferência para os grandes centros urbanos.

Muitos asseveravam que, devido à fraqueza dos partidos e ao carácter personalista da política no Brasil, Lula facilmente transmitiria sua popularidade crescente aos apadrinhados (seus e do governo), antecipando o que aconteceria em 2010.

O Presidente traçou um plano e destacou forças-tarefa de ministros para ativarem a máquina eleitoral, o que foi anunciado até em importantes órgãos de imprensa estrangeiros.

Marta Suplicy, a candidata símbolo
Não é difícil compreender que S. Paulo era, evidentemente, peça-chave nesse jogo. Por isso Lula decidiu envolver-se pessoalmente na disputa.

Tudo indica que a promessa do Presidente a Marta Suplicy foi, no caso de uma vitória assinalada, designá-la como candidata do PT à eleição presidencial em substituição a Dilma Roussef.

A promessa procedia, segundo a lógica simplista do lulo-petismo. O Presidente, com seu prestígio, elegeria Marta prefeita. Depois a designaria candidata à Presidência, transferindo seu imenso potencial de votos e fazendo sua sucessora vitoriosa em 2010.

Pela importância de S. Paulo, pela visibilidade da disputa, pela relevância da candidata petista, pelo empenho pessoal do Presidente, a cidade tornou-se o palco e uma espécie de parábola para o País.

Permitam-me, pois, que analise com um cuidado particular o que se passou na disputa eleitoral pela Prefeitura.

Desconcerto ante o governismo triunfante
Ao ter início a corrida eleitoral já as pesquisas apresentavam Marta Suplicy liderando com uma vantagem folgada.

No campo da oposição instalava-se uma briga intestina, com duas candidaturas que se digladiavam, parecendo perder o rumo e desacreditando essa mesma oposição. Essa discórdia só gerava desconcerto e desânimo na faixa de público que não aderia ao lulo-petismo.

Enquanto só o PT (com o apoio de Lula) parecia prosperar sem problemas, as intenções de voto de Marta cresciam e falava-se até em vitória no primeiro turno. O Presidente dizia acreditar nisso e convocava a militância para "liquidar a fatura" logo.

Lula veio fazer carreatas com a candidata e no ar ficava a sensação da inoperância de todas as forças políticas perante o governismo triunfante.

Como disse, tudo (do governo à oposição) era uma parábola para o País.

Urnas desmentem pesquisas
Chegaram as eleições. Marta mantivera a liderança nas pesquisas do primeiro ao último dia... e na boca de urna. Surpresa! Kassab venceu o primeiro turno.

O desmentido fragoroso das pesquisas tinha igualmente um lado de parábola em relação a Lula. Não seriam também inconsistentes as pesquisas da popularidade de Lula? O que é fato é que as urnas desmentiram essa popularidade. E não só em S. Paulo!

Com resultados bem desfavoráveis por todo o País, era necessário tentar virar o jogo em S. Paulo. Uma vitória de Marta ainda podia dar certo fôlego ao lulo-petismo.

Sai de cena o "paz e amor"
Com o segundo turno, a máquina comandada por Lula, tirou a máscara, e mostrou do que é capaz na briga política. Ou seja, deixou evidente que o lulo-petismo apenas usa o sistema democrático para atentar contra ele e, se possível, eliminá-lo.

O Presidente designou seu secretário-particular, Gilberto Carvalho, para coordenar a campanha de Marta Suplicy. Tinha início a fase dois.

Logo em seguida, dez ministros desembarcaram em S. Paulo para subir no palanque com a candidata. Nos discursos transpareceu todo o rancor autoritário do lulo-petismo.

Para Dilma Roussef, crer na vitória contra o PT, era "prova de soberba, de elitismo e descompromisso com a democracia".

Tarso Genro atacou os tabus conservadores da elite e disse que a candidata era alvo de preconceito.

Luiz Dulci afirmou não ser possível ter uma das maiores metrópoles do mundo na mão de um síndico conservador.

Para Aldo Rebelo, vice de Marta, "São Paulo se transformou no último barco à deriva para os náufragos das forças conservadoras do Brasil".

Carlos Lupi mostrou inconformidade "em ver São Paulo na mão de uma direita disfarçada".

Não sei se percebem que no léxico político do lulo-petismo ser da elite ou ser conservador e de direita é, de si, quase um crime. As forças conservadoras não têm vez na "democracia" do PT.

Veio depois a baixaria da propaganda do horário político. A campanha da petista investiu com insinuações a respeito da vida particular de Kassab. E Marta, em entrevista televisionada, encenou a farsa do "eu não sabia".

O lulo-petismo e seu braço sindical infiltraram e tentaram manipular uma manifestação de policiais civis em greve, instigando um confronto armado com a Polícia Militar, nas proximidades do Palácio do Governador, que esteve a ponto de causar uma tragédia de gravidade incalculável.

Num último extertor de desespero, o lulo-petismo clamou pelo socorro de sua verdadeira força inspiradora: a "esquerda católica". Mais de 100 padres assinaram um documento que deveria ser lido nas paróquias para dar apoio explícito a Marta Suplicy. A manobra foi arquitetada por Gilberto Carvalho (ex-seminarista e elo de ligação do governo com a CNBB) e D. Pedro Luiz Stringhini.

A indignação nos meios católicos foi de tal monta que o bispo auxiliar de S. Paulo teve que recuar e pedir desculpas públicas.

Lula, terminou a campanha ao lado de Marta, com discurso agressivo e populista e envergando uma camisa vermelha ao estilo "chavista".

"O jogo virou de ponta-cabeça"
Os resultados do segundo turno são conhecidos de todos. O desvelar do lado agressivo e esquerdista da candidata de Lula fizeram aumentar o repúdio do eleitorado. A derrota foi massacrante. Ruiu o "castelo de cartas". A parábola, era também a imagem do lulo-petismo em boa parte do País.

Dias antes do segundo turno, na previsão do que aconteceria nas urnas, Raymundo Costa, escreveu no jornal Valor (21.0ut.2008): "Enfim, o jogo que era armado antes da eleição virou de ponta-cabeça e recomeça em outras bases".

E a jornalista Dora Kramer, no jornal O Estado de S. Paulo (24.out.2008), dois dias antes do segundo turno afirmava, em artigo intitulado Quadrilátero da saia-justa:

  • "De cada ângulo que se olhe, essa eleição municipal revela fatos e consolida evidências que derrubam teorias eleitorais recentemente elaboradas a partir de um único dado: a popularidade do presidente Luiz Inácio da Silva.

    A campanha do segundo turno revogou a crença inabalável de políticos e marqueteiros na doutrina "paz e amor" ....

    No primeiro turno as urnas já haviam derrubado o mito do "poste", desmentido assertivas sobre a transferência automática de votos e arquivado a idéia do Palácio do Planalto de transformar o resultado da eleição de prefeitos numa interpretação plebiscitária sobre o governo Lula, com o objetivo de estabelecer desde já as balizas para a armação do jogo da sucessão presidencial em 2010."
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Cinismo democrático

Cinismo democrático
O mundo tomou conhecimento das "mudanças" em Cuba, após a renúncia de Fidel Castro. Continuismo, com Raul Castro no comando e Fidel nos bastidores.

"Fidel é insubstituível" afirmou Raul em seu discurso de posse, e continuará a ser consultado nas decisões mais importantes.

O novo presidente afirmou ser necessário, para garantir a invulnerabilidade da revolução, fortalecer o Partido Comunista, "único heredeiro digno" de Fidel. Tudo dentro do socialismo, pedra angular da revolução.

Com a perpetuação nos cargos dirigentes, a velha guarda permanece no poder.

Povo cubano "decidirá" o futuro
O jornal Juventud Rebelde, órgão da Juventude Comunista, admitiu que na Ilha haverá reformas, mas advertiu que "o que se muda, quando se muda e como se muda é assunto exclusivo daqueles que fizeram a Revolução e dos que hoje em dia a mantêm viva".

É esta imposição ao povo cubano, da parte "daqueles que fizeram a Revolução", que o Presidente Lula - no que eu chamo de cinismo democrático - qualifica de o povo cubano decidir o seu futuro, sem interferências.

Há uma coisa que não consigo entender. Como ainda há gente que acredita, sinceramente, que Lula mudou e é um democrata?

Lula simula apoio à democracia política
Em seu projeto de poder, Lula está apenas acuado por uma situação política, social e econômica complexa e adversa.

A classe média, em boa medida, se afastou e recusou suas aventuras ideológicas. Os que nessa classe ainda o apoiam, o fazem mais por vantagens imediatas de uma situação econômica favorável.

Nas classes pensantes e dirigentes, cresce a recusa ao Presidente e a seus planos autoritários. E até mesmo, entre a intelectualidade esquerdista (de vários matizes) Lula perdeu apoio.

Entre as camadas menos instruídas e com menos recursos, beneficiadas pelo Bolsa Família e outras benesses, o Presidente encontra um apoio imediatista e desinformado, jamais um apoio ideológico.

Só uma minoria engajada, continua a apoiar fervorosamente a meta ideológica (escondida) do PT e do Presidente.

Pela necessidade de contemporizar, na esperança de reverter este quadro profundo, Lula simula um apoio ao regime de liberdades, dito democrático. Mas, quando pode, acena com suas convicções autoritárias de esquerda e, por vezes, tenta impingi-las ao País.

Competência e caráter de um tirano
É fácil constatar. O apoio que Lula dá a Fidel Castro e a seu regime comunista é inequívoco. Para Lula, Fidel é o único mito vivo da humanidade, mito construído - ainda segundo o Presidente - à base de muita competência e muito caráter!?

Sim, a "competência e o caráter" de um tirano, assassino, perseguidor de inimigos políticos e religiosos, que reduziu Cuba a uma das misérias sociais e morais mais abjetas e prolongadas no Ocidente.

Lembrem-se, como diz o ditado, o pior cego é aquele que não quer ver. Fidel, há quase cinqüenta anos, também falava em nome da democracia e das liberdades. E foi só ter oportunidade que se apressou a instaurar sua ditadura comunista.

Lula, um amante da revolução cubana
O jornal O Estado de S. Paulo (20.fev.2008), em um caderno especial dedicado à renúncia de Fidel Castro, estampou matéria sobre as reações de Lula ao fato, intitulada Para Lula, Fidel é mito vivo da história. As declarações do Presidente são reveladoras do cinismo democrático que anima sua atuação política:

  • "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, mesmo com sua renúncia, o líder cubano Fidel Castro segue sua trajetória como “o único mito vivo da história da humanidade”. Sem esconder a emoção - ao lembrar da amizade com Fidel e de sua identificação com a revolução cubana - Lula disse que agora cabe ao povo cubano decidir qual será o futuro de seu sistema político.

    “Fidel é o único mito vivo da história da humanidade e acho que ele construiu isso à custa de muita competência, muito caráter, muita força de vontade e também de muitas divergências, ou seja, muita polêmica”, disse o presidente ....

    Na avaliação de Lula, o fato de Fidel ter tomado a decisão de se afastar permite que todo o processo de transição do governo transcorra de forma tranqüila. “O Brasil está satisfeito. Que seja assim, um processo muito tranqüilo. O que nós temíamos era uma situação adversa, que isso acontecesse em um sistema turbulento, em que os cubanos de Miami tentassem achar que já era dia de voltar para Cuba e transformar Cuba num território de conflito”, afirmou. ....

    O presidente aproveitou para elogiar o irmão de Fidel, Raúl, que comanda o governo interinamente desde 2006. Disse que comanda as Forças Armadas desde a tomada do poder pelos revolucionários, como muita experiência e “uma visão de mundo muito importante.” ....

    Ao comentar que Fidel escreveu quatro artigos no jornal comunista Granma sobre o encontro que tiveram, Lula lembrou a amizade de 23 anos com o líder cubano. “Sou da geração que se transformou em amante da revolução cubana”, acrescentou.

    Emocionado, Lula lembrou o apoio que recebeu de Fidel ....

    O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP) observou que a renúncia indica que a transição do poder em Cuba está sendo feita de forma tranqüila. “Fidel é uma figura central e continuará sendo. Ele está produzindo a transição em vida”, disse o deputado."
Para finalizar, uma breve nota: muito se tem falado da corrupção, dos crimes perpetrados pelos "aloprados", etc. Tudo isso visa uma só coisa: um projeto de poder, autoritário e, no fundo, castrista!

Afinal, para os petistas, Fidel continuará a ser uma figura central.

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domingo, 6 de janeiro de 2008

A ditadura da mentira política

A ditadura da mentira política
O Ano Novo já trouxe para os brasileiros desagradáveis notícias... provindas, evidentemente, do governo. Como tive oportunidade de comentar aí em baixo, no "apagar das luzes", Lula desferiu quatro golpes no País (leia Ano Novo, Governo Velho).

O primeiro deles, o aumento de impostos, tem uma nota particular: a mentira descarada, e as desculpas esfarrapadas.

Alguém dirá que isso é prática comum entre os políticos. E, realmente, é. Mas a mentira será assim tão inócua no processo político?

Desmoralização das instituições
Santo Agostinho, com a clareza sábia de suas palavras, assim definiu a mentira: "Dizer o contrário do que se pensa, com intento de enganar".

Ora os políticos, e, sobretudo, os governantes que fazem da mentira uma arma habitual, com o intento de enganar, desnaturam a própria essência do regime de liberdades que tanto apregoam. Enganam, e com isso acabam com a confiança que deve caracterizar a democracia representativa.

Mentir, como arma de poder, é um ato autoritário, que gera corrupção, e que tem como correlato apresentar-se como detentor do monopólio da verdade. Afinal não é o que ouvimos a torto e a direito?

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva define-se como uma "metamorfose ambulante"; apregoa aos quatro ventos que ninguém no Brasil tem mais ética do que ele; diz-se "enganado" nos escândalos de corrupção que atingem seu governo; nega que aumentará impostos quase na véspera de o fazer. É uma prática que desmoraliza as instituições.

Ensaio sobre a mentira
O professor titular do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP, Roberto Romano, traça um interessante quadro sobre a prática da mentira, a partir do aumento de impostos negado por Lula e decretado por ele!

No artigo intitulado Breve ensaio sobre a mentira, publicado no jornal O Estado de S. Paulo (6.jan.2008), Roberto Romando relembra a "explicação" do Ministro Mantega para a mentira de Lula: "O compromisso de Lula era de não promover alta de impostos em 2007. E de fato não o fez. Estamos fazendo em 2008".

O cinismo do Ministro, bem ao estilo do lulo-petismo, é gritante. Vejamos, pois, o que ele encerra:

  • "Nos EUA existe um serviço oficial para fiscalizar a aplicação das leis e a obediência do governo à fé pública. Trata-se do GAO (Government Accountability Office). Ninguém afirma que naquela federação a palavra dos governantes segue padrões perfeitos, mas o princípio é mantido. No Brasil não existe nada semelhante, e a maioria dos políticos - sobretudo os que deixam a oposição e se instalam no poder - nem sequer imagina o significado da palavra empenhada. A prática usual é deixar de lado compromissos solenes tendo em vista interesses eleitorais e outros menos confessáveis.

    Em nossa terra, a responsabilidade ética na administração é anulada pela propaganda política, pessoal ou partidária, e as instituições tornam-se meros instrumentos dos governantes. .... Elas afirmam algo hoje, e amanhã (literalmente, como no caso dos impostos agora aumentados), anunciam o contrário. ....

    Dizer o contrário do que se pensa significa manipular.... E a trapaça não constrói um Estado democrático, porque neste último a palavra empenhada é a essência da política, ao contrario dos regimes ditatoriais. ....

    No regime político contrário à liberdade, a licença para mentir permite considerar desiguais governantes e governados. O máximo dessa desigualdade ocorreu nos totalitarismos nazista e comunista. O Diário Oficial soviético chamava-se Pravda (Verdade), mas raramente alguma frase verdadeira surgia em suas páginas. .... A sua essência é a dominação tirânica, pois a cidadania não consegue recusar ou mesmo detectar o engodo. Fé pública e verdade são os esteios dos deveres, das leis, dos contratos. .... O poder mentiroso se caracteriza por reivindicar para si mesmo o monopólio da verdade. É por semelhantes razões que o mundo político brasileiro começa mal o ano de 2008.

    O Executivo federal não respeitou acordos com a oposição e deixou os contribuintes indignados com o ardil, para conseguir a DRU, de prometer não aumentar impostos. Ao proclamar que não aumentaria tributos devido à perda da CPMF, o governo disse “o contrário do que se pensava, com intento de enganar”. Como as instituições civis dependem da confiança (isto é verdade no mercado, em vínculos financeiros, na indústria, nas relações familiares, culturais ou esportivas, etc.), quando os administradores do Estado não se comprometem com o que falam, semeiam desconfiança geral. Eles conseguem algum proveito com suas espertezas, mas os ganhos resultam na corrosão da fé pública, único sustento do Estado de direito. ....

    Ao não cumprir sua palavra, o Executivo federal subverte o Estado. .... A mentira gera corrupção ampla quando ocorre assimetria de poderes entre os que mentem e os enganados. .... Que os poderosos inimigos da ética nos poupem suas desculpas, pois elas insultam a inteligência dos contribuintes".
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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Lula e a "democracia" na América Latina

Lula e a "democracia" na América Latina
As últimas semanas têm-se mostrado muito reveladoras no que diz respeito aos avanços do totalitarismo de esquerda na América Latina.

E o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem acompanhado essa marcha com declarações e atitudes - surpreendentes para alguns - que vão deixando a nu o caráter igualmente totalitário e socialista de suas convicções políticas.

É o caso de dizer que só não vê quem não quer!

Apoio ao "SIM" na Venezuela
Há poucas semanas o presidente chocou o País com sua defesa comprometedora de Hugo Chávez e de seu regime totalitário. Inventem outra coisa para criticar o Chávez, mas por falta de democracia não é, afirmou Lula.

Tais declarações envolviam, evidentemente, apoio às transformações radicais que Chávez pretendia consagrar na Venezuela, terminando de instaurar no país um estado socialista totalitário.

O apoio de Lula visava influenciar o referendo que Chávez convocara para ratificar a mudança da Constituição aprovada pelo Congresso, totalmente submisso a seus ditames (leia Lula, o "chavista" dissimulado).

Chávez entendeu bem o apoio de Lula e o usou com largueza na propaganda a favor do "SIM" (leia Chávez comemora apoio de Lula).

Morales: a "coisa" mais extraordinária
Agora foi a vez de Lula tecer elogios rasgados ao "companheiro" Evo Morales. Ele foi "a coisa (sic!) mais extraordinária" que aconteceu recentemente na América do Sul, pois ele é "a cara da Bolívia".

Tais elogios, proferidos em Buenos Aires, surgem no preciso momento em que o presidente da Bolívia acaba de consumar uma série de golpes institucionais (sim, golpes!) para impor ao país a Constituição "bolivariana" que não conseguiu fazer aprovar pelas vias legais.

Evo Morales, eleito em 2005, transformou a Bolívia num verdadeiro protetorado do coronel Hugo Chávez, e adotou integralmente seu "bolivarianismo".

Chávez tem interferido largamente na vida política boliviana, enviando somas elevadas - e não contabilizadas - de petro-dólares, destinadas a comprar políticos; tem promovido operações de militares venezualanos em território da Bolívia; e fornece até os guarda-costas do presidente boliviano.

As declarações elogiosas de Lula, mais uma pérola ideológica da diplomacia "companheira", comprometem o Presidente com o golpismo de Evo Morales. Afinal o que Lula vai mesmo fazer à Bolívia nos próximos dias?

Palavras de sentido cifrado
É, pois, de suma importância tomar conhecimento do editorial do jornal O Estado de S. Paulo (11.dez.2007), o qual narra com precisão o processo político empreendido por Morales.

A leitura nos faz ter uma noção clara do que Lula, seus colaboradores e seguidores (como o inefável Marco Aurélio Garcia) entendem por "democracia".

Não nos iludamos! As palavras na boca dos lulo-petistas têm um significado diverso e cifrado. É o caso de "democracia".

Convém não esquecer que, diante dos protestos maciços da população de Sucre contra o golpismo de Evo Morales, este lançou sobre os manifestantes a repressão policial, causando a morte de três bolivianos.

Vamos, pois, à leitura do editorial Golpe na Bolívia:

  • “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em Buenos Aires, pela enésima vez, que Evo Morales foi “a coisa mais extraordinária” que aconteceu recentemente na América do Sul, pois ele é “a cara da Bolívia”. De fato, Evo Morales não desmerece a maioria de seus antecessores. Em menos de duas semanas aplicou dois golpes nas instituições, calando a oposição e impondo ao país uma constituição que lhe permitirá ficar no poder até 2018, centralizará a atividade econômica nas mãos do Estado e dividirá o país em áreas indígenas - lá existem 36 etnias -, com autonomia administrativa e tribunais próprios, obedecendo a uma legislação específica.

    O primeiro golpe foi dado no dia 24. Depois de mais de um ano sem que conseguissem votar um único artigo do projeto feito por Evo Morales, seus seguidores transferiram a sede da Assembléia Constituinte, em Sucre, para um quartel e, na calada da noite, aprovaram todo o texto - acrescido de dispositivo que permitia a reeleição indefinida do presidente -, obviamente sem a participação da oposição. O texto foi aprovado por 138 dos 255 constituintes, violando, assim, a legislação que condicionava a aprovação ao apoio de dois terços dos deputados.

    No sábado, a Constituinte foi transferida para uma universidade em Oruro, cidade controlada pelos partidários de Morales. Lá se reuniram 164 deputados que tiveram o cuidado formal - mas nem por isso menos golpista - de mudar as regras do jogo, para permitir que a constituição fosse aprovada por dois terços dos presentes, e não de todo o corpo parlamentar, como determinava a lei que convocou a Assembléia Constituinte. A maior parte dos deputados da oposição, que esperavam que a sessão fosse instalada em Cochabamba, não chegou a tempo em Oruro. Os poucos que compareceram decidiram não participar da pantomima, depois de deixar claro à Assembléia que o que lá se passava era ilegal.

    Impedidos de deixar o recinto por uma multidão que cercava o prédio - e de vez em quando explodia cargas de dinamite para estimular o ânimo reformista dos constituintes -, em 16 horas de trabalho os deputados aprovaram o texto da nova constituição, que será submetida a referendo. Neste segundo turno, deveriam ser votados todos os mais de 400 artigos da constituição, um por um. Mas todos tinham pressa, não havia oposição a exigir o respeito à lei, e votou-se tudo em bloco, por capítulos. Muitos dos deputados não dispunham de cópia do projeto, para acompanhar o que estava sendo votado.

    Explica-se a pressa de Evo Morales e os seus expedientes golpistas. A Assembléia tinha até o dia 15 deste mês para cumprir o objetivo de sua convocação. Passou, no entanto, mais de um ano perdida em discussões sobre procedimentos, sem que a maioria liderada pelo Movimento ao Socialismo conseguisse vencer a obstrução da minoria. E o que a minoria queria não era nada extraordinário: respeito à propriedade privada e à livre empresa e autonomia política, administrativa e fiscal aos nove departamentos (Estados), que até o ano passado tinham seus governadores nomeados em La Paz.

    Os governadores de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Cochabamba, que se opõem a Evo, anunciaram que não acatarão a nova constituição e já conclamam a população à desobediência civil. Os governadores de La Paz e de Chuquisaca não integram o bloco de oposição, mas não apóiam Evo Morales, que só conta com os departamentos de Oruro e Potosí. ....

    Com o golpe deste final de semana, Evo Morales ampliou as divisões do país e aumentou as possibilidades de que haja uma reação violenta aos seus desmandos.”

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Não só com eleições se faz uma democracia

Não só com eleições se faz uma democracia
Depois do primeiro impacto, o jornalismo engajado com o lulo-petismo tenta passar para segundo plano a vitória do "NÃO" no referendo da Venezuela.

Havia, evidentemente, uma enorme torcida por parte de toda a esquerda para que Hugo Chávez vencesse. E assim, "democraticamente", instaurasse sua ditadura socialista.

Chávez utilizou-se de todos os meios para triunfar, muitos deles bem longe das práticas habituais nas democracias autênticas. Entretanto, perdeu!

Chávez "demonstrou" ser um líder democrático
A derrota deixou as esquerdas, especialmente aquelas alinhadas com o "chavismo", num estado de prostração indisfarçável. Precisavam, pois, conseguir algo que lhes pudesse servir de trunfo nessa situação.

Agarraram-se, então, ao grande "argumento". Ao aceitar a derrota, Chávez teria demonstrado, de modo inequívoco, que na Venezuela, ao contrário do que dizem seus opositores, não há um regime autoritário, mas uma verdadeira democracia.

O argumento é capcioso. Já mostrei aqui, baseado nas palavras do próprio Chávez, como a aceitação da derrota foi um ato voluntarioso, pois o próprio presidente venezuelano descreveu seu "dilema" (leia O misterioso dilema de Chávez).

Além disso, pouco mais de 24 horas decorridas do referendo, Chávez já declarou que, na prática, a vitória não teve alcance nenhum e que ele dará um jeito (democrático?!) de aprovar sua reforma constitucional.

Evitado novo golpe na democracia
O jornalista Ali Kamel, em artigo publicado no Globo (4.12.2007), faz uma brilhante análise a propósito desta atitude velhaca dos meios mais chegados ao lulo-petismo, favoráveis a reformas "chavistas" em nosso país, e, no fundo, cúmplices do regime autoritário que Chávez impôs à Venezuela:

  • “A vitória do “não” na Venezuela assanhou os setores antidemocráticos e autoritários aqui do Brasil. Muitos tentaram demonstrar que a derrota de Chávez era a prova de que seus críticos são injustos: a Venezuela seria uma democracia pujante, em que o presidente submete suas idéias ao povo e acata os resultados, tudo muito normal. A vitória do “não” foi sem dúvida uma vitória dos democratas venezuelanos, mas, nem de longe, a evidência de que o regime em vigor naquele país é democrático. O que se evitou ali foi mais um golpe na democracia, o definitivo sem dúvida, mas, para que a liberdade volte a ser uma realidade, o caminho ainda é longo. Já se tornou um chavão, mas é inevitável repeti-lo: eleições são fundamentais numa democracia, mas, por si só, não atestam que um regime seja democrático.

    Depois de eleito em 1998, Chávez, por decreto, decidiu fazer uma consulta popular para que o povo aceitasse ou não a convocação de uma Constituinte, que teria por objetivo implantar a "revolução pacífica bolivariana". O Congresso, eleito apenas um mês antes (portanto, perfeitamente legítimo), decidiu resistir, alegando que o presidente não tinha o poder de fazer tal consulta. Mas a Suprema Corte do país, para agradar a Chávez, não somente autorizou o plebiscito como deu ao presidente o direito de ditar as regras eleitorais para a eleição dos constituintes. O que fez Chávez? Para aquela eleição, acabou com o voto proporcional e instituiu o voto majoritário, em que o vencedor de um distrito leva todos os votos. E mais: nas cédulas eleitorais, proibiu a menção a partidos, mas apenas ao nome ou ao número dos candidatos. Assim, os partidários de Chávez tiveram 55% dos votos, mas, dado o sistema majoritário, obteve 92% dos assentos na Constituinte. Se o voto proporcional tivesse sido mantido, seus oponentes teriam ficado com 45% das cadeiras e não com apenas 7%.

    A Constituinte nasceu com esse vício de origem, o que não a impediu de promover uma escalada autoritária: decretou a extinção do Congresso e procedeu a um expurgo no Judiciário, com mais de um terço dos juízes sendo demitidos sumariamente, sem direito a defesa. O atual Congresso, unicameral, tem 100% de partidários de Chávez, já que a oposição, em protesto contra leis eleitorais que a prejudicavam, boicotou as eleições. Não é à toa que, em janeiro deste ano, os deputados foram unânimes ao aprovar uma excrescência: deram a Chávez, pela segunda vez desde 1998, o poder de governar por decretos por um ano e meio, a contar de fevereiro.

    O Judiciário é outra calamidade. Logo depois da Constituinte, 20 juízes foram indicados para a Suprema Corte, todos, de início, simpáticos ao presidente. Com o tempo, a corte se dividiu, o que levou Chávez a aprovar uma nova lei para o Judiciário, aumentando para 32 o número de juízes, eleitos, por maioria simples, para um mandato de 12 anos. Ou seja, de uma só vez, Chávez poderia indicar juízes em número suficiente para voltar a ter uma maioria folgada. Mas não foi só: a nova lei dava ao Congresso a possibilidade de afastar qualquer juiz cuja conduta fira a majestade do cargo ou solape o bom funcionamento da Justiça, seja lá o que essas duas coisas venham a significar. Com essa espada sobre suas cabeças, como falar em independência dos juízes?

    Num ambiente como este, a Venezuela precisará ainda de muitas vitórias dos democratas para que possamos considerar o país uma democracia.”
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terça-feira, 4 de dezembro de 2007

O misterioso dilema de Chávez

O misterioso dilema de Chávez
Hugo Chávez, o coronel golpista (sim, ele em idos tempos foi protagonista de uma tentativa de golpe de Estado) sofreu forte revés em sua marcha rumo a um estado totalitário socialista. O "NÃO" venceu.

Comentei aí em baixo (ver O ditador derrotado) o significado de tal revés. Entretanto, o assunto está longe de ser esgotado.

Derrota maior que a anunciada
Os esquerdistas dos mais diversos matizes - e os lulo-petistas, sobretudo - tentam agora dizer que estão "felizes" com o resultado, que Chávez provou que há uma democracia na Venezuela, e assim por diante.

Entretanto, à medida que as horas passam, novos dados vêem à tona e descobre-se que o processo eleitoral não transcorreu com toda essa apregoada "normalidade democrática". Houve muitos vais-e-vens. E o ditador, ao que parece, não estava disposto a aceitar a derrota.

Circunstâncias diversas e pressões dos atores políticos acabaram por dobrar Hugo Chávez a reconhecer a derrota. Derrota que, por outro lado, parece ter sido por margem bem mais significativa do que a apresentada oficialmente.

O misterioso dilema de Chávez
Mas estes dados os analisarei em outro comentário. Gostaria de considerar aqui algumas das afirmações de Hugo Chávez durante a madrugada quando acabou por aceitar a vitória do "NÃO". Nessa altura falou de um misterioso dilema.

O jornal El Universal (3.dez.2007), sob o título Chávez: por agora não conseguimos!, noticiou o momento em que Chávez, envergando sua camisa vermelha (símbolo da revolução socialista), com uma fisionomia transtornada, em que se misturava a contrariedade e o desconcerto, anunciou a vitória de seus adversários. Interpolarei os comentários em azul.

Chávez começou por reconhecer uma dinâmica irreversível do "NÃO", agradeceu a todos os que se envolveram no processo eleitoral, e felicitou a oposição pela vitória no referendo. Mas passou logo ao ataque:

  • "Oxalá se esqueçam para sempre das trincheiras, dos saltos ao vazio, dos caminhos da violência", advertiu. ....
Já aqui se nota que Chávez atribui aos adversários todas as atitudes que ele e seus seguidores utilizam como método político. Basta lembrar as milícias "chavistas" (os círculos bolivarianos) atacando à mão armada os estudantes que se manifestavam pelo "NÃO". Ou as ameaças de confiscar as empresas daqueles que fizessem campanha contra a reforma constitucional.
  • "Digo-vos com o coração, estou há várias horas debatendo-me num dilema. Já saí do dilema e estou tranqüilo, espero que os venezuelanos também estejam", disse Chávez ao ratificar as cifras que anunciou a autoridade eleitoral.
A frase de Chávez sobre o dilema em que se debatia é extremamente misteriosa. Afinal de que dilema se trata? De aceitar a derrota das urnas? Mas isso não pode ser um dilema numa democracia... (na tal "democracia" que os lulo-petistas apregoam existir na Venezuela).

O dilema faz, pois, pensar que Chávez hesitava entre aceitar o resultado das urnas ou dar um golpe e impor sua reforma à força. Ou, "refazer" o resultado das urnas com uma imensa fraude que lhe desse a vitória que não tinha obtido. Afinal, não se esqueçam que as pesquisas de boca-de-urna (todas oficialistas, e uma delas inventada), davam larga vitória a Chávez.

Fica ainda a pergunta: Chávez resolveu seu dilema sózinho? Ao falar com o coração, como afirmou, dá a entender que foi um dilema profundo. Outros o terão aconselhado, ou até mesmo pressionado? As respostas, por enquanto, são obscuras...
  • "Não se sintam tristes, nem pesarosos", recomendou Chávez a seus seguidores na conferência de imprensa para correspondentes estrangeiros transmitida pela televisão local.

    Pediu à oposição que "saiba administrar sua vitória", e disse claramente que "por agora não conseguimos". "Somos transparentes, isto deve dar-nos lições a todos nós, e a principal lição é essa que já comentei, que este é o caminho".

Uma vez mais, as palavras de Chávez têm profundo significado. O "por agora não conseguimos", parece uma frase singela de quem aguarda uma nova oportunidade. Entretanto, ela tem um outro simbolismo. Esta foi precisamente a frase que Hugo Chávez pronunciou quando do fracasso de sua tentativa de golpe de Estado contra o Presidente Carlos Andrés Pérez. O "por agora não conseguimos" quiz trazer à memória um golpe de Estado...

  • Recordou ainda ao povo que a proposta de reforma "continua viva e que não morreu". ....

Ora, a manifestação do povo no referendo foi contra a reforma. Como poderá ela estar viva e não ter morrido? Chávez pretende impô-la de outra forma, contrariando assim a voz das urnas? As perguntas têm sentido, uma vez que atualmente o presidente venezuelano já goza de muitos poderes discricionários. O general Baduel, antigo aliado de Chávez e agora opositor, já advertiu para o perigo de o ditador venezuelano tentar impor as modificações constitucionais através de leis ordinárias.

  • Para Chávez é necessário ampliar o marco de avanço do projeto. "Para mim esta não é uma derrota. É um por agora. Eu preferi assim. Foi melhor assim".
É estranho que Chávez fale em ampliar o marco de avanço de um projeto que foi rejeitado pelo eleitorado. A frase que se segue é ainda mais significativa. Não se trata de uma derrota, é apenas um "por agora". Ou seja, Chávez vai tentar de qualquer forma impor sua vontade e seu projeto socialista totalitário à Venezuela.

Mas as afirmações continuam. O "eu preferi assim" confirma o que até há pouco eram meras suspeitas. "Eu preferi", ou o eleitorado preferiu assim? A frase é inequívoca. Chávez deixa entrever que pela sua cabeça passou a hipótese de ele não preferir assim, e, portanto, não respeitar a decisão eleitoral. E que essa hipótese teve grande chances de se tornar realidade.

Democracia, não acham? Os lulo-petistas asseguram que sim!
  • O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que continuará batalhando para estabelecer o socialismo na Venezuela e que sua proposta de reformar a Constituição continua "viva", apesar dos resultados do referendo.

Bem, este trecho da notícia do El Universal só confirma o que comentei acima. Que Chávez não está disposto a parar em sua marcha rumo ao totalitarismo socialista. Portanto, preparem-se para novos golpes institucionais. Por aqui o lulo-petismo (com Lula adiante) está pronto a garantir o caráter "democrático" das novas aventuras chavistas. E a tentar suas aventuras em nosso solo. É esperar para ver!

  • "Nós temos sabido converter aparentes derrotas em vitórias morais que depois se converteram em vitórias eletorais", refletiu o mandatário. "Continuaremos a trabalhar, faremos um esforço maior para obter a máxima inclusão social, a igualdade como princípio do sistema, e logo encontraremos uma maneira", acrescentou.
Não acham curiosa a expressão "aparentes derrotas"? Fica a pergunta se para Chávez a derrota do "SIM" também foi aparente e se ele pretende convertê-la em "vitória eleitoral". Toda essa linguagem da conversão de "aparentes derrotas" em vitórias eleitorais traz à mente uma palavra: fraude! É assim que se governa nas "democracias" chavistas, lulo-petistas e afins!

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O ditador derrotado

O ditador derrotado
Estou de volta, após problemas técnicos que me impediram de escrever neste blog durante vários dias.

E estou de volta junto com a boa notícia da derrota de Hugo Chávez no referendo da Venezuela. Referendo que deveria sancionar ou recusar a nova reforma constitucional, proposta pelo Presidente e aprovada por uma Assembléia Nacional, com baixa representatividade, e totalmente submissa à vontade política do líder "bolivariano".

A falsa popularidade de Chávez
A derrota tem indiscutível alcance político na Venezuela, como é óbvio. O "NÃO" à reforma, que implantaria um estado socialista totalitário, com permanência indefinida no poder do Presidente, deixa entrever como a popularidade de Chávez é artificial e manipulada.

Ou seja, suas políticas populistas atraem a simpatia imediatista de camadas da população diretamente beneficiadas por sua demagogia, mas a maioria dessas pessoas não alinha ideologicamente com sua revolução socialista.

Reflexo internacional da vitória do "NÃO"
Para além disso, a derrota traz consigo um revés importante à marcha de esquerdização empreendida por líderes latino-americanos, mais ou menos próximos ao "chavismo", como Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador), Daniel Ortega (Nicarágua), além de tornar mais imperioso um afastamento da futura presidente argentina, Cristina Kirchner, do caudilho venezuelano.

A derrota trás, por fim, e de modo não menos importante um forte reflexo para a política brasileira. Sobretudo, depois que o Presidente Lula se engajou na defesa de Chávez e de sua "democracia" socialista. Defesa que deixava entrever, quase sem véus, as intenções do núcleo político do lulo-petismo de instaurar aqui um regime "chavista".

O debate pelo 3º mandato estava solto, como apontei aqui (leia os posts Vem aí o golpe do 3º mandato e O 3º mandato voltará!); a proposta da Constituinte exclusiva da reforma política, avançava; a inauguração da TV pública, sob o comando do petismo, denotava a ofensiva massiva da propaganda oficialista; os ataques do PT e de seus agregados às privatizações, faziam prever uma virada na política econômica.

A derrota do "companheiro" Chávez, que Lula sempre fez questão de apoiar nos momentos mais difíceis, e nas atitudes mais controversas (como, por exemplo, o fechamento da TV), foi uma inequívoca derrota para o lulo-petismo.

Que lições serão tiradas de tal derrota?

Curiosamente ela se deu no dia em que a Data Folha divulgou resultado de pesquisa nacional em que 65% dos brasileiros se mostraram contrários ao 3º mandato para o Presidente Lula.

O desconcerto da esquerda
O desconcerto nas hostes do lulo-petismo não é de difícil constatação. Lula reagiu da forma mais lacônica à derrota do "SIM". Restringiu-se a dizer que o resultado foi a expressão da maioria. Obviedade maior não poderia ter dito. É claro! O resultado seria sempre a expressão da maioria, a não ser que houvesse fraude.

Mas a declaração do presidente deixa claro o mal estar com a derrota de Chávez! Ela implica um forte incômodo para os projetos do lulo-petismo de perpetuar-se no poder. E de construir no Brasil uma democracia plebiscitária, que descarte as instituições da democracia representativa.

Entretanto, é preciso ficar atento. Porque o lulo-petismo, assim como o "chavismo" não são de desistir. O ditador venezuelano foi claro ao reconhecer a derrota: "Não conseguimos por agora!" Ou seja, voltarão a tentar. E os meios parecem justificar-se sempre em função dos fins.

O estranho elogio a Chávez
Para tentar aliviar um pouco o peso da derrota, e para atestarem suas convicções "democráticas", os lulo-petistas (e seus afins) descobriram agora um grande elogio a Chávez: ao reconhecer a derrota ele teria agido como um "democrata".

O elogio, que impressiona à primeira vista, é simplesmente ridículo. Afinal o que esperar de um Presidente que governa num Estado de Direito? O mínimo e o elementar de quem governa segundo as regras da democracia é reconhecer os resultados, sejam eles favoráveis ou adversos.

Por que tantos elogios a essa "grande" atitude de Chávez? Tais elogios, por si, já demostram o quanto o regime de Chávez é anti-democrático, uma vez que a atitude do caudilho venezuelano parece excepcional e não esperada...

Chávez sem meios de recusar o resultado
Mas há mais. Chávez não teria como recusar o resultado das urnas. Era grande expectativa internacional a respeito de tal referendo e o presidente venezuelano ficaria muito isolado politicamente se, contrariando o resultado das urnas, levasse adiante, pela força, sua revolução socialista. A aceitação foi mais uma imposição das circunstâncias do que um ato de "nobreza".

Ademais é preciso não esquecer que Chávez se encontrava muito debilitado internacionalmente desde que o Rei Juan Carlos de Espanha pronunciou a famosa frase "por qué no te callas?". A opinião pública mundial vibrou com a interpelação real ao ditador e demonstrou a falta de prestígio, a nível internacional, do tal "socialismo do século XXI" e de seu líder máximo.

Isso sem contar que os opositores a Chávez, dentro da Venezuela, sentiram alento psicológico em sua postura, ao perceberem a forte recusa internacional ao processo político conduzido por Chávez. A frase do Rei Juan Carlos os interpretou e os fortaleceu.

A vitória do "NÃO" no referendo acabou por transformar-se num sonoro "por qué no te callas?" do povo venezuelano a Chávez.

O referendo não legitima o regime chavista
Claro que boa parte da esquerda engajada com o "chavismo" (na Venezuela, no Brasil e em outros países) tenta aproveitar a atitude do presidente venezuelano, ao reconhecer sua derrota, como o atestado da plena vigência do regime democrático naquele país.

Ora, isso não é verdade. Continua a haver na Venezuela milícias populares armadas, os círculos bolivarianos, que ameaçam e perseguem opositores ao regime, além de assumirem funções do Estado. Os juízes continuam a ser alvo do arbítrio do atual regime. A liberdade de imprensa continua ameaçada. A propriedade privada é igualmente alvo das atitudes discricionárias de Chávez.

Não basta um "referendo" transcorrido com relativa normalidade e transparência (e só relativa!) para apagar os sinais inequívocos de autoritarismo socialista, presentes na vida pública venezuelana.

A abstenção não é "chavista"
Por fim, uma objeção. Não seria a abstenção em sua quase totalidade de simpatizantes de Chávez?

Na verdade, o presidente Venezuelano tentou justificar a derrota pela enorme abstenção. "A abstenção nos derrotou", afirmou ele. Ora esse é um subterfúgio sem base na realidade. Subterfúgio de que tenta lançar mão, aqui, o jornalismo engajado, que numa primeira hora anunciou a vitória de Chávez baseado na "boca de urna" oficialista.

Quem acompanhou de perto o processo político em torno da reforma constitucional na Venezuela sabe perfeitamente que a oposição, temendo, com fundamento, fraude eleitoral, de há muito convocava a uma abstenção em massa, para desqualificar o referendo. Tática, aliás, adotada em anteriores eleições.

Só nos últimos dias, alguns líderes oposicionistas, ou personalidades destacadas que votariam pelo "NÃO", passaram a fazer apelos ao voto. Esses apelos obtiveram um certo resultado, mas muitos daqueles que tinham decidido abster-se, por oposição à reforma socialista de Chávez, e como forma de não conceder legitimidade à consulta popular, não mudaram mais sua postura.

Assim, não é nenhum exercício de imaginação política, computar grande parte dessa abstenção a opositores a Chávez. O que em vez de aliviar a derrota, ainda acentua mais a vitória do "NÃO".

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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

A democracia brasileira corre risco

A democracia brasileira corre risco
Recebi diversos comentários sobre a importância e objetividade do último post Lula e a destruição da democracia.

É fora de dúvida que estamos assistindo a uma perigosa deterioração do regime dito democrático. E Lula deu um passo significativo e simbólico nessa marcha ao elogiar incondicionalmente o regime ditatorial de Chávez como "democrático" (ver post Lula o "chavista" dissimulado).

Apoio que o neo-ditador venezuelano aproveitou e agradeceu com estardalhaço, como tive também oportunidade de comentar no post Chávez comemora apoio de Lula.

Lula mais perigoso do que Chávez
Decidi, então, voltar ao tema, pois é necessário alertar para a gravidade do que está ocorrendo atualmente no Brasil. Para alguns talvez de modo despercebido.

O título que dei a este comentário, A democracia brasileira corre risco, poderá parecer alarmista, mas ele não é de minha autoria. Extraí a frase do editorial do Estado de Minas (16.nov.2007) Lula igual a Chávez?.

Se há uma coisa de que não se pode acusar os mineiros é de serem exagerados ou amigos do estardalhaço. Pelo contrário, é proverbial seu comedimento e seu aguçado tino político, o que torna especialmente importante o mencionado editorial, o qual, com perspicácia, afirma que o "simpático Lula" às vezes dá a impressão de ser mais perigoso do que Chávez:

  • "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve esclarecimentos convincentes a respeito da defesa que fez do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, contra o puxão de orelhas com que o rei Juan Carlos, da Espanha, mandou o coronel caudilho fechar sua desrespeitosa matraca, durante reunião de chefes de estado, no Chile. A fala de Lula deixa qualquer brasileiro medianamente informado e livre para exercer um mínimo de crítica com o direito de chegar a duas conclusões: Lula é exatamente igual a Chávez e, a segunda, a democracia brasileira está correndo risco maior do que imaginam os pessimistas.

    Pode-se compreender a missão diplomática e moderadora que cabe ao presidente brasileiro nessa hora de ânimos exaltados. A América Latina passa por momento político delicado, com a retomada, em alguns países, do populismo exacerbado. Parece estar se repetindo, em alguns casos, um processo político com viés autoritário que, no século passado, gerou ditaduras com marcante contribuição ao atraso e à manutenção da pobreza no subcontinente. A Lula cairia bem, então, o papel de bombeiro. Quando nada para servir de interlocutor entre o destempero do midiático Chávez e o mundo civilizado. Mas está longe disso a manifestação do presidente brasileiro.

    Ao contrário, o presidente não se limitou a produzir uma versão inverídica e ingênua do episódio, na tentativa de diminuir sua importância. Foi além, aplaudindo o regime e os atos chavistas em direção a uma ditadura de conseqüências ainda imprevisíveis. .... Lula considera modelo de democracia o esquema de plebiscitos e referendos populares, tão ao gosto de Chávez e dos golpistas que usam a democracia para acabar com ela.

    Lula, se não se explicar melhor, terá, na verdade, revelado uma visão de democracia limitada pela simples falta de conhecimento ou, pior ainda, distorcida por um desvio ideológico que andava camuflado na pele de cordeiro, conveniente às disputas eleitorais. .... É a ponta do iceberg que começa pelo afago aos donos do capital financeiro, passa pela farta distribuição de bolsas-esmola para a base da pirâmide – a mesma que será chamada ao plebiscito –, esmaga o segmento crítico da classe média e termina com o total esvaziamento da representação congressual republicana. Anula a oposição institucionalizada e cala a capacidade de reação da sociedade civil organizada. Longe da truculência de Hugo Chávez, o simpático e cativante Lula dá, às vezes, a impressão de ser ainda mais perigoso do que ele."
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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Lula e a destruição da democracia

Lula e a destruição da democracia
Quem analisa as práticas políticas do lulo-petismo pode achá-las desencontradas, sem nexo, até mesmo caóticas. Entretanto, basta um pouco de atenção para ver que há método nessa loucura.

Lula não governa, mas "paira" sobre a cena política, como um líder populista, que não desce jamais do palanque. Lula discursa! Lula fala! Lula anuncia! Num ritual calculado de ufanismo carismático.

Tudo calculado
Lula anuncia projetos que não se realizam, alarga sem parar programas assistencialistas como o bolsa-família, faz análises primárias sobre situações complexas, recheia suas falas de metáforas populacheiras, demonstra ignorância (às vezes real, às vezes pensada) sobre assuntos difíceis, apresenta-se como o refundador da Nação: "Nunca antes neste País..." é o seu bordão. Tudo calculado.

Finge-se desligado das tramas baixas da política, diz-se traído quando "companheiros" são ineficazes nos grandes golpes da corrupção, assiste inerte à violação da ordem por seus amigos dos movimentos sociais, faz agrados à burguesia financeira, incentiva as práticas fisiológicas mais escancaradas, como compra de parlamentares, desmoralizando assim as instituições e desmobilizando as oposições. Tudo calculado.

Assessorado por uma máquina de propaganda sem paralelo, a qual cria em torno dele um ambiente triunfalista, Lula viaja sem parar e exibe feitos diplomáticos que pouca ou nenhuma consistência têm, projetando-se com um líder mundial em defesa dos "pobres" contra os países ricos. Tudo calculado.

Permanência no poder: a grande meta
Tudo calculado para quê? Para se perpetuar no poder, como o grande líder, "pai" dos pobres e refundador da "democracia". Democracia que para ele, como para o lulo-petismo, tem um significado diverso da que tem para nós, os comuns mortais. Por isso Lula afirma, alto e bom som, que na Venezuela de Chávez há democracia demais! (leia abaixo os posts Lula, o "chavista" dissimulado e Chávez comemora o apoio de Lula).

Arnaldo Jabor, em seu artigo A irresistível sedução do terceiro mandato, publicado no jornal O Globo (20.nov.2007), traça um quadro pertinente do modo como Lula anestesia politicamente a sociedade, desmoraliza a democracia representativa e vai construindo, de modo "light", o chavismo em nosso País. Eis alguns trechos:

  • "Um país é como uma pessoa. Tem traumas infantis, tiques nervosos, tem doenças genéticas e até venéreas. Há pessoas expansivas, transparentes, ingênuas. Há pessoas dissimuladas, que disfarçam bem suas perversões. ....

    Lula sabe usar muito bem nossa ignorância política, fingindo até participar dela, logo ele, um Maquiavel do ABC, como acabou de fazer na defesa de Chávez, o fascista da Venezuela, misturando ditadura com parlamentarismo, de propósito, para confundir a "massa".

    A ignorância do povão analfabeto e a desinformação confusa da classe média são seus principais instrumentos de poder. Somos um povo que reclama, mas sem massa crítica, com rasa formação política.

    A estranha ideologia do lulo-sindicalismo está corrompendo o Legislativo e a opinião pública sem mexer, claro, na superestrutura financeira do País - Lula agindo como um Napoleão III do sertão. Ele se coloca como que "acima" da política, essa coisa "menor", pairando num "bonapartismo molenga" que trabalha na desmoralização da democracia representativa. ....

    Não é que a oposição (o vago PSDB e o pálido DEM?) foi destruída por um ataque direto. Não. Ela está sendo desossada, engolida por uma maré venenosa de alianças corruptas, de conformismo, de obediência, de oportunismos atendidos. A oposição sumiu como uma pedra que afunda no meio de um terreno que apodrece em volta.

    O lulo-sindicalismo cria aos poucos uma moleza na sociedade civil que, como não há crise econômica, vai perdendo a clareza de opiniões. É o chamado "efeito desalento": a sensação de que tudo é "assim mesmo no Brasil", que não adianta reclamar nem denunciar nada. ....

    Outra descoberta do lulo-sindicalismo é o "efeito da confusão proposital de informações". Como é difícil a leitura da complexidade administrativa do País, nada se explicita para a população. Na crise aérea tem sido assim, na listagem real das obras do governo, de projetos administrativos. A idéia de reformar, essencial no País, é jogada para córner, e os portos, estradas, gargalos, burocracia, tudo fica intocado, dissimulado pelo marketing, com ministros anunciando obras nem começadas (transposição do Rio São Francisco, por exemplo), nada sendo feito, mas tudo sendo anunciado, pois descobriram, maravilhados, que mesmo sem sair coisa alguma do papel, basta a divulgação. ....

    O governo Lula tem o álibi de ser um governo "do povo". Assim ele pensa, assim pensam os empregados públicos na máquina, assim pensam os intelectuais dualistas. O discurso oficial ideológico é um sarapatel de idéias. É uma cepa herdada (resistente a antibióticos) de um autoritarismo leninista, que cruzou com o germe do sindicalismo oportunista, com o stafilococus do populismo pós-getulista, formando um novo tipo de micróbio que, com a baixa imunidade da democracia representativa, se espalha de forma letal. ....

    Creio que neste discurso de Lula se inicia uma nova etapa, em direção a uma provável tentativa de terceiro mandato, apesar de todas as denegações que, como sabemos, são o avesso da afirmação de um desejo."
Sim, a defesa ardorosa de Chávez contra o Rei Juan Carlos e da democracia do regime chavista parecem ser a inauguração de uma nova etapa do lulo-petismo. É preciso estar alerta.

Mas o lulo-petismo tem pouca base na realidade viva da Nação. Lula tremeu e se desconcertou com a vaia do Maracanã. Ante a indignação do País, Lula se escondeu após o acidente fatal da TAM, para dar apenas dois exemplos recentes.

Lula vive da propaganda. Se alguém souber furar esse balão, acontecerá com Lula o que aconteceu com Chávez diante da frase do Rei: Por que não te calas? (ver post O Rei manda o tirano calar-se).

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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Chávez comemora apoio de Lula

Chávez comemora apoio de Lula
A defesa feita pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva do regime ditatorial que Hugo Chávez está a ponto de instaurar na Venezuela, com sua nova reforma constitucional, foi comemorada com euforia pelo caudilho.

Lula afirmou que não é possível criticar a Venezuela por falta de democracia, e defendeu o regime de democracia popular (plebiscitismo), em que o líder governa as massas por consultas diretas, prescindindo dos mecanismos próprios ao Estado democrático de Direito (veja o post abaixo Lula, o "chavista" dissimulado).

Defesa de Chávez e de si mesmo
As declarações presidenciais são graves, por diversas razões. Antes de mais, pela defesa de um regime ditatorial que tanta relação diplomática e ideológica mantém com o Brasil. Depois, porque qualquer pessoa, com um mínimo de perpcepção, vê que a defesa de Lula é também em causa própria e visa justificar um eventual golpe "democrático", que mude as regras institucionais do regime constitucional que Lula jurou defender ao se tornar Presidente.

"Todas as declarações que Lula fez anteontem a propósito dos esforços de seu amigo Hugo Chávez para perpetuar-se no poder servem, à perfeição, para o próprio Lula", advertiu o insuspeito Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo (16.nov.2007).

Lembrem-se, o PT no seu 3º Congresso fez voltar o socialismo a suas metas programáticas e pediu a realização de uma Constituinte da reforma política (veja o post O homem do partido e o partido do homem).

Declarações sob medida
As declarações de Lula vieram a calhar para Hugo Chávez. O Presidente da Venezuela comemorou a preciosa defesa feita pelo "companheiro" petista como um aval a seu modelo socialista, que qualificou como "eminentemente democrático".

Após elogio, Chávez pede aplausos a Lula, é o título da matéria da Folha de S. Paulo (16.nov.2007) que noticia o fato:

  • “Hugo Chávez comemorou ontem as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas quais o brasileiro diz que não é possível criticar a Venezuela por falta de democracia.

    Ao participar de um programa de rádio, Chávez -em campanha pela reforma constitucional que prevê o direito de reeleição ilimitada- leu ao vivo as frases do presidente brasileiro em sua defesa e completou: "Nosso modelo socialista é eminentemente democrático".

    Um dos trechos mais festejados por Chávez foi a definição de democracia apresentada por Lula com base no exemplo da Venezuela: "Eu acho que na democracia é assim, a gente submete aquilo que a gente acredita ao povo e o povo decide e a gente acata o resultado. Porque senão não é democracia". ....

    O informe também relata que "o chefe do Estado venezuelano destacou o companheirismo de Lula da Silva" e afirma que Chávez deixou claro que "o modelo socialista que está em construção na Venezuela e que se fortalecerá com a aprovação do projeto de reforma constitucional apresentada em agosto passado e que será submetida a referendo no próximo dia 2 de dezembro é eminentemente democrático".

    A Venezuela enfrentou protestos de estudantes e entidades sociais contra a reforma constitucional proposta por Hugo Chávez”.
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Lula, o "chavista" dissimulado

Lula, o "chavista" dissimulado
Inventem outra coisa para criticar o Chávez, mas por falta de democracia não é!

A frase, só podia ser do Presidente Lula, o perpétuo defensor de Hugo Chávez, o neo-ditador venezuelano.

A ilusão das duas vias
Tem-se repetido, quase à exaustão, que Chávez e Lula representariam, na América do Sul, duas fórmulas da esquerda. A primeira populista e autoritária e a segunda democrática e moderada. Vã ilusão.

Se Lula ainda não enveredou pelo caminho de Hugo Chávez é porque as condições políticas não lhe permitiram. Na verdade, Lula sempre está ao lado de Chávez para defendê-lo e justificar os atos mais arbitrários e autoritários de seu governo. A defesa feita hoje do "companheiro" Chávez é a justificação de amanhã para si próprio. Chávez é hoje o que Lula pretende ser amanhã!

A neo-ditadura do "socialismo do século XXI" é também o sonho de Lula.

Defesa velhaca
As declarações presidenciais aparecidas na imprensa são altamente significativas. Por isso as intercalei com comentários que vão em azul. A matéria, assinada por Tânia Monteiro, é do jornal O Estado de S. Paulo (15.nov.2007):

  • “Em meio ao debate sobre o bate-boca entre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o rei da Espanha, Juan Carlos, ocorrido sábado, em Santiago (Chile), durante a Cúpula Ibero-Americana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu ontem em defesa do colega do país vizinho. “Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa, inventem uma coisa para criticá-lo; mas por falta de democracia na Venezuela, não é”, disse.

    Numa entrevista no Itamaraty, onde almoçou com o presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo Nino Vieira, Lula afirmou que não faltam democracia e discussão na Venezuela. “Democracia é assim: a gente submete aquilo que acredita, o povo decide e a gente acata o resultado. Se não, não é democracia.”

    Vejam o simplismo malandro. Houve eleições, há democracia. Antes de tudo, Lula sabe bem que todas as eleições e votações na Venezuela estão envoltas em graves suspeitas, inclusive de não haver segredo de voto. Além disso, ainda que um governante tenha sido eleito democraticamente, ele pode depois vir a tomar medidas autoritárias e até ditatoriais. É o que Chávez está fazendo. E é o que Lula fará, se puder. Hitler também foi eleito e se tornou um tirano, e na União Soviética, em Cuba, na Coréia do Norte também se realizavam eleições.

    Mas a frase encerra ainda a trampa da "democracia direta", em que o líder carismático governa por consultas populares, prescindindo de todas as instituições: "A gente submete aquilo que acredita, e o povo decide".

    Reinaldo Azevedo alertou em seu blog: "O regime democrático também se pauta pela estrita observância das leis e por alguns princípios consolidados em instituições. Ademais, traz consigo um conjunto de valores. A consulta popular, não custa notar, é apenas um dos aspectos do regime democrático. E se a "população" optasse pelo linchamento de bandidos, amputação de membros ou coisa pior? Será ou não a vontade democrática? Na frase de Lula também cabe a obsolescência do Congresso. Para quê? O povo decide".

    [Lula] voltou a comparar a continuidade de Chávez no governo com a permanência de outros dirigentes europeus em seus cargos. “Por que ninguém se queixa quando Margaret Thatcher (ex-primeira-ministra britânica por 11 anos) ficou tanto tempo no poder?”, indagou.

    Diante da observação de repórteres de que eram situações distintas, o presidente reagiu: “Distintas por quê? É continuidade. Não tem nada de distinto. Muda apenas o sistema. Muda apenas de regime presidencialista para parlamentarista. Mas o que importa não é o regime, é o exercício do poder.”

    Lula passou, então, a citar o nome de outros chefes de governo que ficaram por muitos anos em seus cargos. “Ninguém se queixa do Felipe González (ex-primeiro-ministro espanhol), do Mitterrand (François Mitterrand, ex-presidente da França) e nem do Helmut Kohl (ex-primeiro-ministro da Alemanha), que ficou 16 anos no poder.”

    A comparação do Presidente Lula parece nascida da ignorância, mas está mais com cara de velhacaria. Ele sabe bem que nenhum dos citados, seja presidente, seja primeiro-ministro, exerceu o poder como em um regime presidencialista em que um mandatário reune em si a chefia do governo e do Estado.

    Os primeiro-ministros não são sequer eleitos, são seus partidos que são vencedores em eleições parlamentares. E podem ser derrubados a qualquer momento bastando para isso um voto de desconfiança do Parlamento.

    Além disso, nenhum deles, no exercício do poder, refez constituições a seu bel prazer, fechou órgãos de imprensa, armou milícias civis para reprimir opositores, dominou o Judiciário a ponto de nomear ou demitir qualquer juiz, como faz Hugo Chávez, entre outras tantas coisas.

    Para o presidente, é preciso respeitar a autonomia e soberania de cada país. “Se nós dermos menos palpites nas regras do jogo de outros países e olharmos o que estamos fazendo, todos nós sairemos ganhando”, disse.

    “Mas, se a gente achar que pode dar palpite em tudo e que só pode acontecer no mundo o que a gente quer, seremos eternamente infelizes.” E prosseguiu: “É melhor que os outros decidam os seus destinos e nós decidamos os nossos”.”

    Notem bem a contradição: Lula diz que não devemos dar palpite, mas ele acaba de defender e elogiar a ditadura chavista, como "democrática". Ou seja, dar palpite. Ou será que para Lula dar palpite é apenas criticar? Há mais. Ele defendeu justamente Hugo Chávez por se ter pronunciado sobre a realidade política da Espanha, ao chamar de "fascista" o ex-primeiro ministro Aznar.

    Notem ainda a frase pronunciada em tom de conselho benevolente: "É melhor que os outros decidam os seus destinos e nós decidamos os nossos". Mais uma enganação.

    Porque não foi assim quando Lula enviou Marco Aurélio Garcia à Bolívia, para pressionar o Presidente Sanchez de Lozada (eleito democraticamente) a renunciar, sob ameaça de convulsões sociais.

    Também não foi assim quando Lula utilizou o Grupo de países amigos da Venezuela para favorecer Chávez e prejudicar a oposição.

    Uma vez mais não foi assim quando Lula foi à Síria, e ao lado do ditador Bashar Assad, fez um violento discurso contra o Estado de Israel. E vamos parar por aqui.

Quem teve a oportunidade de ver a breve entrevista de Lula percebeu que o Presidente, literalmente, atropelou os jornalistas, não lhes permitindo quase questionamentos. Afinal não poderia ser contraditado e ver expostos seus sofismas malandros, perpassados por um cinismo desavergonhado.

Alguém ainda pode ter dúvidas de qual o futuro que Lula e o PT desejam para o Brasil? Só uma dose inimaginável de ingenuidade ou de cegueira pode impedir de ver o óbvio. O ideal de Lula é a ditadura chavista, que ele chama de "democracia".

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