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terça-feira, 11 de setembro de 2007

Pacote legal socializante ameaça o álcool (2)

O Brasil, sem a intervenção do Estado, viveu um ciclo virtuoso em matéria de produção de álcool combustível. As exportações cresceram e o País conquistou 35% do mercado mundial. É claro que os empresários e analistas acham importante que se adotem regras que regulem o setor. Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas é um dos que reconhece que o setor precisa ser organizado. Mas ele mesmo constata que há um grande temor do setor produtivo e dos investidores pela extensão das medidas preparadas pelo governo.

Ainda é a revista Época (3.set.07), na matéria assinada por Alexa Salomão e Murilo Ramos e intitulada Vem aí a Alcoolbras?, quem alerta:

  • "A intervenção estatal poderia prejudicar a ambição do Brasil de se tornar o grande fornecedor mundial de combustíveis alternativos. Vários investidores nacionais e estrangeiros acreditam nesse potencial e têm investido muito dinheiro em usinas no país. Em 2006, foi anunciada a construção de cerca de 150 usinas, um investimento estimado em US$ 14 bilhões. "Quem vai querer investir no Brasil ou comprar nosso álcool se houver ameaça de intervenção do Estado?", diz Rodrigues. No Congresso a idéia também causou estranheza. ....

    Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de Relações Internacionais da Federação das Indústrias de São Paulo [diz]: "Só depois que os usineiros se livraram das amarras do governo o setor foi para a frente e o Brasil tornou-se a potência que vemos hoje nessa área. Ressuscitar o intervencionismo é um grande retrocesso".

Pacote legal socializante ameaça o álcool (1)

A euforia do etanol enquanto energia alternativa tomou conta de muita gente, e com razão. O Brasil apareceu no cenário mundial como detentor de uma tecnologia de ponta, e com uma capacidade de produção, que pode alterar definitivamente a primazia exercida pelos combustíveis derivados do petróleo.

O governo norte-americano, com a visita do próprio presidente Bush, reconheceu a importância assumida pelo Brasil. Importância que, reconhecidamente, o País alcançou pelo dinamismo da iniciativa privada.

Lula fez declarações bombásticas, querendo aproveitar a onda, a fim de carrear para seu governo o prestígio alcançado pelo Brasil. Dava a entender ter sido ele o responsável pelo destaque no Brasil no campo do etanol.

Mas, uma vez mais, Lula demonstrou que possui dois discursos. Enquanto, oficialmente, parece dar incentivo à prosperidade do Brasil e reconhecer o papel fundamental da iniciativa privada, nos bastidores trabalha pela forte estatização das atividades econômicas, prejudicando a fundo as perspectivas que se abrem para o País com a produção de etanol.

A revista Época (3.set.07), em matéria assinada por Alexa Salomão e Murilo Ramos e intitulada Vem aí a Alcoolbras?, faz um importante alerta:

  • "O governo Luiz Inácio Lula da Silva já demonstrou em diversas ocasiões que é favorável ao aumento da participação do Estado na Economia. Na área de energia elétrica, o atual governo alterou as regras do jogo, para ampliar o controle público sobre a construção de novas hidrelétricas. No setor de telefonia, hoje totalmente privatizado, tem defendido a criação de uma operadora nacional a partir de uma fusão entre a Brasil Telecom e a Oi - com a participação do Estado. ....

    Agora, a atenção do governo voltou-se para um novo segmento - o álcool combustível. Está em gestação na Casa Civil, sob o comando da ministra Dilma Rousseff, um projeto de lei que cria regras para o setor. A proposta, ainda em discussão, é um pacto intervencionista como havia muito não era visto no país.

    A Agência Nacional do Petróleo (ANP) ganharia poderes para controlar os estoques privados de álcool. A Petrobras passaria a ser o principal exportador do setor. Paralelamente, o governo também planeja criar um zoneamento para o cultivo da cana-de-açúcar, restrigindo áreas para o plantio. ....

    Além disso, em caso de risco de desabastecimento do mercado interno, o álcool das usinas poderia ser confiscado".