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segunda-feira, 17 de maio de 2010

“Meu coração está com Dilma”

“Meu coração está com Dilma”

Já não causa estranheza a ninguém a desenvoltura com que o Presidente venezuelano, Hugo Chávez, se intromete na política interna de outros países latino-americanos.

O caso hondurenho
Honduras foi talvez dos casos mais paradigmáticos, com a tentativa protagonizada por Manuel Zelaya de alterar a Constituição do país e perpetuar-se no poder, com o apoio explícito do caudilho venezuelano.

Impedido pelos poderes hondurenhos de prosseguir seu golpe, Zelaya tentou convulsionar o país, articulando hordas de movimentos sociais, orientados de fora por Chávez, e se alojou na embaixada brasileira em Tegucigalpa, transformada em quartel-general de sua tentativa de insurreição, com o beneplácito solícito do governo Lula.

Os jornais noticiam agora que Hugo Chávez se encontrou novamente com Zelaya e que este último foi a Cuba. Que nova surpresa estarão preparando?

Argentina, Bolívia, Equador
Na Argentina a interferência do presidente venezuelano tem sido aberta e envolveu até financiamento, por meios escusos, da campanha eleitoral da atual presidente argentina, Cristina Kirchner.

A Bolívia a bem dizer tornou-se um protetorado de Hugo Chávez. Evo Morales, o presidente boliviano, desloca-se em aeronaves militares venezuelanas. Agentes da petrolífera venezuelana estiveram envolvidos no assalto às instalações da Petrobrás, que Lula definiu como um ato de soberania (!) da Bolívia. E Chávez ameaça até militarmente todo e qualquer um que, a seu ver, “desestabilize” o governo de Morales.

O Equador é outro país cujo presidente, Rafael Correa, segue a cartilha chavista e está sempre pronto a alinhar-se às aventuras e interesses do caudilho venezuelano.

Nicarágua, Peru, Paraguai
Poderia aqui falar da Nicarágua, onde Daniel Ortega tenta consumar um golpe constitucional e lança nas ruas suas turbas dos movimentos sociais (chavistas) para cercar e atacar o Congresso, onde a oposição lhe faz frente.

Poderia ainda mencionar o Peru, o Paraguai – países nos quais Chávez tentou interferir de algum modo no processo político – e a lista não estaria completa.

Na Colômbia a defesa das FARC
No momento, Hugo Chávez interfere de maneira totalmente desabrida no processo eleitoral colombiano, cujo primeiro turno da eleição presidencial ocorre no final deste mês.

Além de acusar de “mafioso” a Juan Manuel Santos, o candidato apoiado por Álvaro Uribe e ex-ministro da Defesa, Chávez lançou uma advertência aos colombianos de que a eleição de Santos manteria a turbulência na região e poderia levar a um conflito entre os dois países. Tudo para defender a sobrevivência das FARC, o grupo narco-terrorista que hoje tem no território venezuelano um verdadeiro santuário.

Onde está a “púdica” Unasul, criação da diplomacia lulo-petista, tão “ciosa” da soberania equatoriana “violada”, quando o exército colombiano, numa operação espetacular, eliminou um dos principais cabecilhas das FARC, Raul Reyes, que se resguardava atrás das linhas fronteiriças, para dali organizar ataques à Colômbia?

Onde está o Presidente Lula, um dos “homens mais influentes do mundo”, segundo a revista Time, para se insurgir contra esta ingerência descabida de Chávez em assuntos internos da Colômbia?

Ninguém ouviu nem ouvirá o Presidente Lula dizer nada.

Nem o Brasil escapa
Mais ainda, Lula permite que Chávez faça o mesmo no Brasil e aproveita a ocasião para elogiar o mandatário venezuelano, menosprezando sua entranhada relação com a ditadura castrista, seu apoio às FARC e a outros grupos terroristas, a perseguição que move a opositores e à imprensa não alinhada com sua ideologia.

Hugo Chávez esteve novamente no Brasil, há cerca de três semanas, e em entrevista declarou seu apoio à candidata de Lula e do PT: “Meu coração está com Dilma. Mando um beijo para você, Dilma”.

A leniência de Lula com a interferência de Chávez no processo eleitoral brasileiro, bem como os elogios feitos ao caudilho venezuelano, indicam insofismavelmente um caminho e uma meta.

Terceiro mandato chavista
Muitos afirmam com ênfase que Lula demonstrou magnanimidade de estadista ao renunciar ao terceiro mandato. É afirmação com a qual não concordo e que, a meu ver, não tem base nos fatos. O Presidente tentou por mais de uma vez, sobretudo através de aliados, lançar o balão do terceiro mandato, mas de todas as vezes esbarrou em uma vigorosa reação de setores da sociedade que o impediram de concretizar seu desígnio, tão ao gosto do chavismo imperante em outros países.

Na impossibilidade de um terceiro mandato, Lula aposta na candidata Dilma Rousseff, uma voluntariosa imposição sua ao PT. E a eventual vitória de Dilma funcionaria como um terceiro mandato oblíquo, cujos contornos chavistas se vão delineando. O PNDH3 é o roteiro. Por isso Hugo Chávez não hesita em dizer que seu coração está com Dilma.

Repito, a interferência do venezuelano no processo político brasileiro é uma afronta, mas também um sinal do tipo de esperança que Chávez e Lula depositam na possível vitória de Dilma Rousseff.

Chavismo cordial
Há dias, Arnaldo Jabor, em sua coluna semanal em O Globo (4.maio.2010) apontou esta meta. O título é significativo, o autor insuspeito: “O chavismo cordial”. São trechos deste artigo que hoje compartilho com os que acompanham o Radar da Mídia.
  • "Dilma Rousseff tem de ser ela mesma. Seu duro passado de militância política lhe deixou um viés de rancor e vingança, justificáveis. Ela tem todo o direito de ser uma típica "tarefeira" da VAR-Palmares, em via de realizar o sonho de sua juventude, se eleita. Ela tende para a estatização da economia, restos de sua formação leninista; ela tem o direito de ser irritadiça, pois o País é irritante mesmo. Seus olhos fuzilam certezas sobre como consertar a pátria amada. Ela pode achar que democracia é "papo para enrolar as massas", ela pode desconfiar dos capitalistas e empresários, ela pode viver gostosamente a volúpia do poder que conquistou, ela pode ignorar a queda do Muro de Berlim, o fim da guerra fria, ela pode amar o Lula, seu símbolo do operário mágico que encarnou na prática a vazia utopia do populismo "revolucionário". Ela pode tudo, mas tem de assumir sua personalidade.

    Meu Deus, como eu entendo a cabeça da Dilma, mesmo sem conhecê-la pessoalmente... Conheci muitas "Dilmas" na minha juventude, quando participei da fé revolucionária de nossa geração. Para as "Dilmas" e "Dirceus" do passado, a democracia é uma instituição "burguesa" (Lenin: "É verdade que a liberdade é preciosa; tão preciosa que precisa ser racionada cuidadosamente"). (...) Nós éramos os fiéis de uma "fé científica", uma espécie de religião da razão praxista, que salvaria o mundo pelo puro desejo político - éramos o "sal da terra", os "sujeitos da história". (...)

    Essa frente unida do autodeslumbramento de Lula com a massa sindicalista pelega quer transformá-la em uma "Dilma" que não existe. Uma nova pessoa, um clone dela mesma. Isto é muito louco. (...)

    A finalidade da faxina que marqueteiros e "pt-psicólogos" fazem na moça é esta: criar alguém que não existe e que nos engane, alguém que pareça o que não é. Afinal, que querem esconder? Querem uma reedição "Dilminha paz e amor"? (...) Dilma é uma loba em pele de cordeiro?

    Isso é grave. O PT não se envergonha de criar uma pessoa artificialmente fabricada em quem devemos votar? Será que seguem ainda a máxima de Lenin: "Uma mentira contada mil vezes vira uma verdade"?

    Querem que ela seja uma sorridente "democrata", uma porta colorida para a invasão da manada de bolchevistas que planejam mudar o País para trás, na contramão da tendência da economia global. Eu os conheço bem... A crescente complexidade da situação mundial na economia e na política os faz desejar um simplismo voluntarista que rima bem com o fundamentalismo islâmico ou com a boçalidade totalitária dos fascistas (...).

    Nesta eleição, não se trata apenas de substituir um nome por outro. Não. O grave é que tramam uma mudança radical na estrutura do governo, uma mutação dentro do Estado democrático. Vamos viver um pleito pretensamente "revolucionário", a tentativa de um Gramsci vulgar (filósofo que dizia que os comunistas devem se infiltrar na democracia para mudá-la). (...)

    Não esqueçamos que o PT combateu o Plano Real até no STF, como fez com a Lei de Responsabilidade Fiscal, assim como não assinou a Constituição de 88. Esse é o PT que quer ficar na era pós-Lula. (...)

    Depois desse "bonapartismo cordial" que o Lula representou até com galhardia, se apropriando da "herança bendita" de FHC, pode haver o início de uma nova fase: o "chavismo cordial". "
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terça-feira, 14 de abril de 2009

O golpe da Páscoa

O golpe da Páscoa
O período da Semana Santa tornou-se uma ocasião propícia para um golpe nada santo do governo: a intervenção no Banco do Brasil.

O Presidente Lula decidiu demitir o presidente do banco, Antônio Francisco de Lima Neto. A confusão – proposital e bem ao estilo do lulo-petismo – se estabeleceu.

Lula começou por afirmar que era Lima Neto quem desejava sair do cargo. Depois, a saída já era por outro motivo, a determinação do governo de reduzir o spread bancário, uma “obsessão” de Lula. A intervenção, na verdade, mascarava um golpe de mão político.

Banco do Brasil ou de Lula?

O mercado, apanhado de supresa pela decisão, reagiu em pouquíssimo tempo ao perceber o carácter político do golpe. As acções do Banco caíram mais de 8%.

A imprensa também apontou a intervenção estatal despropositada: “O Banco é do Brasil ou de Lula?”, perguntava a revista Época; “BB do PT”, intitulava seu editorial a Folha de S. Paulo; “Ingerência política volta a assustar” afirmava artigo de opinião do jornal Valor.

“Apesar de todas as justificativas dadas pelo governo para essa troca de presidente, ela aumenta a preocupação de possíveis interferências políticas sobre a gestão do banco”, disse o analista da Itaú Corretora, Alcir Freitas, conforme o jornal Valor (9 a 12.04.2009).

Ainda segundo o mesmo jornal, para Laura Lyra Schuch, analista de ações da corretora Ativa, a preocupação é de que o novo presidente do banco se torne uma “marionete” do governo em ações que possam comprometer a rentabilidade do banco.

A falácia do banco público

Dilma Roussef, em sua contínua atuação de candidata, ajudou ao coro de vitimização demagógica, já iniciado por Lula, de um governo que se diz sacrificar em “defesa dos pobres”. Apelando à emotividade afirmou: “Não aguentamos mais discutir com presidentes de bancos públicos, porque eles pensam que são presidentes de bancos privados”.

A afirmação encerra uma falácia. O Banco do Brasil não é um banco público, mas uma companhia aberta, com ações em bolsa e com milhares de acionistas minoritários.

Foi por tal motivo que a analista econômica, Miriam Leitão, escreveu em seu blog: “Se o BB tem acionistas privados, ele tem de operar com as regras do mercado, buscando o lucro e competindo com outros bancos. Se ele vai ser administrado pelo presidente da República ou pelo chefe da Casa Civil, então não pode ter ações no mercado. Uma coisa ou outra” (cfr. Época, 13.abr.2009).

Expurgo estatista

Ninguém, evidentemente, acredita nas razões dadas pelo governo. A interferência tem um claro cunho político, ideológico e estatista.

Dirigir o BB é uma arma de poder e Lima Neto não atendia aos desígnios petistas. Segundo a revista Época, citando fontes importantes, Ricardo Berzoini, presidente do PT, vinha lutando para derrubar Lima Neto.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo (9.abr.2009), nos círculos presidenciais, Lima Neto era considerado conservador, um homem que agia com o “freio de mão puxado”, “pouco ousado”, “muito fechado” e sempre “criava obstáculos” à concessão de crédito para as camadas de baixa renda.

Traduzindo em miúdos: Lima Neto agia com o “freio de mão puxado” porque não permitia que o BB se tornasse uma máquina de esbanjamento em favor de políticas “sociais”, que redundam em compra de votos.

Em seu editorial (10.abr.2009), o jornal Folha de S. Paulo observou sobre o aparelhamento do BB: “O PT foi convocado para mais uma missão patriótica... A nova anedota palaciana, disseminada na praça para tentar justificar a troca de comando no BB, não combina com alguns fatos. (...) Aumentar a tutela do governo e do PT sobre a direção do Banco do Brasil não vai resolver esse problema [ação antirecessiva], resolverá outros, decerto, atinentes às eleições que se aproximam. (...) Aventuras nessa seara redundam em contas bilionárias, divididas entre os contribuintes”.

É bom recordar que, em 1996, o BB precisou ser resgatado com a injeção de R$ 8 bilhões de nossos impostos, pois afundara devido a empréstimos ditados preponderantemente por critérios políticos.

Subordinação do BB a objetivos ideológicos

Em sua Notas & Informações, intitulada A politização do Banco do Brasil, o jornal O Estado de S. Paulo (10.abr.2009) aponta o viés ideológico e eleitoreiro da intervenção presidencial:

  • É um péssimo sinal a interferência direta e explícita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na gestão do Banco do Brasil (BB), especialmente quando a cúpula do governo se empenha de forma indisfarçável na campanha para a próxima eleição presidencial. (...)

    Politizar a condução do BB já o levou à beira de uma crise gravíssima, nos anos 90, e a operação de salvamento, com injeção de R$ 8 bilhões em seu capital, ainda é lembrada por todo brasileiro informado.

    A subordinação aos objetivos políticos do governo também já custou caro à Petrobrás, forçada pelo presidente, no início do primeiro mandato, a recorrer a estaleiros nacionais para a compra de plataformas, navios-sonda e outros equipamentos. O resultado dessa mudança foi muito menos que satisfatório e isso não é segredo, embora a diretoria da Petrobrás evite referir-se ao problema. Também não deu certo, até agora, a associação com a PDVSA - estimulada pelo Palácio do Planalto - para a construção de uma refinaria em Pernambuco.

    O presidente Lula e seus auxiliares insistem, no entanto, em sujeitar o aparelho de Estado - administração direta, autarquias e empresas - a objetivos de política partidária ou a caprichos ideológicos, sem dar importância a exigências técnicas. (...)

    A ação do presidente Lula despertou receios muito justificados de uma crescente politização, a partir de agora, da gestão das companhias estatais.

Entendem agora o que Lula quer dizer quando apregoa a necessidade do “Estado forte” como resposta à crise? Nada mais do que o Estado tutor da economia, e a máquina estatal aparelhada pelo partido a favor de um projeto de poder político-ideológico.

Para os eternos otimistas de plantão, está aí o exemplo da mão de ferro político-ideológica de Lula no BB. É bom acordar!

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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Obama, o pânico e a intervenção do Estado

Obama, o pânico e a intervenção do Estado
O Presidente Barack Obama começa a mostrar ao que veio!

A revista Newsweek estampou no título de capa, de um de seus recentes números, uma pergunta instigante: "Somos todos socialistas?"

Na controvérsia em torno dessa questão pode estar uma das chaves da atual crise econômica. A tentativa oportunista de uma guinada ideológica.

Crise econômica, política e psicológica

Recapitulemos. Para os simples mortais, como eu, a crise, em sua origem e em seus desenvolvimentos, não é de uma compreensão linear.

Talvez por esse motivo, todos os dias, se multiplicam as opiniões - tantas vezes divergentes - dos especialistas, nos diversos órgãos de comunicação social.

Se bem que para alguns as origens da crise pareçam, à primeira vista, razoavelmente claras e certos desenvolvimentos compreensíveis, parece igualmente inequívoco que não são apenas fatores econômico-financeiros os que atuam na presente situação. Fatores políticos, com fortes doses de condicionantes psicológicas, estão presentes.

Coincidências

Diversos são os aspectos e coincidências que chamam a atenção:

1 - É fato que a crise econômica foi a catapulta que içou definitivamente a candidatura de Obama a uma posição de vantagem.

Até esse momento - e, sobretudo, após a entrada em cena de Sarah Palin, a candidata a vice de John McCain - Obama enfrentava dificuldades.

A tempestade financeira, explorada por uma mídia quase unanimemente pró-Obama, fez uma fatia do centro deslocar-se em sua posição, ou indecisos escolherem seu candidato.

2 - As explicações simplistas e até malévolas para a crise, atribuindo sua responsabilidade ao governo Bush, favoreceram o clima.

Muitos pareciam não querer lembrar que a origem, em boa medida, estava bem mais atrás, nas próprias iniciativas dos Democratas de, por imposição do Estado, obrigarem as instituições financeiras a expandir o crédito, até mesmo àqueles que não possuíam garantias para os mesmos.

3 - Uma outra coincidência é de realçar. A própria instabilidade em larga escala, gerada pela crise financeira, criou o clima ideal para Obama poder aplicar, como plano salvador, um conjunto de medidas intervencionistas e pró-estatistas, que, de outro modo, sofreriam forte oposição.

4 - Sirvo-me de uma imagem para chamar a atenção de uma última coincidência.
Aqueles que já estiveram em uma chácara ou fazenda, quando a tarde vai findando, mais facilmente entenderão o que vou descrever.

A escuridão já quase tomou conta do firmamento e o silêncio parece cercar-nos amigavelmente, transmitindo uma sensação de repouso e serenidade.

De repente, o coachar de um sapo rompe esse silêncio. E, logo em seguida, um outro e mais outro e logo muitos enchem os espaços com seus sons repetitivos, como que numa insurreição monôtona, beneficiando-se de um certo anonimato que a noite lhes confere.

A cena vem-me à mente para simbolizar o que se passou nas hostes da esquerda, quando da eclosão da crise.

Envergonhados pelo fracasso omnímodo das diversas experiências socialistas, numa exploração desonesta da crise, se puseram a repetir incessantemente e a proclamar o fracasso e o fim do capitalismo, querendo atingir na verdade o regime da livre iniciativa e o princípio da propriedade privada, buscando o regresso do Estado omnipresente.

Expansionismo estatal

Fica assim rapidamente descrito o contexto em que Barack Obama apresentou seu pacote de recuperação da economia e sua proposta de Orçamento.

Segundo o Financial Times, reproduzido pelo jornal Valor (27.fev.2009), "Barack Obama apresentou o modelo mais expansionista de envolvimento governamental na economia americana praticado em mais de uma geração, onde o déficit neste ano aparece quadruplicado".

Tal proposta de Orçamento implica em um tremendo aumento da dívida americana. Para especialistas a previsão de déficites orçamentários no plano fiscal é aterradora e cria um risco sério para a moeda americana. A possibilidade de um colapso para o dólar fez o ouro disparar.

Estratégia do pânico

Em suas intervenções públicas, Barack Obama vem acenando continuamente - já desde a campanha eleitoral - com o espectro da "Grande Depressão" e afirma que sem seu pacote intervencionista a economia irá para o abismo e talvez nunca mais se recupere.

Como muito bem escreveu Bradley R. Schiller, no Wall Street Journal (13.fev.2009) agora "a verdadeira catástrofe é a retórica de Obama".

Nesse sentido gostaria de compartilhar com os que lêem o Radar da Mídia, um artigo altamente esclarecedor de João Luiz Mauad, administrador de empresas, publicado em O Globo (26.fev.2009), sob o título "Estratégia do pânico":

  • " O intervencionismo está novamente em voga. Por toda parte, há especialistas defendendo enfaticamente que os governos gastem fortunas, ainda que a maioria dos governos não disponha dessas fortunas. Do leigo ao bispo, do peão ao empresário, quase não há quem duvide de que esta é a fórmula da felicidade.

    A palavra de ordem é gastar, ainda que muitas vezes ela venha maquiada pelo eufemismo “dar liquidez”. A quimera do momento é evitar a recessão, custe o que custar.

    Num livro lançado há pouco nos EUA, Neither Liberty nor Safity, o economista e historiador Robert Higgs reúne inúmeras evidências históricas que demonstram como a insegurança econômica, a vulnerabilidade a inimigos externos ou internos e as catástrofes ambientais foram usadas através dos tempos para expandir o tamanho do Estado e a intervenção dos governos na esfera privada.

    O livro é bastante didático ao explicar, por exemplo, como os governos — malgrado sua indelével vocação para a ineficiência e o desperdício de dinheiro alheio — crescem exponencialmente em momentos de crises (reais ou fabricadas), e por que raramente retornam ao seu tamanho depois que elas cessam.

    Segundo Higgs, nossa constituição física e psicológica nos predispõe ao medo, seja ele oriundo de ameaças reais ou potenciais, inclusive aquelas que existem somente em nossa imaginação. Infelizmente, os políticos entendem perfeitamente esta peculiaridade da natureza humana, e a exploram de forma eficiente.

    Eles sabem que dependem do pânico para assegurar a submissão da sociedade, o consentimento popular aos ditames oficiais e a cooperação afirmativa com suas aventuras. “Esta crise nos dá oportunidade de fazer coisas que não podíamos fazer antes”, confessou ao The Wall Street Journal o primeiro-secretário de Obama, Rhan Emmanuel.

    Como seu assessor, o presidente também sabe que a disseminação do pânico é o caminho mais fácil para impor decisões controversas e, não raro, oportunistas.

    Para fazer passar esse verdadeiro assalto ao bolso dos americanos, por exemplo, Mr. Obama vem utilizando a estratégia de superestimar as previsões de desemprego, ciente de que a estabilidade no trabalho é algo caro à maioria dos homens, o que os torna predispostos a pagar o preço que for necessário, ainda que sem qualquer garantia de que a mercadoria adquirida lhes será entregue.

    Se acreditarmos em alguns dos mais influentes formadores de opinião, seremos levados a concluir que os EUA passam por depressão pior do que a dos anos 30. É interessante notar que, além dos indefectíveis pedidos de mais verbas, o alarmismo aparece quase sempre acompanhado de estatísticas estapafúrdias, como a recente divulgação de que o número de demitidos, em 2008, teria sido o maior desde a Segunda Guerra.

    Ora, não é preciso ser nenhum perito para compreender que há algo muito estranho com tal comparação, afinal a população americana economicamente ativa naquela época era menos da metade da atual. Assim, quando expressos em termos relativos, tanto a taxa de desemprego quanto o número de novas demissões ainda estão distantes até mesmo dos índices da recessão de 1981-82. Em estatística, comparar números brutos, independentemente do universo pesquisado, é um exemplo típico de desonestidade intelectual. Uma outra estratégia, utilizada amiúde para dar credibilidade às ações pretendidas, é apelar para a existência de supostos consensos. A exemplo do que ocorre há anos com o aquecimento global, agora o governo americano informa que “há consenso” entre economistas sobre seu plano para estimular a economia. Errado! O Cato Institute divulgou um abaixo-assinado com mais de 300 assinaturas de proeminentes economistas, entre os quais 3 Prêmios Nobel, que recusam esse consenso. Pior: muitos acham que o voluntarismo estatal só irá piorar as coisas.

    Ademais, é importante compreender que não estamos diante de questões meramente econômicas, mas essencialmente morais. Milhões de indivíduos que nada fizeram de errado, bem como seus filhos e netos, serão forçados a pagar a conta dos equívocos de investidores e governantes no mínimo imprudentes, sem qualquer garantia de que os tais planos de salvamento, apoiados muito mais sobre os pilares do messianismo político do que da ciência econômica, realmente funcionarão. Estará morto aquele mundo em que as escolhas tinham consequências? Onde a insensatez era penalizada e a prudência premiada?"

Creio que, aos poucos, a apreensão e até a decepção vai substituindo o clima de torcida eufórica e inconseqüente que cercou a vitória de Obama.

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domingo, 23 de dezembro de 2007

No Aeroporto com os brasileiros que partiram

No Aeroporto com os brasileiros que partiram
Acabo de regressar do Aeroporto internacional de Guarulhos. Ali encontrei, por acaso, um amigo que aguardava sobrinhos que voltavam ao Brasil.

Um deles, junto com a esposa e o irmão desta, chegavam da Austrália. "Estamos quase chegando em casa", disse ela com um sorriso, que denotava comprazimento e saudades. Uma outra sobrinha de meu amigo chegaria, em pouco tempo, proveniente de Londres.

Fui apresentado aos que voltavam da Austrália. Jovens, simpáticos, boa presença, pujantes e talentosos, diziam que era bom trabalhar por lá.

Pujança acorrentada
Na percurso de volta para casa perguntei-me o que leva brasileiros, como eles, a deixarem um país maravilhoso e irem trabalhar, literalmente, no outro lado do mundo. E como eles muitos outros!

Afinal o Brasil é um mundo, em boa parte sendo conquistado, pois a fronteira interna não deixa de se expandir. Um país com riquezas inesgotáveis, com oportunidades sem fim, com um povo afável, acolhedor e amigo.

Concluo que o Brasil poderia ter outra pujança econômica se aqui houvesse uma verdadeira liberdade econômica.

Os impostos escorchantes, a burocracia tentacular, a legislação opressiva, as inúmeras restrições e ataques ao direito de propriedade entravam a verdadeira pujança do País. E não apenas do ponto de vista econômico, mas cultural, social, educativo.

Há polos de excelência em muitos campos, espalhados por todo o território. Mas quantos outros poderiam surgir, ou até mesmo já teriam surgido?

Mentalidade e ideologia estatizante
O brasileiro, sempre criativo e com iniciativa, parece procurar a todo o momento as brechas na muralha com que os adeptos da mentalidade e da ideologia estatizante e socializante cercaram o País.

E para muitos a única brecha é sair do País!

Apenas para se ter uma idéia, em artigo para O Estado de S. Paulo, Diogo Costa, mestre em Ciência Política pela Universidade de Colúmbia, menciona que, durante os cinco anos do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil caiu do 76º para o 101º lugar, no ranking mundial de liberdade econômica. A classificação, feita anualmente pelo Fraser Institute do Canadá, mostra que o País ficou empatado com Etiópia, Haiti e Paquistão.

Portos: exemplo paradigmático
Há dias, um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu, com farta documentação e argumentação o fim da administração pública dos portos e do que chama de "ineficiência provocada pela hegemonia de interesses políticos no setor".

O estudo relembra que 95% do volume exportado passa pelos portos; e do valor das exportações, 80% depende dos mesmos. A falta de investimentos para modernização e a ineficiência operativa, acarretam pesadas perdas ao País e constituem mais um dos gargalos da infra-estrutura.

"Somente a privatização permite superar o atraso e obter apoio financeiro mais rápido para os investimentos necessários. Falta profissionalização, porque os portos ficaram por muito tempo reféns de indicações políticas", diz o estudo da CNI, mencionado pelo jornal Valor Econômico.

Entretanto, uma única coisa parece certa nesta questão. Quem a enunciou, com clareza, foi o ministro-chefe da Secretaria Especial dos Portos, Pedro Brito: "Privatizar não está nos planos do governo".

É claro, diante da ideologia do atraso, brasileiros jovens, válidos e talentosos, como os sobrinhos de meu amigo, vão para a Austrália e outros países.

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terça-feira, 9 de outubro de 2007

Lula e a privatização da Vale

Lula e a privatização da Vale
A campanha pela reestatização da Vale do Rio Doce, conduzida pela CNBB, pastorais sociais, MST, CUT, UNE e demais movimentos ditos sociais, passou a ser a pauta unificadora de diversas forças da esquerda. Incluindo o PT. Para estas forças a idéia de invalidar a privatização da Vale é um ato de soberania nacional.

Lula diz que o apoio do partido ao "plebiscito" não foi para valer. E muitos se tranquilizam. Mas afinal o que ele pensa mesmo sobre o assunto? A resposta ao próprio Lula: "A privatização da Vale foi péssima para o país. As privatizações realizadas no governo de FHC foram feitas sem critérios, apenas dentro de um conceito de desmobilização de ativos públicos, provocando uma desestruturação de parte da infra-estrutura brasileira".

A declaração foi feita durante a campanha eleitoral de 2006.

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domingo, 7 de outubro de 2007

É hora de uma lipoaspiração no Estado

É hora de uma lipoaspiração no Estado
Ao formular, de modo simplista, seu conceito de "choque de gestão" (contratar mais funcionários públicos), o Presidente Lula trabalhou sobre um equívoco voluntário.

A contratação de mais funcionários seria a solução para a precariedade dos serviços públicos. Ora, trata-se, isso sim, de dar mais eficiência e não de inchar a máquina pública.

A estrutura gigantesca de Ministérios, bem como o aparelhamento político de empresas estatais não garante de modo algum essa eficiência. Pelo contrário, conforme a experiência de muitos países, são o enxugamento da máquina pública e as privatizações que trazem vantagens para todo o país.

Mas Lula e sua equipe, sempre fascinados pelos fracassados ideais socialistas (reafirmados há pouco no 3º congresso do PT), pretendem inchar a máquina pública e, na medida do possível, reestatizar setores importantes da economia. E para isso... mais impostos!

Ricardo Neves, consultor de empresas, escreveu em seu artigo Menos estatais, mais eficiência, na revista Época (8.out.2007):

  • "O principal problema da boa governança da política no Brasil é que o governo se tornou grande demais e, por conseqüência, há verba pública demais ao alcance dos políticos. Isso está em contradição com os tempos atuais. Vivemos um mundo de competição globalizada, em que qualquer atividade pode ser feita de forma mais barata, mais rápida e com maior qualidade pela iniciativa privada. Não há mais razão para governos serem provedores de energia, serviços financeiros, telecomunicações, operações postais, nem mídia e comunicação. ....

    Nesse contexto, empresas públicas e estatais, de forma geral, perderam qualquer razão de existir. ....

    Onde o Estado se intrometer fora dessa agenda básica, qualquer boa intenção vai acabar se pervertendo. A política desanda em negociação espúria de cargos para apadrinhados de políticos em empresas estatais – o que é bem exemplificado pelas brigas partidárias para dirigir Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Correios, Furnas, Infraero e até fundos de pensão das estatais. ....

    Está na hora de subir no banquinho para cobrar uma grande reengenharia lipoaspiradora dos governos e uma privatização completa".
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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O "choque de gestão" em números

"É espantosa a afirmativa do Presidente Lula de que o choque de gestão na administração pública brasileira se dará pela contratação de um maior número de servidores. O ineditismo da frase somente é inferior à perplexidade que causa, até mesmo a quem tenha conhecimentos rudimentares de administração pública ou privada. Em um país com um mínimo sentimento de cidadania, tal barbaridade produziria uma comoção política". Foi com estas palavras que Everardo Maciel, ex-secretário da Receita Federal, comentou as recentes declarações do Presidente.

Apenas para conhecer, em números, o conceito de "choque de gestão" enunciado pelo Presidente Lula, aqui fica a transcrição de parte de uma matéria publicada no jornal O Globo (2.out.2007), sob o título Governo Lula já criou quase 100 mil vagas:

  • "Desde 2003, o governo federal autorizou a criação de 94.765 vagas, por concurso público, em todos os órgãos do Executivo, e este número poderá crescer ainda mais até dezembro. Soma-se aos funcionários concursados o maior número de cargos em comissão, que passaram de 17.559 em 2003 para 19.724 até fevereiro passado — um aumento de 12%. Dados do Ministério do Planejamento, apontam que este ano, até setembro, já haviam sido autorizados concursos para preencher 13.280 vagas. Como o Orçamento de 2007 permite que sejam contratados até 28.727 servidores para o Executivo, até o fim do ano novos concursos devem ser autorizados.

    Esse ritmo crescente de contratações de servidores faz parte da política do governo petista de reforçar a máquina pública. Em 2008, continuará forte. Para o ano que vem, o projeto de Orçamento permite concursos para preencher até 40.032 vagas no Executivo. Desse total, 7.501 são postos totalmente novos, recém-criados. As contratações estão distribuídas em sete áreas: seguridade social, educação, esportes, defesa, segurança pública, gestão e diplomacia.

    O custo estimado das novas contratações nos cofres públicos em cinco anos de governo Lula é de R$ 53 bilhões. O resultado é que o contribuinte paga mais pelos servidores. Em 1995, o gasto do país com funcionalismo era de R$ 35 bilhões. Em 2002, último ano do governo Fernando Henrique, esse valor passou para R$ 75 bilhões. Nos últimos cinco anos, o crescimento da folha tem dado saltos. Em 2005, era de R$ 100 bilhões. Este ano, está em R$ 118 bilhões, e a previsão para 2008 é de um gasto de R$ 130 bilhões".
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terça-feira, 2 de outubro de 2007

A ideologia petista e o aumento do Estado

Voltemos às afirmações do presidente Lula de que "é preciso parar com a mania de achar que contratar gente para trabalhar para o Estado brasileiro é inchaço de máquina". Afirmação que remete para a retórica petista da "política de recuperação do Estado", em contraposição ao "neoliberalismo". (ver post abaixo Salto para o passado)

Gustavo Patu, da sucursal de Brasília do jornal Folha de S. Paulo (2.out.2007), escreve em análise intitulada Lula confunde e amplia governo e Estado:

  • "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ampliou tanto a máquina do Estado quanto a máquina do governo, discursa como quem não percebe a diferença entre uma coisa e outra. ....

    Lula, porém, usou os argumentos aos quais os petistas mais ideológicos recorrem para justificar o aumento da estrutura do Estado. ....

    A confusão entre a burocracia anônima e os companheiros nomeados pode ser proposital - afinal, é menos difícil justificar o aumento de servidores na educação do que afirmar a necessidade da tal Secretaria de Planejamento do Longo Prazo e das centenas de novos cargos comissionados.

    Outra hipótese, não excludente, é que seja uma associação instintiva -porque o PT detém as maiores fatias tanto dos sindicatos do funcionalismo como dos melhores postos de livre distribuição do Poder Executivo.

    Especulação à parte, o fato é que a administração de Lula, desde o início, turbinou Estado e governo sem hesitações, mesmo nos tempos em que a contenção de gastos e a assimilação do ideário liberal ainda encabeçavam a agenda de sua equipe econômica. ....

    Em outras palavras, o governo passou a contratar servidores em quantidades superiores às das aposentadorias e mortes, e hoje o total de civis ativos do Executivo chega a cerca de 530 mil, mesmo patamar de dez anos atrás. ....

    Para o recorde de 22 mil cargos de confiança, as explicações oficiais são ainda mais vagas. O PT, que responde sozinho por um quarto das vagas preenchidas e cobra um percentual dos vencimentos de seus agraciados, não vê relação entre uma coisa e outra".
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Salto para o passado

O presidente Lula voltou a brindar-nos com uma pérola: para ele "choque de gestão é contratar mais gente". Aí está de novo a defesa do inchaço da máquina pública, da economia estatal como ideal a ser perseguido.

Suas afirmações, ao inaugurar a unidade de produção de vacinas na Fundação Oswaldo Cruz, no Rio, foram gratuitas. É preciso deixar de lado "a mania de achar que contratar gente é inchaço da máquina". Não é "mania de achar", é inchaço mesmo!

E prosseguiu: "Passam para a sociedade a idéia de que é possível fazer um choque de gestão diminuindo o número de pessoas que trabalham". Não se trata de diminuir o número de pessoas que trabalham, é diminuir o Estado inoperante, burocrático e tantas vezes corrupto (Ver abaixo o post Marchas em sentido inverso).

Aí estão ao alcance de todos as provas das privatizações que trouxeram claras vantagens para a sociedade, que só os adeptos do atraso contestam. Em contraste com a economia estatal, em que se aparelham com dirigentes partidários as direções de empresas. Lembre-se, nestes dias, o escandaloso loteamento de cargos na Petrobrás.

Essa e outras afirmações recentes do presidente Lula levaram a conhecida comentarista política, Dora Kramer, a escrever em seu artigo Só no chinelinho, no jornal O Estado de S. Paulo (2.out.2007):

  • "Em poucos dias, o presidente Lula reafirmou algumas convicções que podem ser lidas tanto pela ótica do equívoco quanto pela lógica do atraso.

    No campo dos equívocos, está a afirmação de que “há um dogma” quanto à exigência de diploma universitário para o exercício da Presidência da República.

    Não há. O que há é o pressuposto de que formação educacional deve ser um objetivo de todos e um imperativo para quem, como ele, dispõe de condições materiais fartas.

    No terreno do atraso, Lula produziu duas assertivas erráticas. A primeira desqualifica o valor dos princípios (por ele qualificados de forma pejorativa como “principismo”), aos quais só se deve aderir enquanto se é oposição.

    Por esse ângulo de visão, entre as responsabilidades de um governante estaria o abandono dos princípios e, portanto, a adesão aos fins que justificam quaisquer meios para alcançá-los.

    A segunda assertiva, feita ontem - “é preciso parar com a mania de que contratar mais gente para trabalhar para o Estado brasileiro é inchaço da máquina” -, consagra o empreguismo e o gigantismo como metas e marcas de eficiência na gestão.

    Junte-se a isso a celebração do fisiologismo como norma “culta” do governo de coalizão e teremos o que se pode chamar de um legítimo salto para o passado".

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segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Marchas em sentido inverso

Na França a esquerda foi amplamente derrotada nas últimas eleições presidenciais. Nem a "musa" socialista, Segolène Royal - tão exaltada por amplos setores da mídia, que não hesitavam em declará-la a grande favorita - conseguiu reverter a tendência da opinião pública.

Agora os socialistas se confessam em uma das mais graves crises históricas do Partido e seu líder máximo, François Hollande, afirma que o socialismo, com suas propostas, não fala mais uma língua inteligível pelo público.

Na esteira da vitória presidencial, Nicolas Sarkozy, começa a empreender as reformas necessárias para libertar a França dos "grilhões" do passado estatista, deixando para trás as decrépitas fórmulas socialistas da economia.

O conhecido articulista Gilles Lapouge analisa a política do presidente francês, em artigo para O Estado de S. Paulo (21.set.2007), Sarkozy semeia ‘nova sociedade’:

  • "Nicolas Sarkozy atacou em cheio o capítulo mais perigoso do seu programa de governo: a reforma econômica e social do Estado. Reforma não é o termo mais apropriado. Melhor dizer: a invenção de uma “nova sociedade”. E começou o trabalho com violência. Dirigindo-se a 5 milhões de funcionários públicos que custam ao Estado 1 bilhão por ano. ....

    Qual é a linha geral? Ele jurou arrancar a economia dos seus grilhões “estatais”, ampliando definitivamente o território da empresa privada. A intervenção do Estado é uma tradição antiga. Remonta a Colbert, Napoleão, de Gaulle. Fora da França, porém, observa-se o oposto. É o liberalismo, a lei do mercado e a livre empresa que triunfam.

    A França, país ideológico e pouco pragmático, sempre rejeitou essa ruptura com o passado. Sarkozy deseja que a França realize essa revolução, que o país se adapte ao novo século. E joga pesado".
Como esse caminho contrasta com as tendências cada vez mais estatizantes que o governo Lula tenta imprimir à economia nacional: verdadeiro massacre de impostos, crescente burocracia, inchaço do Estado, aumento desproporcionado dos gastos públicos (o dobro do índice de crescimento do PIB), ausência de uma reforma na legislação trabalhista retrógrada, desrespeito contínuo e impune dos "movimentos sociais" ao direito de propriedade.

Afinal, na campanha eleitoral, o "fantasma" com que Lula tentou, desonestamente, assustar os brasileiros trazia o nome de "privatizações". E no recente Congresso do PT, que endossou a defesa do "socialismo sustentável", os clamores pela reestatização da Vale do Rio Doce foram o grito simbólico do partido do Presidente em favor de uma ampla reestatização da economia.

Marchas em sentido inverso: na França para a modernidade; no Brasil para os modelos retrógrados do "socialismo sustentável".

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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Ambiguidades estatizantes

Lula não fará nada pela reestatização da Vale do Rio Doce porque não quer assustar o mercado. Ou, pelo menos, finge. Ele emprega a tática da ambiguidade. Deixa que suas bases de apoio lancem suspeitas sobre as privatizações. Deixa o plebiscito sobre a reestatização da Vale ser aprovado pelo 3º Congresso do PT, no qual Lula mandou e desmandou. Sabe que os resultados da privatização foram um sucesso e trouxeram benefícios ao País. Entretanto, não fala deles e na campanha eleitoral demonizou as privatizações!

O cientista político Eduardo Graeff, escreve na Folha de S. Paulo (17.set.2007), sob o título Lula e seus militantes amestrados:

  • "O plebiscito sobre a privatização da Companhia Vale do Rio Doce não foi para valer, Lula esclareceu na coletiva de rádio dias depois de o PT anunciar sua adesão à iniciativa do MST e outros. A rigor, o 'não tenho nada com isso' dele também não é para valer.

    Às vésperas do plebiscito, enquanto o presidente da República negava que a reestatização da Vale estivesse ou pudesse vir a estar na agenda de seu governo, militantes de camiseta vermelha recolhiam assinaturas para o plebiscito comodamente instalados na portaria do Ministério do Planejamento ao som do hino da Internacional Comunista. O que vale mais: a palavra do presidente ou as centenas de milhões de reais com que irriga o MST, a CUT, a UNE etc.?"

domingo, 16 de setembro de 2007

Privatização X reestatização da Vale: os números

Os adeptos do atraso, os defensores do socialismo (que agora denominam do século XXI) querem reeditar as mazelas estatistas que foram causa de desastres sem nome em todos os países onde foram implementadas. Com um discurso nacionalista, para iludir certos desavisados, exigem que a Companhia Vale do Rio Doce volte a ser do "povo". Para isso se mobilizam, inúmeros movimentos de esquerda e, é claro, o progressismo católico mais radical, como se viu no "Grito dos excluídos".

Também no 3º Congresso do PT o tema veio à baila, e a proposta pela reestatização da Vale foi votada favoravelmente pela maioria presente ao Congresso, bem como a adesão do partido ao "socialismo sustentável". Ou seja, nos votos favoráveis estavam os dos representantes da ala à qual pertence o Presidente Lula. Mas logo correu, numa daquelas típicas artimanhas petistas, que Lula era contrário à proposta. Ninguém ouviu o Presidente dizer qualquer palavra nesse sentido. Porque ele não se demarcou dessa posição do PT? Porque este é, no fundo, o sonho de Lula, a reestatização da economia. Só não a empreendeu até agora por tática. Vejam-se as inúmeras medidas que, pouco a pouco, vai tomando seu governo para que a presença do Estado na economia cresça.

Para "tirar as dúvidas" que possam ter os opositores da privatização da Vale, aqui estão alguns números que por si só impressionam e demonstram como o País se beneficiou com essa medida, que expandiu investimentos, criou muitos empregos e multiplicou a contribuição em impostos. O artigo, A verdade sobre a privatização, é de Suely Caldas e foi publicado no Estado de S. Paulo (9.set.2007):

  • "Os arquivos da empresa mostram números extraordinários da Vale privada, quando comparados aos da Vale estatal. Alguns exemplos:

    Em 1997 a Vale estatal pagou à União US$ 110 milhões em impostos e dividendos. Depois de nove anos de privatização, em 2006, essa quantia saltou 23 vezes para US$ 2,6 bilhões.

    Nesse mesmo período, o número de empregados cresceu cinco vezes, de 11 mil para 56 mil. As exportações triplicaram, de US$ 3 bilhões para US$ 9 bilhões.

    A produção expandiu de 100 milhões de toneladas para 250 milhões.

    Entre 1943 e 1997, portanto em 54 anos de controle estatal, a Vale investiu a soma de US$ 24 bilhões. Em apenas seis anos de gestão privada, entre 2001/2006, ela aplicou US$ 44,6 bilhões em investimentos, criando riqueza para o País".

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Tributos e gastos públicos não páram de crescer

Surgem continuamente na imprensa, e na imprensa especializada, alertas quanto ao inchaço do Estado e ao crescimento desmedido dos gastos públicos. Para não causar apreensões no mercado, o governo Lula tem mascarado seus gastos crescentes, com impostos também cada vez maiores, permitindo-lhe assim exibir um superávit primário mais elevado.

Mas nota-se, cada vez mais, o viés ideológico que vai sendo impresso à economia, com o já mencionado inchaço do Estado, com as políticas assistencialistas (consideradas por Lula como "investimentos"), a intervenção na economia, o enfraquecimento das agências reguladoras e o total descaso da infra-estrutura do País.

Cristiano Romero, no jornal Valor (12.set.2007), em artigo intitulado Gastos: uma trajetória insustentável, mostra como o governo Lula expandiu a despesa com pessoal, com a contratação de milhares de funcionários e a concessão de generosos reajustes salariais. Entre 2003 e 2006 um crescimento, em termos reais, de 14,3%. E o governo promete mais para 2007 e 2008:

  • "Um cuidadoso levantamento sobre a evolução das despesas públicas nos últimos sete anos, feito pelo economista Amir Khair, confirma ser insustentável a trajetória dos gastos do Estado brasileiro. Não se trata, aqui, de prever o caos. No atual modelo fiscal, a carga tributária cresce ano a ano justamente para fazer frente à escalada irracional das despesas públicas. Com isso, assegura-se a geração de superávits primários tranqüilizando os credores da dívida pública. ....

    É importante observar de forma crítica o comportamento das contas públicas nos últimos anos e avaliar as perspectivas. Se nada for feito para mudar o regime fiscal, a carga de impostos e os gastos continuarão subindo, aumentando o tamanho do Estado na economia e abortando a possibilidade de o país crescer a taxas mais elevadas nos próximos anos. ....

    O que não é recomendável é que, a partir da idéia de que o Estado pode tudo, e efetivamente ele não pode, o setor público cresça, como vem acontecendo, acima de limites razoáveis, gerando ineficiência e impedindo o crescimento da economia como um todo".

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Pacote legal socializante ameaça o álcool (2)

O Brasil, sem a intervenção do Estado, viveu um ciclo virtuoso em matéria de produção de álcool combustível. As exportações cresceram e o País conquistou 35% do mercado mundial. É claro que os empresários e analistas acham importante que se adotem regras que regulem o setor. Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas é um dos que reconhece que o setor precisa ser organizado. Mas ele mesmo constata que há um grande temor do setor produtivo e dos investidores pela extensão das medidas preparadas pelo governo.

Ainda é a revista Época (3.set.07), na matéria assinada por Alexa Salomão e Murilo Ramos e intitulada Vem aí a Alcoolbras?, quem alerta:

  • "A intervenção estatal poderia prejudicar a ambição do Brasil de se tornar o grande fornecedor mundial de combustíveis alternativos. Vários investidores nacionais e estrangeiros acreditam nesse potencial e têm investido muito dinheiro em usinas no país. Em 2006, foi anunciada a construção de cerca de 150 usinas, um investimento estimado em US$ 14 bilhões. "Quem vai querer investir no Brasil ou comprar nosso álcool se houver ameaça de intervenção do Estado?", diz Rodrigues. No Congresso a idéia também causou estranheza. ....

    Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de Relações Internacionais da Federação das Indústrias de São Paulo [diz]: "Só depois que os usineiros se livraram das amarras do governo o setor foi para a frente e o Brasil tornou-se a potência que vemos hoje nessa área. Ressuscitar o intervencionismo é um grande retrocesso".

Pacote legal socializante ameaça o álcool (1)

A euforia do etanol enquanto energia alternativa tomou conta de muita gente, e com razão. O Brasil apareceu no cenário mundial como detentor de uma tecnologia de ponta, e com uma capacidade de produção, que pode alterar definitivamente a primazia exercida pelos combustíveis derivados do petróleo.

O governo norte-americano, com a visita do próprio presidente Bush, reconheceu a importância assumida pelo Brasil. Importância que, reconhecidamente, o País alcançou pelo dinamismo da iniciativa privada.

Lula fez declarações bombásticas, querendo aproveitar a onda, a fim de carrear para seu governo o prestígio alcançado pelo Brasil. Dava a entender ter sido ele o responsável pelo destaque no Brasil no campo do etanol.

Mas, uma vez mais, Lula demonstrou que possui dois discursos. Enquanto, oficialmente, parece dar incentivo à prosperidade do Brasil e reconhecer o papel fundamental da iniciativa privada, nos bastidores trabalha pela forte estatização das atividades econômicas, prejudicando a fundo as perspectivas que se abrem para o País com a produção de etanol.

A revista Época (3.set.07), em matéria assinada por Alexa Salomão e Murilo Ramos e intitulada Vem aí a Alcoolbras?, faz um importante alerta:

  • "O governo Luiz Inácio Lula da Silva já demonstrou em diversas ocasiões que é favorável ao aumento da participação do Estado na Economia. Na área de energia elétrica, o atual governo alterou as regras do jogo, para ampliar o controle público sobre a construção de novas hidrelétricas. No setor de telefonia, hoje totalmente privatizado, tem defendido a criação de uma operadora nacional a partir de uma fusão entre a Brasil Telecom e a Oi - com a participação do Estado. ....

    Agora, a atenção do governo voltou-se para um novo segmento - o álcool combustível. Está em gestação na Casa Civil, sob o comando da ministra Dilma Rousseff, um projeto de lei que cria regras para o setor. A proposta, ainda em discussão, é um pacto intervencionista como havia muito não era visto no país.

    A Agência Nacional do Petróleo (ANP) ganharia poderes para controlar os estoques privados de álcool. A Petrobras passaria a ser o principal exportador do setor. Paralelamente, o governo também planeja criar um zoneamento para o cultivo da cana-de-açúcar, restrigindo áreas para o plantio. ....

    Além disso, em caso de risco de desabastecimento do mercado interno, o álcool das usinas poderia ser confiscado".