domingo, 23 de dezembro de 2007

No Aeroporto com os brasileiros que partiram

No Aeroporto com os brasileiros que partiram
Acabo de regressar do Aeroporto internacional de Guarulhos. Ali encontrei, por acaso, um amigo que aguardava sobrinhos que voltavam ao Brasil.

Um deles, junto com a esposa e o irmão desta, chegavam da Austrália. "Estamos quase chegando em casa", disse ela com um sorriso, que denotava comprazimento e saudades. Uma outra sobrinha de meu amigo chegaria, em pouco tempo, proveniente de Londres.

Fui apresentado aos que voltavam da Austrália. Jovens, simpáticos, boa presença, pujantes e talentosos, diziam que era bom trabalhar por lá.

Pujança acorrentada
Na percurso de volta para casa perguntei-me o que leva brasileiros, como eles, a deixarem um país maravilhoso e irem trabalhar, literalmente, no outro lado do mundo. E como eles muitos outros!

Afinal o Brasil é um mundo, em boa parte sendo conquistado, pois a fronteira interna não deixa de se expandir. Um país com riquezas inesgotáveis, com oportunidades sem fim, com um povo afável, acolhedor e amigo.

Concluo que o Brasil poderia ter outra pujança econômica se aqui houvesse uma verdadeira liberdade econômica.

Os impostos escorchantes, a burocracia tentacular, a legislação opressiva, as inúmeras restrições e ataques ao direito de propriedade entravam a verdadeira pujança do País. E não apenas do ponto de vista econômico, mas cultural, social, educativo.

Há polos de excelência em muitos campos, espalhados por todo o território. Mas quantos outros poderiam surgir, ou até mesmo já teriam surgido?

Mentalidade e ideologia estatizante
O brasileiro, sempre criativo e com iniciativa, parece procurar a todo o momento as brechas na muralha com que os adeptos da mentalidade e da ideologia estatizante e socializante cercaram o País.

E para muitos a única brecha é sair do País!

Apenas para se ter uma idéia, em artigo para O Estado de S. Paulo, Diogo Costa, mestre em Ciência Política pela Universidade de Colúmbia, menciona que, durante os cinco anos do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil caiu do 76º para o 101º lugar, no ranking mundial de liberdade econômica. A classificação, feita anualmente pelo Fraser Institute do Canadá, mostra que o País ficou empatado com Etiópia, Haiti e Paquistão.

Portos: exemplo paradigmático
Há dias, um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu, com farta documentação e argumentação o fim da administração pública dos portos e do que chama de "ineficiência provocada pela hegemonia de interesses políticos no setor".

O estudo relembra que 95% do volume exportado passa pelos portos; e do valor das exportações, 80% depende dos mesmos. A falta de investimentos para modernização e a ineficiência operativa, acarretam pesadas perdas ao País e constituem mais um dos gargalos da infra-estrutura.

"Somente a privatização permite superar o atraso e obter apoio financeiro mais rápido para os investimentos necessários. Falta profissionalização, porque os portos ficaram por muito tempo reféns de indicações políticas", diz o estudo da CNI, mencionado pelo jornal Valor Econômico.

Entretanto, uma única coisa parece certa nesta questão. Quem a enunciou, com clareza, foi o ministro-chefe da Secretaria Especial dos Portos, Pedro Brito: "Privatizar não está nos planos do governo".

É claro, diante da ideologia do atraso, brasileiros jovens, válidos e talentosos, como os sobrinhos de meu amigo, vão para a Austrália e outros países.

Cadastre seu email aí ao lado e receba atualizações deste blog.

3 comentários:

andre wernner disse...

J.Sepúlvida,
Desejo a você e seus familiares um Feliz Natal de muita confraternização, amor e paz e que o próximo ano seja de muitas realizações e prosperidade.
Abs

Simone disse...

Sr. Sepúlveda, muito oportuna e esclarecedora suas colocações! Muitos brasileiros descendentes de japoneses procedem de modo similar, indo para o Japão, trabalhando mais, ganhando mais,"fazendo o pé de meia" como eles mesmo dizem. Aqui na nossa pequena cidade conhecemos muitos que foram e passaram três anos no mínimo, outros, cinco anos, e outros que não voltaram e adaptaram-se por lá.
Realmente o nosso país tão rico mas grassado por um estado "onipresente" trava qualquer deslanche evolutivo que beneficie a nação.
Saudações

Therèse disse...

Sr. Sepúlveda.
Londres constitue-se um chamariz para os que buscam melhorar suas condições de vida. Li outro dia que 32% dos brasileiros que lá vivem trabalham como faxineiros e serviços do gênero.
Infelizmente há um desencanto pelas "oportunidades" aqui oferecidas, pelos altos impostos, pelos péssimos serviços prestados pelo estado, seja rodoviário, de saúde, desempenho político dos eleitos pelo voto popular, pela burocracia em abrir seu próprio empreendimento, enfim, há uma verdadeira leva de descendentes de europeus que buscam obter a cidadania através de algum antepassado, objetivando mudar-se do imenso Brasil.
O post é significativo e indica um fenômeno sintomático da conjuntura brasileira e suas mazelas concernentes a esse tema.
A insegurança, a inficiência, as contradições, os desequilíbrios salariais em diversas áreas e os fatores mencionados no excelente post, colaboram para motivar a mudança do país de origem.
Congratulações