domingo, 1 de março de 2009

84% de popularidade: fantasia carnavalesca

84% de popularidade: fantasia carnavalesca

O Carnaval se repete a cada ano e a cada ano também se tecem considerações a respeito de suas origens, de seus significados e das formas que vem assumindo.

À parte dos grandes desfiles das escolas de samba, a festa carnavalesca encerra múltiplas facetas.

Entre elas está a das máscaras e fantasias. Talvez seja até uma das mais características do Carnaval, na maior parte dos países.

Crianças, jovens e adultos envergam elaborados figurinos, se caracterizam de figuras históricas ou atuais ou ainda de personagens imaginários e vivem, assim, alguma personalidade fantasiosa.

Fantasia das pesquisas de opinião

As pesquisas de opinião a respeito da popularidade de Lula parecem fazer imperar no Brasil o clima fantasioso do Carnaval, muito para além dos três dias de folia.

Todos os dias somos bombardeados pela "certeza dogmática" de que Lula goza dessa alucinante popularidade. E ai de quem a questionar.

Há apenas um pequeno (!) problema: a realidade desmente, a todo o momento, e de modo gritante, a fantasia. Já escrevi a este respeito aqui no Radar da Mídia.

Leia Eleições 2008: dogma virtual

Foi a vaia do Maracanã; a derrota cruel das eleições municipais para falar de dois momentos, já históricos.

Mas logo os "especialistas" tiram da cartola explicações para nos convencer de que a fantasia dos 84% é verdadeira e a realidade... bem a realidade é apenas (!) a realidade.

O Brasil parece ser embalado o ano todo pelo samba-enredo dos 84%.

O Presidente se esconde

Chegou o Carnaval e o Presidente da popularidade assombrosa decidiu ir à Marquês de Sapucaí.

Conforme noticiaram os jornais, para evitar vaias, Lula chegou de forma discreta, só entrou quando a primeira escola já desfilava sob o aplauso do público e seu nome não foi anunciado. Neguinho da Beija-Flor convidou o Presidente para apadrinhar sua união, mas Lula não desceu à pista.

Tudo muito revelador da fantasia (carnavalesca) dos 84%.

Lula na Avenida

Danuza Leão, em artigo para a Folha de S. Paulo (1.mar.2009) traça a este respeito um quadro onde não falta vivacidade e brilho. Convido-os a ler! O título fala por si: Lula na Avenida.

  • " O carioca é mesmo único. Fica íntimo sem conhecer as pessoas; se você telefona para um escritório, a telefonista te chama de "meu amor", se compra um coco na praia, o vendedor te chama de "querida", se pede uma cadeira para tomar sol, vem logo um "é pra já, minha linda". Não é nem preciso dizer que todos se chamam de você e são de uma cordialidade suprema.

    Estamos mais do que acostumados a toda essa intimidade. Mas quando é para vaiar ou para aplaudir, não fazem a menor cerimônia. E o curioso é que estão todos, sempre, de acordo. Quer seja no Maracanã, no meio de um bloco, ou na avenida, a unanimidade é sempre geral, e nunca existem duas correntes, uma a favor e outra contra. Veja o pobre do Neguinho da Beija-Flor, que levou uma vaia daquelas por ter atrasado 15 minutos o desfile, já que resolveu se casar na avenida.

    Isso pelo menos vai evitar que, no futuro, entre uma escola e outra, aconteçam batizados, aniversários e que tais. Mas foi curioso que o carioca, tão espontâneo nos seus arroubos, não tenha tido nenhum tipo de reação à presença do presidente na avenida.

    Foi como se fosse um desconhecido qualquer no camarote do governador -nosso governador, que sempre faz uma pose original na hora das fotos. Nem vaias, nem palmas. Nada. E nada é pior do que qualquer coisa. Para quem, segundo as pesquisas, tem 84% de aprovação popular, seria de se esperar um espetáculo de gritos e vivas ao presidente. Afinal, 84% não são para se desprezar. Pois não aconteceu absolutamente nada.

    Não adiantou o chapéu panamá, a animação de d. Marisa, que chegou a descer para sambar junto aos passistas, enquanto os fotógrafos cumpriam seu papel de mostrar o quanto nosso governador, nosso prefeito e nosso presidente são unidos. Ninguém deu a menor bola. Eu, que não entendo dessas coisas, acho que Lula estava em campanha; ele não foi ver o samba, mas testar 2010. Já o prefeito foi para a avenida, sambou com as escolas -todas-, mudou a cor da fitinha do seu chapéu para ser simpático com cada uma que passava, mas também não fez o menor sucesso. Era tudo "fake", e carioca saca essas coisas com incrível rapidez.

    Quando Itamar apareceu na avenida, 15 anos atrás, foi um grande auê com palmas carinhosas de todos que passavam (depois que Lilian Ramos apareceu foi outro auê). Todos queriam saudar nosso então presidente. Mas desta vez a presença de nossa autoridade máxima foi um fiasco. E d. Marisa deu, enfim, sua contribuição como primeira-dama: foi quando reclamou com o ministro Temporão que não havia camisinhas no banheiro das mulheres. Que beleza, ter uma primeira-dama tão cuidadosa. Depois de tantos anos sem dizer uma só palavra, ela perdeu uma boa oportunidade de ter continuado muda e calada como sempre esteve.

    Foi uma pena nossa jovem Dilma não ter vindo também. Ela teria certamente contribuído para que a indiferença carioca se mostrasse ainda mais evidente. Aliás, segundo amigos pernambucanos, sua passagem pelo Estado foi em branquíssimas nuvens. Lá também não aconteceu nada. O trio da alegria -Cabral, Paes e Lula- bem que se esforçou, mas no Carnaval não fez nenhum sucesso. "

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5 comentários:

ussnegreli disse...

Sr. Sepúlveda, acho que deve saber, mas fica o registro.

O presidente com 84% de aprovação foi assistir ao carnaval no RJ no camarote do governador ou prefeito - não me recordo - e sua equipe decidiu não avisar ao público, pois queriam evitar as váias. Imagine se não tivesse 84% de aprovação! Fonte rádio CBN.

ussnegreli disse...

Obrigado por visitar o meu blog, sr. Sepúlveda, é algo que mantenho para mostrar meu hobby. Acompanho o blog do sr. desde quando saiu e é de extrema qualidade. No período em que ficou sem novos posts havia pensado que tivesse terminado com ele, mas ainda bem que não. Com relação ao meu comentário, havia feito antes de ler o post por completo.

Francisco José disse...

A esplicassão é çimples cumpanhero: no sambódromo só estavam os 16% que não estão com o prezidente.

Ana Maria Nunes disse...

Olha, pode n ser 84 por cento, mas que é bem alta a popularidade é.
A massa é ZERO de esclareçimento e, para muitos a única opção de saber de algo é vendo o Jornal Nacional e mutios cansados ainda do longa jornada de trabalho. Nem entendem direito!

Só o fato desses comunistas aderirem a qualquer coisa CONTRA a Igreja , já lhes rende a simpatia de muitos.

Só nos resta rezar e tentar trabalhar bem a mente dos nossos filhos!

Anônimo disse...

Sr Sepúlveda
Acho que entendi um pouquinho só. O presidente quis ser discreto(hum, logo ele?); segundo, quis passar despercebido(Deus me livre de vaias); terceiro, não quis chamar a atenção(quer beber sossegado); quarto, temia ser carregado nos braços do povo(atrapalharia o desfile); quinto, atingido esses alvos e percebido que não causou algum "frisson", resolveu atirar alguns punhados de preservativos aos carnavalescos, claro, para preservar-lhes a saúde. Ora, gente, postura de Estadista é difícil de entender.
Não é fácil estar com índices tão altos de popularidade, ora, mexe com qualquer um.
Saudações
(Si)