terça-feira, 13 de novembro de 2007

O 3º mandato voltará!

O 3º mandato voltará!
Quem acompanhou o noticiário nestes dias poderá ficar com a impressão de que a eventualidade do 3º mandato está morta e enterrada.

Não está! Está apenas adiada, é minha convicção.

A mídia noticiou que Lula tinha enquadrado os "companheiros" e o PT para desautorizar o debate e encerrar essa polêmica. Houve até quem afirmasse que a idéia do 3º mandato não vai prosperar "porque Lula disse que não quer".

Quanta ingenuidade.

Manobra ambígua
Na verdade, tratou-se de uma clara manobra de recuo, dentro do cronograma do golpe institucional, em que prevaleceu, uma vez mais, a ambiguidade. Ambiguidade que tem sido uma das principais armas do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (veja os posts Vem aí o golpe do 3º mandato e 3º mandato só com uma revolução).

Não houve da parte do Presidente nem do PT, crítica objetiva ao mérito da proposta, mas apenas à oportunidade da mesma.

Lula afirmou que o Brasil não pode brincar com a democracia. Ora, não é o Brasil que está brincando, mas o PT.

Além disso, o Presidente determinou apenas esvaziar o debate e pôr fim à polêmica, porque ela, nas atuais circunstâncias, lhe é prejudicial: "O momento não é para se discutir esse tipo de assunto", "o Brasil está precisando de tranquilidade para ocupar seu lugar no mundo", afirmou. Atenção: O momento não é... ou seja haverá outro momento em que será!

Por sua vez, Berzoini, após conversa com o Presidente Lula, considerou a discurssão "extemporânea" e "inventada". A polêmica não foi "inventada", mas nascida a partir do ensaio da movimentação petista. E se é "extemporânea", é porque, para Berzoini, deverá voltar na hora certa.

O deputado Maurício Rands (PT) foi igualmente ambíguo: "Se formos perguntar ao povo, pode até ser que a população concorde porque o governo Lula está sendo bom. Mas o PT não pode brincar com um assunto dessa seriedade". Note-se, na pretensa negação do 3º mandato, a afirmação de que o povo pode até ser favorável, abrindo a porta para um "clamor popular" que no futuro venha a "exigir" a re-reeleição.

Enquadrado ou instruído?
É bom ainda recordar que o deputado Devanir Ribeiro (PT), autor da proposta de emenda do plebiscito, não é um franco atirador (um "aloprado" no linguajar presidencial), mas um sindicalista, amigo e íntimo de Lula, de longa data.

Após sua conversa com o Presidente a imprensa o achou "constrangido", apesar dos sorrisos, mas o PT avisou que não obrigará o deputado a retirar a proposta de emenda constitucional, pois como parlamentar eleito pelo povo, tem o direito de propor o que quiser, inclusive "uma bobagem como a atual". Bobagem?!

O PT silencia e tergiversa
É assim a tergiversação do petismo. O deputado foi enquadrado pelo Presidente, ou instruído por ele a agir no momento e do modo certo?

Preparem-se porque a idéia do 3º mandato ainda voltará à baila.

Em importante artigo (Terceiro mandato), publicado no jornal O Estado de S. Paulo (11.nov.2007), Denis Rosenfield faz um enérgico alerta a esse respeito:

  • Cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém. A sabedoria popular é da maior valia, sobretudo quando nos defrontamos com o atual governo, que ora diz uma coisa, ora outra, sem a menor preocupação com o princípio de não-contradição. ....

    O presidente Lula anda empolgado com a questão do terceiro mandato. Não deixa de falar no assunto, embora o faça assegurando que jamais disputará a re-reeleição. Ele já se disse contrário ao instituto da reeleição e, no entanto, se recandidatou alegremente. Ninguém o obrigou. ....

    Fiel às suas ambigüidades, Lula dá uma no cravo e outra na ferradura. Declara veementemente que não disputará um novo mandato e, ao mesmo tempo, defende a nova Constituição” venezuelana. Esta, na verdade, viabiliza a ditadura permanente de Hugo Chávez mediante a reeleição sucessiva, a supressão da divisão de Poderes, o controle dos meios de comunicação, a formação de milícias para enquadrar os cidadãos e o poder de destituir governadores e prefeitos. O Banco Central lá se tornará um mero caixa para uso preferencial, se não exclusivo, do “líder supremo”. De fato, a tolerância com Chávez é preocupante, por significar uma anuência com a supressão da democracia por meios democráticos: a democracia totalitária.

    E o que faz o PT? Silencia e tergiversa. O partido, por intermédio de seu presidente, declarou, primeiro, que nada tinha a declarar. .... Depois, reiterou que se trata de algo “artificial”. A sua posição foi a de prudência, aguardando o desdobrar dos acontecimentos. Isto é, o partido pode vir a adotar uma política de apoio à re-reeleição de Lula, precisando, para tal, que condições políticas sejam criadas. E dentre essas condições estão incluídas as iniciativas de deputados, uma eventual Assembléia Constituinte ou um melhor esclarecimento da própria posição governamental. O tergiversar passa a mensagem de que a re-reeleição é uma possibilidade concreta.

    O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), embora inexpressivo, é uma pessoa que priva da intimidade do presidente da República. Não tomaria uma atitude se não tivesse percebido uma aquiescência à sua opinião. Ele faz parte da corte lulista, que se compraz em “interpretar” os desejos do chefe. Nada é arbitrário, embora possa soar disparatado. O problema é que a nossa própria realidade se está tornando disparatada, como se nada fizesse sentido. A questão consiste, porém, em que o sentido é dado por aqueles que estão arquitetando a manutenção do seu poder. ....

    A mensagem já foi transmitida: a re-reeleição do presidente Lula é uma possibilidade que não pode ser descartada.
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5 comentários:

Thèrese disse...

As tentações continuístas não estão aposentadas. Embora sonhe o Apedeuta brincar de Chávez, para concretizar seu "sonho" é necessário poder fazer, e acontece que no Brasil ainda existem instituições sólidas o suficiente para impor limites. As oposições que fiquem em estado de alerta porque o preço da liberdade é a eterna vigilância. O primeiro que baixar a guarda vira amigo do Chávez.

MARCO ANTONIO disse...

José Carlos,

Todo mundo sabe que o PT não vai largar o osso de graça. Claro que Lula não vai sair dizendo por aí que vai ser candidato em 2010 - geraria um desgaste. Enquanto ele nega, a camarilha põe lenha na fogueira. Os petistas e agregados estão loucos para votar nele de novo. E o Brasil vai pagar um alto preço pela (re)reeleição..

Gostei do blog. Colquei um link no PÂNICO NA POLÍTICA pra cá.

Um abraço.

ZEPOVO disse...

O PT e Lula não vão quere terceiro mandato porque podem fazer o sucessor com facilidade sem pagar o mico de terceiro mandato. A oposição está desorganizada e tem muitos candidatos gulosos, que não querem unir forças para combater o PT, vai ser facil.

ZEPOVO disse...

Se a direita continuar insistindo, e não apresentar candidato único e forte é possível que o povo saia às ruas para exigir reeleição de Lula, que com certeza vai se recusar deixando a oposição sem pai nem mãe à chorar desesperada...

José Elite disse...

Oh Zé Povo... "Por que no te callas?"